Tião assina carta em favor de Lula, mas se omite em relação a onda de assassinatos no Acre


Somente no fim de semana houveram 10 tentativas de homicídios e cinco assassinatos

SALOMÃO MATOS, DA CONTILNET

Onze governadores do Nordeste, Minas Gerais e Acre, decidiram publicar uma carta condenando a postura do juiz Sérgio Moro de impedir o cumprimento da decisão do desembargador Rogério Favrero, superior hierarquicamente a ele, para soltar o ex-presidente Lula. Na Carta, eles também protestam contra a pressa do desembargador Carlos Flores para rever a soltura e consideram o Judiciário agindo parcialmente.

“Na manhã de hoje (domingo), o povo brasileiro recebia a auspiciosa notícia da libertação do presidente Lula. O Desembargador competente para apreciar liminares durante o plantão reconduzia o Brasil à senda da legalidade democrática e respondia às aspirações nacionais de reconstitucionalização do país” diz um trecho da carta.

Em relação a onda de assassinatos e tentativas de homicídios ocorridos durante o final de semana no Acre, onde pelo menos 5 pessoas foram mortas e outras 10 feridas por disparos de arma de fogo, o governador Tião Viana ainda não se manifestou sobre o assunto.

Confira a íntegra da Carta de protesto assinada pelos 11 governadores:

“Na manhã de hoje, o povo brasileiro recebia a auspiciosa noticia da libertação do Presidente Lula. O Desembargador competente para apreciar liminares durante o plantão reconduzia o Brasil à senda da legalidade democrática e respondia às aspirações nacionais de reconstitucionalização do país.

condenação do Presidente Lula se deu de forma contrária às leis brasileiras e à jurisprudência de nossas cortes superiores. A decisão condenatória foi proferida por magistrado desprovido de competência legal, cujas condutas tem revelado, reiteradamente, total ausência de imparcialidade. Basta lembrar da divulgação ilegal de diálogos telefônicos mantidos pelo Presidente Lula, que foi prontamente rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal.

Agora, o mesmo magistrado, atipicamente, se insurgiu contra a decisão do desembargador de plantão, determinando às autoridades policiais que se abstivessem de cumpri-la. Essa atitude revela muito mais que zelo na condução dos processos submetidos à sua jurisdição: revela inaceitável parcialidade, além de desprezo pela organização hierárquica do Judiciário.

De modo ainda mais atipico, o Desembargador prevento antecipa o retorno de suas ferias e avoca o julgamento do habeas corpus, revogando a liminar concedida.

Lula, como todos os brasileiros, não pode ser beneficiado por privilégios ilegais. Mas também não pode ser perseguido, como evidentemente tem sido.

Apenas a aplicação imparcial das leis que dispõem sobre a liberdade e as condições de elegibilidade podem dar lugar a eleições legitimas em 2018.

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