Rio Branco, Acre,





Em meio a denúncias de manipulação e politicagem, eleições na Fieac acontecem na segunda


ContilNet ouviu os dois candidatos e ambos defenderam seus pontos de vistas e negaram tais vinculações

LAMLID NOBRE, DO CONTILNET

A disputa pela presidência do sistema Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) acontece nesta segunda-feira (14) em meio a um acirramento nunca visto antes no setor. É a primeira vez que duas chapas se inscrevem para o pleito que acontece a cada quatro anos. De um lado, o atual presidente, José Adriano, concorre à reeleição e de outro, o empresário Francisco Salomão, que já foi presidente por dois mandatos, tenta retornar à cadeira. São somente 10 os votos que definem os rumos da mais importante entidade representativa do segmento no Acre.

Denúncias de manipulação do estatuto e de politização partidária do processo eleitoral estão no cerne da disputa entre os empresários. Há quem diga que José Adriano é o candidato da Frente Popular e Salomão o do governador Gladson Cameli.

Procurados pela reportagem do ContilNet, ambos defenderam seus pontos de vistas e negaram tais vinculações.

José Adriano se afastou da presidência da Fieac no período de abril a outubro de 2018, quando foi candidato a deputado estadual pelo PDT. Derrotado, retornou ao cargo e com a chapa “Força da Indústria” pretende se reeleger.

José Adriano/Foto: reprodução

“Nós temos um planejamento para oito anos, estamos no final do primeiro mandato. Temos um trabalho desenvolvido nos últimos três anos. Os eleitores conhecem o nosso trabalho. Temos muita coisa em andamento, projetos inovadores outros com recursos garantidos.”, disse.

Sobre estar politizando a federação Adriano foi enfático. “Essa federação não tem partido. Tanto governador, quanto vice-governador e todos da oposição sempre estiveram com as portas abertas nessa casa. Desde o primeiro dia que assumi fiz tratamento igualitário a todos os políticos independente da cor partidária. Não é justo colocarem que a gente defende partido A ou B. Não somos amigos de governador, o que somos é parceiros de governo. Porque quem defende os interesses empresarias tem que ser parceiro de governo seja ele de que partido for.”, declarou.

Indagado ainda sobre manipulações no estatuto da federação, José Adriano confirmou que foram feitas adequações, mas que ocorreram, segundo ele, em acordo com o que estabelece a legislação.

“Se tivesse sido algo irregular, teria sido alvo de questionamento imediatamente pela chapa opositora. Então eu considero leviano quem diz que fizemos isso com a intenção de sair vencedor do pleito. Eles estão concorrendo com uma chapa completa. Quem assinou, inclusive a mudança de estatuto é uma das pessoas que está do outro lado, é nossa adversária. Não tem razão falarem disso. Nosso estatuto está idêntico ao da Confederação. Só não fizemos isso com mais antecedência, porque me afastei para a eleição em abril.”, explicou.

Francisco Salomão/Foto: reprodução

Já o empresário Francisco Salomão, que encabeça a chapa “Novos Tempo”, acredita que houve manipulação do estatuto da entidade para facilitar a reeleição do atual presidente quem ele acusa de pretender manter-se no cargo para defender interesses pessoais e políticos partidários. Disse que não pretendia nem a disputa e nem o cargo, mas foi procurado por um grupo de empresários, que segundo ele, queriam “despolitizar” a federação.

“Infelizmente o nosso presidente José Adriano fez a opção de se tornar político ao sair candidato a deputado federal. Politizou a federação e deixou de lado os interesses dos empresários e os empresários entendem que a Fieac deve buscar o desenvolvimento, discutir políticas para o setor industrial e como isso vai acontecer com um presidente que é político e é contra o atual governo?”, questionou.

Segundo ele, a atual conjuntura política foi fator predominante para que aceitasse o convite dos empresários que o apoiam, já que com a eleição de Gladson Cameli para o governo, os mesmos avaliam que não haveria diálogo com o atual presidente.

“Nós não queremos entrar em briga política. O Adriano fez um bom trabalho mas nós sabemos que a pretensão dele agora é ser político e não queremos deixar que use a federação para isso. Precisamos ter diálogo com o governo em favor do setor industrial. São esses os interesses que a nossa federação tem que defender.”, declarou Salomão.

Influência do governo –  Em contraponto, José Adriano declarou ainda que governo não deve sair de sua posição para intervir em eleição de federação. “Quero crer que não passou de uma bravata. Não é papel de um governo intervir diretamente já que pretende dar liberdade aos empresários já que a instituição defende exatamente isso a livre iniciativa e desenvolvimento por conta de independência empresarial. O governo não consegue mais dar conta de todos os desafios de um desenvolvimento perene e depender ciclicamente dos repasses da União é coisa do século passado. Então o governo tem que se preocupar com políticas públicas de educação, saúde, segurança, previstas, inclusive na Constituição, e incentivar a livre independência dos segmentos e temos conscientizado os empresários da liberdade que a gente precisa ter.”, destacou.

Em resposta, o porta-voz do governo de Gladson Cameli,  jornalista Rogério Wenceslau, declarou que “O senhor Adriano tem sido deselegante quando vai a imprensa acusar o governador de intervenção na eleição da Fieac, na verdade quem está prestes a intervir na eleição é a justiça, por conta de várias irregularidades no processo de formação e registro da chapa dele, que atropelou o regulamento em várias situações. O que há por parte do governo é o desejo de incentivar a nossa economia, e o empresariado é esse elo, então aqueles empresários que estão mais alinhados com nossas propostas econômicas, a maioria deles diga-se, tem um diálogo muito mais fácil conosco. O governo se colocou à disposição do empresariado e o senhor Adriano diz que isso é perseguição e retaliação. O que podemos dizer é que serão quatro anos dessa “retaliação” como diz ele, porque nós teremos nos empresários a verdadeira alavanca da economia.”.

Sindicatos que votam na eleição da Fieac:

SINCEPAV (Sindicato da Indústria de Construções de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem do Estado do Acre), presidente Nailton Feitosa.

SINDMINERAL (Sindicato da Indústria de Extração de Areia, Agila e Laterita do Estado do Acre), presidente João Paulo Pereira.

SINDUSCON (Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado do Acre), presidente Carlos Afonso.

SINCON (Sindicato das Indústrias de Confecções e Correlatas do Estado do Acre), presidente Raimunda Holanda.

SINDIGRAF (Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Acre), presidente Afonso Boaventura.

SINDMOVEIS (Sindicato da Indústria de Móveis do Estado do Acre), presidente Francisco Nepomucena.

SINDOAC (Sindicato da Indústria de Olaria do Estado do Acre), presidente Márcio Walter.

SINDPAN (Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado do Acre), presidente Abrahão Felício

SINDUSMAD (Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeiras do Estado do Acre), presidente Adelaide de Fátima Oliveira.

SINPAL – AC (Sindicato da Indústria de Produtos Alimentares do Estado do Acre), presidente, José Luiz Assis Felício.

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