Veja quem foram e sĂŁo os melhores e os piores prefeitos do Acre

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET 31/12/2019 às 16:53 Atualizado: hå 6 anos

O encerramento do exercício financeiro de 2009 pelas administraçÔes das prefeituras dos 22 municípios acreanos serviu para desmistificar algumas lendas da política iniciadas logo no início do ano, quando alguns prefeitos e prefeitas pareciam no fundo do poço e outros davam sinais de que a partir dali iriam alçar voos bem mais altos. Os casos mais emblemåticos nos casos em que se pode aquilatar quem melhor ou pior se saiu em termos de administração municipal em 2019 são os da prefeita de Rio Branco, Socorro Neri (PSB); de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro (Progresssistas); da de Brasileia, Fernanda Hassem e de Sena Madureira, Mazinho Serafim (MDB).

Os trĂȘs primeiros estavam na lista dos que pegaram suas cidades cheias de problemas e poucos apostavam que, ao final deste ano, eles chegassem tĂŁo bem ao ponto de serem favoritos na corrida sucessĂłria. JĂĄ o terceiro, que tambĂ©m Ă© candidato Ă  reeleição, que iniciou o ano jactando-se de ser um administrador diferenciado por vir da iniciativa privada, chega ao final do ano ostentando o tĂ­tulo, por certo sem nenhum orgulho, de o pior prefeito do Acre.

TarauacĂĄ e Capixaba: todos no mesmo barco da incompetĂȘncia

Outros prefeitos, como Marilete Vitorino (PSD), de TarauacĂĄ, que começaram o ano ruim, continuam de mal a pior. Nesta lista pode se incluir o prefeito de Capixaba, “Joaozinho” (MDB), que nĂŁo terĂĄ que se esforçar muito para entrar nas listas de os piores prefeitos do Acre, ao lado de Marilete Vitorino e Mazinho Serafim. A situação da prefeita taracauense, que deve desistir de ser candidata Ă  reeleição, Ă© tĂŁo difĂ­cil, mesmo que ela tenha conseguido pagar os salĂĄrios de dezembro e 13Âș dos servidores, que seus aliados, como o senador SĂ©rgio PetecĂŁo, presidente de seu Partido, querem passar longe dela. Situação semelhante Ă  de Capixaba. Depois das trapalhadas do prefeito “Joaozinho”, que teve duas secretĂĄrias municipais e gente de sua confiança presas pela PolĂ­cia Federal por desvios de recursos pĂșblicos, que ele acabou por demiti-las, os cardeais do MDN tĂȘm evitado o municĂ­pio, mesmo que ali seja passagem obrigatĂłria para quem vai para o Alto Acre – os dirigentes do MDB tĂȘm evitado parar em Capixaba atĂ© mesmo para um lanche ou um cafezinho nas tradicionais lanchonetes da cidade, nas quais lancham pessoas que saem de Rio Branco especificamente para isso ou sĂł para tomar cafĂ© da manhĂŁ de tĂŁo gostoso que sĂŁo os produtos lĂĄ oferecidos.

Veja quem foram e sĂŁo os melhores e os piores prefeitos do Acre

Fernanda Hassem superou muitos problemas no municĂ­pio de Brasileia

Fernanda Hassem, de Brasiléia, a campeã em popularidade e trabalho

Por falar de novo em Alto Acre, em BrasilĂ©ia, a prefeita Fernanda Hassem, do PT, que pegou uma cidade arrasada pela enchente de 2015, uma das maiores da histĂłria e que fez um estrago tamanho que levou alguĂ©m a sugerir que ela transferisse o nĂșcleo urbano para um ligar mais alto e refundasse a cidade, vem numa crescente, com um sucesso atrĂĄs do outro. A prefeita petista nĂŁo sĂł recuperou a cidade como pĂŽs as contas e os serviços bĂĄsicos do municĂ­pio, como SaĂșde e Educação – tudo em dias. NĂŁo Ă© Ă  toa que Fernanda Hassem Ă© apontada por especialistas como a melhor prefeita da atual safra de administradores municipais e candidata Ă  reeleição imbatĂ­vel, quase sem adversĂĄrios.

TiĂŁo Flores, Gedeon, Zum e Ederaldo Caetano, prefeitos que nĂŁo sĂŁo carne nem peixe

