Rio Branco, Acre,





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Pimenta no Reino

O adeus do deputado Jean Wyllys e as muitas coincidências que a imprensa não viu


Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DO CONTILNET    

‘Badeco’

O termo que encima a nota de abertura da coluna foi usado pelo ex-porta-voz do ex-governador Tião Viana (PT), Leonildo Rosas, para me definir. Em postagem no Facebook, Léo recorre à ofensa sob a justificativa de que seu combate é com a turma ‘do andar de cima’, onde ele acredita permanecer, e não com a raia-miúda, na qual faz questão de me incluir.

Virulência

O Dicionário inFormal explica o sentido de ‘badeco’. Trata-se de “Pessoa que faz tudo que os outros mandam. Pau-mandado. Empregado. Assistente geral que realiza todo tipo de serviço, que na maioria das vezes, são os piores serviços, que ninguém está disposto a fazer”.

Desproporção

Quem leu a coluna anterior (e se acaso não o tenha feito, e queira conferir seu conteúdo, é só clicar aqui), haverá de constatar que não uso um único termo com a intenção de desqualificá-lo. Mirei apenas em seus argumentos, através dos quais o amigo tenta exaltar a ‘competência’ do PT e defende que se pague a aviltante regalia (que o STF já julgou inconstitucional) criada por um dos irmãos Viana e reajustada pelo outro, poucos dias antes de deixar o governo.

A filosofia explica

O que Léo Rosas fez foi apenas fugir da polêmica, certamente por lhe faltarem argumentos à altura dos meus. E para não admitir a derrota, recorreu a um insulto. Sei que o ex-porta-voz de Tião Viana não leu “A Arte de ter Razão”, de Arthur Schopenhauer, mas aprendeu, com os companheiros, a se valer das táticas ali descritas. A usada por ele, na referida postagem, até nome tem em latim: argumentum ad hominem – e consiste em atacar a honra do oponente diante da impossibilidade de vencê-lo num debate.      

Casca grossa

Não costumo me melindrar mesmo quando atacado com os piores insultos. E só os retribuo quando o detrator não tem miolos suficientes para entender o que lhe escrevo. No caso de Léo Rosas, o que me chocou não foi a vileza do termo que me dirigiu, mas a sua presunçosa insinuação de acreditar poder falar comigo de cima para baixo.

Fala sério!

Leio estarrecido, de outro colega jornalista, que o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) teria saído do país ‘como primeiro refugiado político’, vítima de um governo que ‘mantém ligações com as milícias’. Aí me cocei com tamanha vontade de lhe perguntar se a vítima da tentativa de homicídio durante a campanha eleitoral de 2018 foi Wyllys, e não Jair Bolsonaro.

Em andamento

A propósito, a Polícia Federal pediu extensão do prazo para concluir a investigação sobre a origem dos recursos que pagam a defesa de Adélio Bispo de Oliveira, preso após o atentado contra Bolsonaro, no dia 6 de setembro do ano passado. O crime ocorreu em Juiz de Fora (MG), durante um evento do então candidato a presidente da República pelo PSL.

Chamem Sherlock Holmes!

Dado como um desequilibrado mental, a primeira versão da PF sustentava que o criminoso agira só. Mas aí começaram a surgir os mistérios: o primeiro deles foi a contratação de quatro advogados cujos honorários seriam impagáveis para um zé-ninguém aloprado. Fernando Magalhães, Pedro Augusto de Lima Felipe, Marcelo Manoel da Costa e Zanone Manuel de Oliveira Júnior deram quatro versões diferentes sobre a origem do pagamento pela defesa de Adélio. As principais delas apontavam para duas igrejas de Montes Claros, interior de MG, o que foi negado pelos representantes de ambas.

Avião particular

No dia do crime, o advogado Zanone de Oliveira, que afirmou ter aceitado defender Bispo como uma ‘estratégia de marketing’, embarcou em avião particular para acompanhar o caso. Ou seja, o doutor estava pagando para trabalhar.

Tudo muito estranho

No dia 19 de setembro de 2018, a Coluna Estadão e o site O Antagonista divulgaram haver dois registros de entrada de Adélio Bispo na Câmara dos Deputados, em Brasília, sendo que um deles dataria de 6 de setembro, mesmo dia em que ele se encontrava em Juiz de Fora para matar o presidenciável. A segunda visita teria sido feita em 2013, mas ninguém sabe informar qual foi o destino de Bispo na Casa.

Do arco da velha!

Após a divulgação dessa informação, o diretor da Polícia Legislativa da Câmara, Paul Pierre Deeter, disse suspeitar que as informações tinham sido fraudadas. E abriu uma investigação. No dia seguinte, Pierre Deeter anunciou que tudo não passara de erro de um funcionário, que ao acessar o sistema para checar se havia registro sobre a entrada de Adélio Bispo na Câmara, acabara, acidentalmente, pondo o seu nome na lista de visitantes.

Filiação partidária

Tem mais: o criminoso foi filiado ao PSOL – mesmo partido do deputado Jean Wyllys – por quase sete anos. A imprensa confirmou com o diretório da sigla em Uberaba (MG) que Bispo havia militado no partido entre 2007 e 2014.

O mundo é cheio de coincidências

Por último, destaco outra ‘coincidência’, a partir do pedido de dilatação do prazo, feito pela Polícia Federal, para investigar a origem dos recursos que financiaram os quatro defensores de Bispo. Isso ocorreu na última quarta-feira, dia 23. Ontem, 24 horas depois, Jean Wyllys se despedia do Brasil.

Pra encerrar

O leitor arguto haverá de concluir que com o relato que fiz acima não estou acusando o deputado do PSOL de ter tramado a morte de Bolsonaro. Já os abestados haverão de criticar aquilo que não está escrito. Por isso, adianto, se me perguntassem se acho que Jean Wyllys chegaria ao ponto de encomendar o assassinato de alguém, eu diria, com sinceridade, que não sei a resposta. O que posso afirmar, com toda convicção, é que ele é capaz de cuspir nos desafetos.

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