Leo de Brito tripudia sobre o mínimo e apanha na web: “Foi o PT que criou as regras do reajuste!”

Por ARCHIBALDO ANTUNES, DO CONTILNET 03/01/2019 Ă s 02:15 Atualizado: hĂĄ 7 anos

Fake

Vem do interior do Acre, mais precisamente de Sena Madureira, um exemplo de como se fabrica uma fake news. Um site sediado no municĂ­pio publicou nesta quarta-feira (2) matĂ©ria com o tĂ­tulo “Presidente Jair Bolsonaro pode assinar decreto pelo fim do carnaval e parada gay no Brasil”.

Leo de Brito tripudia sobre o mínimo e apanha na web: “Foi o PT que criou as regras do reajuste!”

NĂŁo Ă© o que parece

Assim que me deparei com essa chamada, pensei com meus botÔes que Carnaval e Parada Gay são eventos cuja extinção não se då por decreto, por mais poderoso ou megalomaníaco que seja o ocupante encastelado no Palåcio do Planalto.

Como Ă© que Ă©?

Fui checar a matĂ©ria e ela dizia outra coisa. Vejam: “Uma notĂ­cia pode abalar os foliĂ”es de todo o paĂ­s. Presidente Jair Bolsonaro pode assinar decreto cortando verba do carnaval e parada gay em todo o Brasil”.

É um gĂȘnio!

Mas na tentativa de sustentar uma conclusão tão fraudulenta, o autor acrescentou, no final do segundo parágrafo, o raciocínio segundo o qual “O decreto já cancela o carnaval de 2019”.

Leo de Brito tripudia sobre o mínimo e apanha na web: “Foi o PT que criou as regras do reajuste!”

Nota de 3

Ora, a afirmação Ă© tĂŁo falsa quanto uma nota de trĂȘs reais. Primeiro porque parte dos recursos investidos no Carnaval do Rio de Janeiro, por exemplo, tem origem no caixa do governo carioca. Segundo que em 2013 se criou uma polĂȘmica em torno dos eventuais riscos de gigantes empresariais como a Basf patrocinarem escolas de samba, como ocorreu com a vencedora do evento naquele ano, a Vila Isabel. E terceiro que sĂł com os direitos de transmissĂŁo pagos pela Rede Globo, o montante arrecadado pelos carnavalescos Ă© estimado em R$ 6 milhĂ”es.

NotĂ­cia velha

A notĂ­cia, aliĂĄs, nĂŁo Ă© tĂŁo nova. Ela data de meados de novembro de 2018, e foi tema de uma reportagem da revista Isto É. Adianto que o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, nĂŁo falou, na Ă©poca, em cortar as verbas, e sim em diminuição do montante destinado Ă  realização do evento pelos governos anteriores.

O leitor nĂŁo Ă© burro

Pra concluir, acresço estar convicto de que o leitor, por menos escolarizado que seja, nĂŁo Ă© burro. Essa pecha fica para o ‘jornalista’ que acha poder enganar quem o lĂȘ com o desfile de suas sandices.

Vai que Ă© tua, Leo!

O deputado federal Leo de Brito (PT) deu uma de Lindbergh Farias ao tripudiar, ontem, sobre o reajuste do salário mínimo. ‘Demitido’ do cargo pelo eleitorado acreano, em outubro do ano passado, o parlamentar petista está com os dias contados. Mas suas gafes, ao que parece, não.

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De novo?

Em janeiro de 2018, Leo de Brito jå havia tropeçado na própria língua, ao comemorar o primeiro aumento da gasolina do ano. Foi tema da coluna por ter gastado, no ano anterior, o total de R$ 62,9 mil em combustíveis e lubrificantes, pagos inclusive pelos que recebem salårio mínimo.

ParĂȘnteses

Antes de falarmos da reação dos internautas Ă  postagem de Leo de Brito, Ă© preciso justificar a comparação com o companheiro Lindbergh Farias, senador do PT do Rio de Janeiro – outro que recebeu as contas do eleitor. Acuado pelo fracasso das muitas e ferozes investidas contra o impeachment de Dilma Rousseff, Lindbergh cometeu o erro de festejar a taxa de desemprego divulgada no inĂ­cio de 2016, jĂĄ com Michel Temer no PalĂĄcio do Planalto. Acabou surrado impiedosamente pelos bem-informados, que trataram de esclarecer que os nĂșmeros publicados por ele tambĂ©m no Facebook eram do ano anterior – e, portanto, relativos ao desastre econĂŽmico causado pela companheira.

AbecedĂĄrio

De volta a Leo de Brito, os internautas reagiram das mais diferentes formas à sua postagem. Endereçada a Bolsonaro, a mensagem, porém, acabou por ser devolvida ao remetente. E em forma de uma nova lição.

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DĂĄ-lhe, Dilma!

Como bem observado por alguns leitores, as regras que estabelecem a correção do salårio mínimo foram fixadas em uma proposta do Executivo Federal que virou lei em 2011, no governo de dona Dilma. Depois disso, ela editou uma medida provisória, logo convertida em lei, que manterå os mesmos critérios até o fim deste ano.

Pra encerrar

Em suma, se hĂĄ culpados pelo aumento do salĂĄrio do trabalhador ter sido o menor das Ășltimas dĂ©cadas, que sejam chamados ao tribunal do povo os governos companheiros – nĂŁo sĂł pela criação das atuais regras do reajuste do mĂ­nimo, como tambĂ©m pela proeza de terem quebrado a economia do paĂ­s.

Desaprovação

Artigo que circulou nos Ășltimos dias, com ataques de um militante do PT ao ex-governador TiĂŁo Viana, foi desaprovado por este colunista. Sobretudo depois da informação de que o autor recebeu, durante sete anos e 11 meses, salĂĄrios mensais de R$ 7,7 mil, relativos a uma CEC-7.

Mordomias

Se tem alguns que nĂŁo podem reclamar do Ășltimo governante petista desde 1999, sĂŁo os que lhe rodeavam a mesa no longo banquete estatal. Esses, ao contrĂĄrio do povo, sĂł receberam benesses.

Coerente até o fim

Quem tratou de manter a coerĂȘncia e fazer justiça a TiĂŁo Viana foi o meu colega Leonildo Rosas, entĂŁo porta-voz do governador do PT. Às vĂ©speras de deixar o cargo, dias atrĂĄs, Rosas registrou sua gratidĂŁo ao governador e Ă  sua vice por meio de uma postagem do Facebook. E ainda que nĂŁo tenhamos motivos para fazer o mesmo que ele, haveremos de admitir que o porta-voz teve a grandeza de nĂŁo cuspir no prato em que comeu.

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