HĂĄ, tambĂ©m, no caso dos prefeitos municipais que nĂŁo sĂŁo carne nem peixe – aqueles que, se nĂŁo fizeram a revolução feita por Fernanda Hassem, fizeram o dever de casa e nĂŁo estĂŁo totalmente em desgraça. Casos de TiĂŁo Flores, EpitaciolĂąndia, e de Gedeon (PSDB), em PlĂĄcido de Castro – embora este Ășltimo enfrente uma reeleição de mais de 60 por cento, segundo uma Ășltima a pesquisa de opiniĂŁo pĂșblica no municĂ­pio. Perto dali, em AcrelĂąndia, o prefeito Ederaldo Caetano (Progressistas), que vem pagando contas atrasadas e conseguiu pagar dĂ©cimo terceiro e dezembro, apesar das dificuldades, pode entrar na lista dos que, se nĂŁo fizeram muito, pelo menos nĂŁo atrasaram as obrigaçÔes. Mas o prefeito vem dizendo que, se nĂŁo houver socorro do Governo do Estado, e jĂĄ nos prĂłximos dias, vai ser obrigado a fechar as portas da Prefeitura e ir para casa. O prefeito Antonio Barbosa, o Zum, conseguiu pagar 13° e salĂĄrio de dezembro antes do dia 23 deste mĂȘs. TambĂ©m vem fazendo um esforço para pagar todos os fornecedores atĂ© este dia 31.

André Maia, Bené Damasceno e Romualdo lutam contra a segunda divisão

Perto de Rio Branco, distante 23 quilĂŽmetros da Capital, o prefeito AndrĂ© Maia (PSD), que esteve afastado do cargo por nove meses, estĂĄ novamente se encontrando para a execução de seu plano de Governo. Mas, ao eu tudo indica, vem se recuperando ao ponto de se apresentar como candidato Ă  reeleição. Situação semelhante, embora ele tenha cumprido o mandato desde o primeiro dia, Ă© a do prefeito de Bujari, Romualdo, eleito pelo PC do B e agora no Progressistas. Ainda no entorno de Rio Branco, em Porto Acre, o prefeito BenĂ© Damasceno (Progressistas), que jĂĄ se declarou candidato Ă  reeleição, acha que, apesar das dificuldades, conseguiu fazer uma boa administração e estĂĄ longe de estar entre os piores. “Porto Acre tem uma caracterĂ­stica diferente de todos os demais municĂ­pios: tem trĂȘs nĂșcleos urbanos, vilas e a cidade principal, que precisam de assistĂȘncia. A logĂ­stica para atender a todos tem que ser grande mas, mesmo assim, conseguimos”, disse.

Manuel Urbano, FeijĂł, Santa Rosa e JordĂŁo: isolamento e dificuldades

Muito longe de Rio Branco, jå em Manuel Urbano, o prefeito Tamir de Så (MDB), que diz ter pegado o município como se uma bomba atÎmica tivesse sido atirada sobre a cidade, também vem se recuperando com a realização de algumas obras, como recuperação de ruas graças às emendas que vem obtendo de seus aliados de MDB. Mais à frente, em Feijó, com o prefeito Kiefer Cavalcante (PTB), verifica-se outra situação em que, se não houve avanços, o trabalho de manutenção foi mantido. O prefeito, no entanto, vem sendo bombardeado porque se declarou favoråvel à privatização do sistema de ågua e esgotos do município, o que significa que, se a ideia for aprovada, o consumo de ågua serå cobrado por uma empresa particular. Apesar disso, Kiefer é candidato à reeleição.

De lĂĄ para JordĂŁo e Santa Rosa do Purus, a situação Ă© de dar dĂł em relação ao segundo municĂ­pio: o prefeito Assis Moura (PRP), nĂŁo conseguiu pagar ainda o mĂȘs de dezembro, o 13Âș e outros encargos no municĂ­pio, cuja população nĂŁo chega 3,5 mil pessoas. O prefeito de JordĂŁo Elson Lima Farias (PC do B) comemora o pagamento de suas obrigaçÔes e se prepara para eleger seu sucessor, recuando a fazer a lista dos piores prefeitos.

Pianko e Barbary dizem que tĂȘm o que mostrar em seus municĂ­pios

Quem nĂŁo quer entrar na lista tambĂ©m sĂŁo outros dois prefeito dos chamados municĂ­pios isolados – Marechal Taumathurgo e Poeto Walter, respectivamente, Isaac Pianko (PP), e Zexinho Barbary (MDB). O primeiro comemora o pagamento das contas e a realização de obras como um projeto em que a população pode reciclar e trocar lixo por frutas e verduras para o consumo, um programa inĂ©dito no paĂ­s. Pianko Ă© Ă­ndio da tribo dos Ashaninka, um dos poucos genuinamente indĂ­genas a exercer o cargo executivo de prefeito no paĂ­s.

Zezinho Barbary, que nĂŁo pode mais de candidatar a um terceiro mandato, diz que foi um dos poucos prefeitos do Acre a pagar metade do 13Âș salĂĄrio dos servidores em unho, na metade do ano. Por isso, chega ao final do exercĂ­cio com as obrigaçÔes cumpridas e longe da lista de prefeitos de segunda divisĂŁo.

Sebastião Correia e Isac Lima acham que estão numa boa média

Em Rodrigues Alves, o prefeito SebastiĂŁo Correia (MDB), apesar de fazer uma administração eivada de denĂșncias de corrupção e de responder a vĂĄrios processos, jĂĄ pagou o 13Âș do funcionalismo e paga, neste 30 de dezembro, o salĂĄrio do mĂȘs, informaram seus assessores.

