Rio Branco, Acre,


A Confraria dos Últimos Românticos: mais um ensaio sobre a seca

A coluna estreia nesta sexta, conforme prometido, com o texto da Daniela Andrade

Tateando no escuro, a respiração suspensa, um toque aqui e outro ali. Não sei nomear. Não sei dizer se é de verdade ou se outro delírio de febre, que me tira o apetite e me deixa prostrada na cama, ardendo na possibilidade.

Como uns cigarros catando os sinais, decifrando códigos invisíveis, desvendando um mistério que talvez seja só meu, que eu gestei e carrego numa manjedoura.

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Até ontem isso era nada, daí fulminada por um sorriso, cega pela luz do sol que refletia o brilho dourado do cabelo dele. Até ontem isso era nada, daí agora pulsa uma noite de suor que nunca chega pra molhar a estiagem desse cerrado castigado que é meu coração e fazer brotar a vida do ipê.

Leio teu corpo e embaralho as letras, tateando no escuro, a respiração suspensa, ardendo em febre. Brasa que não queima nem cessa, só arde. Nesse cerrado castigado pelo próprio fogo que forjei arrastando pedras até não sobrar nem mata rasteira. Urgindo pela nascença que vem com a chuva pingando teu corpo, o dourado do teu cabelo, água gelada que amansa a febre. Delírio de chuva. Faço chover.

Twitter: @dani_andrade

Instagram: @daniandrade_r

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