Damares diz que nĂŁo se arrepende de frase polĂȘmica e que nenhum direito adquirido serĂĄ retirado

Por GLOBO.COM 04/01/2019 Ă s 08:51

A ministra da Mulher, FamĂ­lia e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou na noite de quinta-feira (3), em entrevista Ă  GloboNews, que nĂŁo se arrepende da declaração polĂȘmica que deu logo apĂłs assumir o cargo, sobre cores para meninos e meninas. Ela tambĂ©m disse que o governo Bolsonaro nĂŁo vai acabar com nenhum direito adquirido pela população LGBTI.

Na entrevista ao “Jornal das Dez”, Damares voltou a dizer que a frase em que afirma que “menino veste azul e menina veste rosa” era uma “metĂĄfora” contra o que chama de “ideologia de gĂȘnero”, e explicou a declaração ao responder se estava arrependida, diante da repercussĂŁo da fala.

“De jeito nenhum. Foi uma metĂĄfora. NĂłs temos no Brasil o ‘Outubro Rosa’, que diz respeito ao cĂąncer de mama com mulheres, temos o ‘Novembro Azul’, que Ă© com relação ao cĂąncer de prĂłstata com o homem. EntĂŁo quando eu disse que menina veste cor de rosa e menino veste azul, Ă© que nĂłs vamos estar respeitando a identidade biolĂłgica das crianças”, disse.

Damares diz que nĂŁo se arrepende de frase polĂȘmica e que nenhum direito adquirido serĂĄ retirado

/Foto: Reprodução

A frase foi registrada em um vĂ­deo feito por apoiadores, logo apĂłs Damares assumir o ministĂ©rio. Ao final da fala, a ministra foi aplaudida pelo pĂșblico que a cercava em uma sala.

A declaração provocou repercussĂŁo e foi criticada, ficando entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nesta quinta-feira. Foi criada tambĂ©m a hashtag “cor nĂŁo tem gĂȘnero”. O cantor Caetano Veloso divulgou uma foto, usando cor de rosa.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais disse em nota que a declaração da ministra “fere a liberdade individual, o direito Ă  autodeterminação e a dignidade da população trans”.

População LGBTI

Ainda durante a entrevista na GloboNews, Damares foi questionada sobre polĂ­ticas pĂșblicas para a população LGBTI, e afirmou que “nenhum direito adquirido serĂĄ violado pelo governo Bolsonaro”, ao comentar sobre a adoção de crianças por casais gays.

“Os homossexuais jĂĄ podem adotar, e nĂłs nĂŁo queremos mudar isso. Nenhum direito adquirido vai ser violado pelo governo Bolsonaro, que isso fique claro. O homossexual jĂĄ pode adotar uma criança. Qualquer pessoa acima dos 21 anos pode, desde que tenha 16 anos de diferença do adotante para o adotado, entĂŁo isso Ă© direito adquirido”.

Sobre a Medida Provisória assinada por Bolsonaro que não deixa explícito que a comunidade LGBTI faz parte das políticas e diretrizes destinadas à promoção dos direitos humanos, como constava anteriormente, Damares Alves afirmou que o assunto ficarå subordinado à Secretaria Nacional de Proteção Global, e que houve apenas uma mudança de nome.

“A MP trouxe oito secretarias, entre elas, a Secretaria de Proteção Global, e hoje foi publicado o decreto que detalha o que tem em cada secretaria. EstĂĄ lĂĄ mantida a diretoria da proteção Ă  comunidade LGBT, nĂŁo foi mexida em nada. NĂłs tivemos uma reuniĂŁo durante a transição, com a comunidade LGBT, e a diretoria destinada Ă  comunidade LGBT vai focar no combate Ă  violĂȘncia contra a comunidade LGBTI. EntĂŁo, ela estĂĄ lĂĄ, inclusive com os mesmos funcionĂĄrios, ela sĂł mudou o nome”.

Damares afirmou tambĂ©m ser possĂ­vel combater o preconceito contra gays “sem dizer para a menina que ela nĂŁo Ă© menina”.

“É uma questĂŁo de polĂ­tica pĂșblica, para que nĂŁo haja exagero da doutrinação ideolĂłgica. Vamos continuar combatendo o preconceito”, afirmou.

Mais cedo, nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou pelo Twitter que, no governo dele, “nĂŁo haverĂĄ abandono de auxĂ­lio a qualquer indivĂ­duo nas diretrizes de direitos humanos”. Ele nĂŁo mencionou na rede social nenhum episĂłdio especifico que tenha motivado a declaração.

Na mensagem que publicou na tarde desta quinta no Twitter, Bolsonaro declarou que o trabalho de manutenção das diretrizes de direitos humanos caberå à Secretaria Nacional da Família, à Secretaria Nacional de Proteção Global e ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação.

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