Em MĂąncio Lima, o terceiro prefeito do PT e do que restou da chamada Frente Popular do Acre, embora nĂŁo faça o sucesso de sua companheira Fernanda Hassem em BrasilĂ©ia, o prefeito Isac Lima se prepara para a reeleição comemorando obras, pagamentos em dias e parcerias com o governador Gladson Cameli, adversĂĄrio dos petistas. “O governador tem trabalhado conosco como um estadista, sem olhar a cor partidĂĄria”, disse. “NĂłs beneficiamos disso e aprovamos muitos projetos que estĂŁo sendo executados e que serĂŁo executados em 2020”, disse.

Outro petista que se nĂŁo pĂŽde alcançar Fernanda Hassem, Bira Vasconcelos, de Xapuri, tambĂ©m se recusa Ă  segunda divisĂŁo. “NĂłs fomos o Ășnico prefeito do Acre que, mesmo com toda esta crise, concedemos aumento salarial aos nossos servidores”, disse Vasconcelos, certo de que isso o credencia a disputar a reeleição.

Veja quem foram e sĂŁo os melhores e os piores prefeitos do Acre

Prefeito Socorro Neri venceu grandes desafios em 2019

Socorro Neri e Ilderlei Cordeiro são exemplos de superação como administradores

JĂĄ a prefeita Socorro Neri, Ilderlei Cordeiro e Mazinho Serafim sĂŁo a antĂ­teses um dos outros pelas diferenças com que vĂŁo Ă  reeleição. A prefeita de Rio Branco pegou o mandato pela metade, com a renĂșncia de Marcus Alexandre para disputar – e perder – o governo em 2018, pegou uma herança maldita: uma cidade quase toda esburacada, rua, feias, com problemas atĂ© na iluminação pĂșblica. Quem apostou que a prefeita nĂŁo se recuperaria, perdeu: a cidade, apesar de muita ruas ainda com problemas, recuperou a autoestima do cidadĂŁo da Capital com obras como a nova Estrada da Sobral e da Antonio da Rocha Viana, a iluminação pĂșblica com lĂąmpadas de led e uma operação tapa buracos que trabalha de noite e de dia, em feriados e dias santos. Socorro Neri Ă© forte candidata Ă  reeleição. “Pelo menos no segundo turno, eu sei que jĂĄ está”, disse um cientista polĂ­tico local.

O mesmo acontece com Ilderlei Cordeiro. Ele pegou uma cidade praticamente inviabilizada, tamanha era buraqueira nas ruas. Conseguiu recursos, fez convĂȘnios e contratou uma Organização NĂŁo Governamental para ajuda-lo no recolhimento de ruas e recapeamento de suas com um tipo de revestimento asfĂĄltico especial. Resultado: estĂĄ comemorando a recuperação da cidade, a aceitação de sua administração e Ă© um forte candidato a permanecer no cargo.

Veja quem foram e sĂŁo os melhores e os piores prefeitos do Acre

Ilderley Cordeiro deu a volta por cima em Cruzeiro do Sul

Mazinho Serafim: o pior prefeito entre os piores do Acre

Na contramão da história e de qualquer anålise estå o prefeito Mazinho Serafim (MDB), de Sena Madureira, listado como um dos piores, senão o pior, da safra de prefeitos eleitos em 2016. Ao contrårio de outros prefeitos, ao assumir o mandato jå ganhou uma usina de asfatl zerada do então senador Gladson Cameli. Ele próprio chegou a anunciar dispor de R$ 60 milhÔes para obras em 2019.

Mas, apesar da fanfarronice de que seria o melhor prefeito da histĂłria do Iaco, o boquirroto vem tendo suas obras contestadas pela mĂĄ qualidade, segundo vĂ­deos feitos por moradores da cidade e enviados Ă  imprensa com questionamentos. AlĂ©m disso, ele ainda se deu ao luxo de atrasar o pagamento do 13Âș, dos salĂĄrios dos servidores e terceirizados. O 13Âș estĂĄ previsto para este dia 30 de dezembro, e o salĂĄrio de dezembro, se sair, sĂł em oito de janeiro de 2020.
Este ano foi um dos piores para quem mora na zona rural de Sena Madureira. Maioria dos agricultores ficou isolada, sem poder transportar suas produçÔes. As ruas esburacas de Sena Madureira também vem revoltando os moradores.

Por conta das trapalhadas, se houvesse um concurso sobre quem Ă© o pior prefeito do Acre, Mazinho Serafim, que Ă© candidato ĂĄ reeleição, seria o escolhido com mĂ©ritos, muitos mĂ©ritos. Muitos servidores pĂșblicos, que nĂŁo receberam o 13Âș nem o salĂĄrio de dezembro, viram seus filhos passarem a noite de Natal sem ceia, muitos com fome, conforme denĂșncia do deputado Gerlen Diniz.

Isso deve custar caro ao prefeito quando vier a campanha eleitoral.

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