A ministra da Mulher, FamĂlia e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou na noite de quinta-feira (3), em entrevista Ă GloboNews, que nĂŁo se arrepende da declaração polĂȘmica que deu logo apĂłs assumir o cargo, sobre cores para meninos e meninas. Ela tambĂ©m disse que o governo Bolsonaro nĂŁo vai acabar com nenhum direito adquirido pela população LGBTI.
Na entrevista ao “Jornal das Dez”, Damares voltou a dizer que a frase em que afirma que “menino veste azul e menina veste rosa” era uma “metĂĄfora” contra o que chama de “ideologia de gĂȘnero”, e explicou a declaração ao responder se estava arrependida, diante da repercussĂŁo da fala.
“De jeito nenhum. Foi uma metĂĄfora. NĂłs temos no Brasil o ‘Outubro Rosa’, que diz respeito ao cĂąncer de mama com mulheres, temos o ‘Novembro Azul’, que Ă© com relação ao cĂąncer de prĂłstata com o homem. EntĂŁo quando eu disse que menina veste cor de rosa e menino veste azul, Ă© que nĂłs vamos estar respeitando a identidade biolĂłgica das crianças”, disse.

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A frase foi registrada em um vĂdeo feito por apoiadores, logo apĂłs Damares assumir o ministĂ©rio. Ao final da fala, a ministra foi aplaudida pelo pĂșblico que a cercava em uma sala.
A declaração provocou repercussĂŁo e foi criticada, ficando entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nesta quinta-feira. Foi criada tambĂ©m a hashtag “cor nĂŁo tem gĂȘnero”. O cantor Caetano Veloso divulgou uma foto, usando cor de rosa.
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais disse em nota que a declaração da ministra “fere a liberdade individual, o direito Ă autodeterminação e a dignidade da população trans”.
População LGBTI
Ainda durante a entrevista na GloboNews, Damares foi questionada sobre polĂticas pĂșblicas para a população LGBTI, e afirmou que “nenhum direito adquirido serĂĄ violado pelo governo Bolsonaro”, ao comentar sobre a adoção de crianças por casais gays.
“Os homossexuais jĂĄ podem adotar, e nĂłs nĂŁo queremos mudar isso. Nenhum direito adquirido vai ser violado pelo governo Bolsonaro, que isso fique claro. O homossexual jĂĄ pode adotar uma criança. Qualquer pessoa acima dos 21 anos pode, desde que tenha 16 anos de diferença do adotante para o adotado, entĂŁo isso Ă© direito adquirido”.
Sobre a Medida ProvisĂłria assinada por Bolsonaro que nĂŁo deixa explĂcito que a comunidade LGBTI faz parte das polĂticas e diretrizes destinadas Ă promoção dos direitos humanos, como constava anteriormente, Damares Alves afirmou que o assunto ficarĂĄ subordinado Ă Secretaria Nacional de Proteção Global, e que houve apenas uma mudança de nome.
“A MP trouxe oito secretarias, entre elas, a Secretaria de Proteção Global, e hoje foi publicado o decreto que detalha o que tem em cada secretaria. EstĂĄ lĂĄ mantida a diretoria da proteção Ă comunidade LGBT, nĂŁo foi mexida em nada. NĂłs tivemos uma reuniĂŁo durante a transição, com a comunidade LGBT, e a diretoria destinada Ă comunidade LGBT vai focar no combate Ă violĂȘncia contra a comunidade LGBTI. EntĂŁo, ela estĂĄ lĂĄ, inclusive com os mesmos funcionĂĄrios, ela sĂł mudou o nome”.
Damares afirmou tambĂ©m ser possĂvel combater o preconceito contra gays “sem dizer para a menina que ela nĂŁo Ă© menina”.
“Ă uma questĂŁo de polĂtica pĂșblica, para que nĂŁo haja exagero da doutrinação ideolĂłgica. Vamos continuar combatendo o preconceito”, afirmou.
Mais cedo, nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou pelo Twitter que, no governo dele, “nĂŁo haverĂĄ abandono de auxĂlio a qualquer indivĂduo nas diretrizes de direitos humanos”. Ele nĂŁo mencionou na rede social nenhum episĂłdio especifico que tenha motivado a declaração.
Na mensagem que publicou na tarde desta quinta no Twitter, Bolsonaro declarou que o trabalho de manutenção das diretrizes de direitos humanos caberĂĄ Ă Secretaria Nacional da FamĂlia, Ă Secretaria Nacional de Proteção Global e ao Conselho Nacional de Combate Ă Discriminação.
