Crescendo significativamente nas vendas de produtos em geral, o Supermercado Mercale, antes de completar 1 ano de fundação, destaca-se em uma Ôrea pouco incentivada no ramo de empresas privadas: a inclusão no corpo de funcionÔrios.

Larissa AraĆŗjo, 23 anos, Ć© portadora de SĆndrome de Down e trabalha como embaladora de produtos. Foto: Reprodução
A embaladora de produtos Larissa AraĆŗjo, de 23 anos, que tem sĆndrome de down, trabalha hĆ” quase 6 meses no supermercado e, de acordo com o gerente de Recursos Humanos (RH), JĆ“nata Zanconatto, a funcionĆ”ria desenvolveu muitas de suas habilidades fĆsicas e comportamentais dentro do setor.
āLarissa chegou aqui por meio da Associação de Pais e Amigos Excepcionais (APAE), com algumas dificuldades fĆsicas e, a partir do contato com outros funcionĆ”rios, desenvolveu algumas habilidades de forma surpreendenteā, destacou.

Gerente de Recursos Humanos (RH) do Mercale, JÓnata Zanconatto, e Larissa Araújo. Foto: Reprodução
Zanconatto disse que Larissa nĆ£o subia as escadas sozinha e só conseguia executar os serviƧos a partir de comandos. No passar dos dias, foi se habituando ao espaƧo e jĆ” consegue trabalhar sem as orientaƧƵes: āA empresa, quando contratou, sabia das condiƧƵes e das limitaƧƵes que estĆ£o presentes na vida de uma pessoa com sĆndrome ou deficiĆŖncia. Mas, acima de tudo isso, se preocupou em incluir e resgatas os aspectos preservadosā.
Sobre isso, a jovem, em poucas palavras, falou do entusiasmo de trabalhar e do gosto de ter por perto o apoio dos colegas. āAdoro trabalhar aqui. Amo todo mundoā, enfatizou.
A fiscal que acompanha os trabalhos de Larissa, Eline Farias, disse que consegue perceber o desenvolvimento da parceira e destaca a importĆ¢ncia de ter um empreendimento que inclui, agrega e proporciona um espaƧo de crescimento. āQuando vejo Larissa trabalhando, com todas as suas limitaƧƵes, consigo ver que todos nós temos as nossas, mas, diferente deles, nĆ£o aproveitamos o que temos. Larissa Ć© excepcionalā, concluiu.

Larissa disse que gosta de ter por perto o apoio dos colegas: āAdoro trabalhar aqui. Amo todo mundoā. Foto: Reprodução
O Mercale tem hoje um corpo de funcionĆ”rios com mais de 10 pessoas com deficiĆŖncias variadas.Ā āAcreditamos nesse projeto e precisamos mostrar para a sociedade de que todos tĆŖm direitos iguais e podem crescer num ambiente que beneficie a todosā, finalizou Zanconatto.
SĆndrome de Down, outras deficiĆŖncias e o mercado de trabalho
A sĆndrome de Down Ć© causada pela presenƧa de trĆŖs cromossomos 21 em todas ou na maior parte das cĆ©lulas de um indivĆduo.
Isso ocorre na hora da concepção de uma crianƧa. As pessoas com sĆndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, tĆŖm 47 cromossomos em suas cĆ©lulas em vez de 46, como a maior parte da população.
As crianƧas, os jovens e os adultos com sĆndrome de Down podem ter algumas caracterĆsticas semelhantes e estar sujeitos a uma maior incidĆŖncia de doenƧas, mas apresentam personalidades e caracterĆsticas diferentes e Ćŗnicas.
O artigo 27 da convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência, estabelece que todos têm direito a oportunidades iguais de trabalho.
Muitos paĆses, assim como o Brasil, contam com uma legislação trabalhista que favorece a inclusĆ£o de pessoas com deficiĆŖncia no mercado de trabalho, seja atravĆ©s de cotas ou de subsĆdios para as empresas contratantes.
A legislação estabeleceu a obrigatoriedade de as empresas com cem (100) ou mais empregados preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência. A reserva legal de cargos é também conhecida como Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91). A cota depende do número geral de empregados que a empresa tem no seu quadro, na seguinte proporção, conforme estabeleceu o art. 93 da Lei nº 8.213/91:
I ā de 100 a 200 empregados ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ 2%
II ā de 201 a 500 ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦.. 3%
III ā de 501 a 1.000 ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦. 4%
IV ā de 1.001 em diante ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦ā¦.. 5%
