Rio Branco, Acre,





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Pimenta no Reino

Gladson X Mazinho: quem perde, afinal, com a exposição da cobiça por vantagens no poder?


O prefeito de Sena Madureira não se acanhou em escancarar a razão pela qual rompeu com o governador

Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DO CONTILNET

Sem rodeios

Com uma gestão bem avaliada pelos moradores de Sena Madureira, o prefeito emedebista Mazinho Serafim nem sequer tentou dissimular o motivo pelo qual decidiu romper com o governo de Gladson Cameli (Progressistas).

Pretexto

Como bem sabe o leitor, o descontentamento de Serafim decorre da derrota na indicação de nomes para ocupar cargos no Núcleo da Secretaria de Educação no município. Não lhe recrimino a revolta, mas lastimo sua motivação.

Por partes

Primeiro convém lembrar que Cameli está há pouco mais de dez dias no cargo – tempo insuficiente para mensurar os problemas da administração estadual, avaliar as muitas solicitações dos aliados e definir o preenchimento dos cargos em comissão.

A caneta é dele

Segundo que apenas ao governador eleito pelo povo do Acre cabe a prerrogativa de nomear auxiliares. A imposição de nomes é inconcebível mesmo que partindo do mais ardoroso dos aliados políticos.

Sobrecarga

Por último, e o mais importante, é que a briga iniciada pelo prefeito de Sena Madureira escancara o que há de pior na política do país: a voracidade por espaços na máquina pública, cuja engrenagem acaba sobrecarregada e deixa de funcionar em favor da sociedade.

Raciocínio reverso

Cabe indagar ainda se Gladson Cameli, antes de ser eleito governador, tentou emplacar aliados na gestão do prefeito do MDB. Se o fez, desconheço.

Leitura dinâmica

Além disso, é de pasmar que Mazinho não se acanhe em expor ao público suas razões nada republicanas. Afinal, imagino que o morador de Sena, que votou no emedebista e também no atual governador, tenha vislumbrado na aliança entre os dois a oportunidade de ganhos para o município. Agora, suponho, esse eleitor esteja decepcionado ante a demonstração de que o prefeito se preocupa mesmo é em acomodar os aliados no poder.

Não somos mais os mesmos

Talvez falte a alguns de nossos representantes políticos a compreensão de que o país mudou, e o eleitor, de tanto apanhar, se tornou menos tolerante com os oportunistas.

Solidão do poder

Lembro ainda que Serafim previu um fim solitário para o governador Gladson, a quem acusa de ter o ‘dom’ de afastar de si os apoiadores. Mas como analisar o passado é sempre mais fácil do que prever o futuro, creio que nessa história quem está propenso a terminar sozinho é justamente o prefeito de Sena Madureira.

Reincidência

Minha suposição é corroborada pela reincidência. Às vésperas das eleições de outubro do ano passado, Serafim anunciou a decisão de romper com o então candidato ao Senado pelo MDB, Marcio Bittar. E o motivo alegado era idêntico: sua esposa, Meire Serafim, não foi confirmada como suplente do correligionário.

Entre tapas e beijos

Na época, como deve lembrar o leitor, Mazinho abraçou o petista Ney Amorim, também postulante a uma cadeira no Senado. Nesta sexta (11), depois de rugir contra o governador Gladson Cameli, tratou de convidar o senador Jorge Viana (PT) para um cafezinho.

De que lado estou?

Ao leitor arguto ficou claro que não tomo partido de nenhum dos envolvidos nessa queda de braço. Meu lado é o do povo, que quer ver, por parte de nossos representantes, menos alarde e mais dedicação às suas responsabilidades.

Só isso?

Por seu turno, a cúpula do MDB, que se omitiu quando o prefeito declarou apoio a Ney Amorim, desta vez soltou uma nota reafirmando ‘apoio incondicional’ a Cameli. E só.

Rebanho

Ao invés de uma deliberação condizente com a posição do partido no governo, o que se viu foi muito acanhamento e excesso de cautela em relação ao prefeito. Suspeito, inclusive, que o rugir de Serafim seja suficiente para aterrorizar as ovelhas emedebistas.

Escolha certa

O advogado Leandrius Muniz (que na foto aí abaixo aparece ao lado do ex-presidente Michel Temer) é cotado para assumir um cargo de extrema relevância no atual governo. Não direi qual por não ter recebido autorização de sua parte. Mas por conhecê-lo bem – e também por ter recorrido aos seus conhecimentos jurídicos mais de uma vez –, posso asseverar que o Dr. Muniz é talhado para a função.

Penúria

Leitor da coluna pergunta sobre o pagamento do 13º dos aposentados e pensionistas, que o ex-governador Tião Viana (PT) deixou de honrar ao término do seu segundo mandato. Recorri à secretária de estado de Comunicação, Silvânia Pinheiro, em busca de informações sobre o assunto.

Análise técnica

Em resposta, ela afiançou que a equipe econômica avalia como e quando o governo pagará o abono. O anúncio oficial, acrescentou, só poderá ser feito, porém,  após o dia 20 deste mês, com a abertura do orçamento deste ano.

Dá-lhe Marfisa!

A deputada federal Marfisa Galvão (PSD), que assumiu o mandato na Câmara no lugar do atual vice-governador Major Rocha (PSDB), assegurou ao meu colega Evandro Cordeiro que fará, em um único mês, “o que muitos não fizeram em quatro anos”.

Conselho grátis

Se dona Marfisa me permitir uma sugestão, asseguro que não terá que fazer esforço algum a fim de cumprir sua promessa: basta que doe aos pobres metade do seu salário. Tenho certeza que nenhum dos nossos parlamentares fez o mesmo nos últimos anos…

Em tempo

A despeito da brincadeira dirigida à Sra. Marfisa, sem nenhuma intenção de desmerecê-la, a coluna registra o que afirmou sua assessoria: a nova deputada do PSD recusou receber benefícios como o auxílio-paletó e auxílio-moradia. Com isso ela deixará de desfalcar cerca de R$ 27 mil dos cofres públicos.

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