CoronavĂ­rus: CĂąmara aprova projeto que prevĂȘ R$ 600 por mĂȘs para trabalhador informal

Por GLOBO.COM 26/03/2020 Ă s 19:49 Atualizado: hĂĄ 6 anos

A CĂąmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (26) um projeto que prevĂȘ o pagamento de R$ 600 a trabalhadores informais por trĂȘs meses em razĂŁo da pandemia do coronavĂ­rus. A mulher que for mĂŁe e chefe de famĂ­lia poderĂĄ receber R$ 1,2 mil. A proposta inicial do governo era de R$ 200 para os trabalhadores informais.

Com a aprovação, o texto seguirå para votação no Senado. Ainda não hå data definida para a anålise pelos senadores. O pagamento do auxílio emergencial é limitado a duas pessoas da mesma família.

Segundo estimativa preliminar da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, o impacto fiscal com o auxĂ­lio para a UniĂŁo serĂĄ de R$ 43 bilhĂ”es por trĂȘs meses. O cĂĄlculo nĂŁo considera ainda as mĂŁes chefes de famĂ­lia que poderĂŁo receber o auxĂ­lio em dobro.

Pela proposta, poderĂĄ receber o montante o autĂŽnomo que nĂŁo receber benefĂ­cios previdenciĂĄrios, seguro desemprego nem participar de programas de transferĂȘncia de renda do governo federal, com exceção do Bolsa FamĂ­lia.

Desde a semana passada, a CĂąmara e o Senado tem aprovado projetos relacionados ao combate do coronavĂ­rus e dos efeitos provocados pela crise.

Em razĂŁo das medidas de prevenção contra o coronavĂ­rus, a sessĂŁo desta quinta foi parcialmente virtual, com a presença de apenas alguns deputados no plenĂĄrio. Os demais acompanhavam por videoconferĂȘncia.

Entenda o projeto

O projeto altera uma lei de 1993 que trata da organização da assistĂȘncia social no Brasil. De acordo com o texto, o dinheiro serĂĄ concedido a tĂ­tulo de “auxĂ­lio emergencial” por trĂȘs meses ao trabalhador que cumprir os seguintes requisitos:

for maior de 18 anos;
nĂŁo tiver emprego formal;
nĂŁo for titular de benefĂ­cio previdenciĂĄrio ou assistencial, beneficiĂĄrio do seguro-desemprego ou de programa de transferĂȘncia de renda federal, ressalvado o bolsa-famĂ­lia;
cuja renda mensal per capita for de atĂ© meio salĂĄrio mĂ­nimos ou a renda familiar mensal total for de atĂ© trĂȘs salĂĄrios mĂ­nimos; que nĂŁo tenha recebido em 2018 rendimentos tributĂĄveis acima de R$ 28.559,70.

Outros requisitos para receber o auxĂ­lio Ă©:

exercer atividade na condição de Microempreendedor Individual (MEI) ou;
ser contribuinte individual do Regime Geral de PrevidĂȘncia Social ou;
ser trabalhador informal, de qualquer natureza, inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal atĂ© 20 de março de 2020.
Apesar de a previsĂŁo inicial de pagamento do auxĂ­lio ser por trĂȘs meses, o relator da proposta, Marcelo Aro (PP-MG), disse que a validade do auxĂ­lio poderĂĄ ser prorrogada de acordo com a necessidade.

O projeto estabelece ainda que sĂł duas pessoas da mesma famĂ­lia poderĂŁo acumular o auxĂ­lio emergencial.

Para quem recebe o Bolsa FamĂ­lia, o texto ainda permite que o beneficiĂĄrio substitua temporariamente o programa pelo auxĂ­lio emergencial, se o Ășltimo for mais vantajoso.

Inicialmente, o auxĂ­lio previsto no parecer do relator era de R$ 500, mas, apĂłs a articulação de um acordo com o governo federal, o valor passou a ser de R$ 600. “Foi uma construção do parlamento com o Executivo”, disse o deputado Marcelo Aro ao anunciar a mudança.

Pouco antes, em uma live realizada pelo Facebook, o presidente Bolsonaro havia dito que, apĂłs conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o governo defendia inicialmente que o auxĂ­lio fosse de R$ 200, “ele resolveu triplicar”. “Deu o sinal verde”, acrescentou Bolsonaro.

No plenårio da Cùmara, o líder do governo, deputado Vitor Hugo (PSL- GO), comemorou o acordo e disse que não se tratava da vitória de ninguém em específico, mas de uma vitória do país.

O presidente da CĂąmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiou a construção de um acordo entre Legislativo e Executivo, relação geralmente marcada por atritos. Maia ponderou que, mesmo com divergĂȘncias, Ă© preciso haver um ambiente de diĂĄlogo para buscar soluçÔes para “salvar vidas e encontrar o melhor caminho para que a economia sofra menos”.

BPC

O projeto de lei pretende ainda resolver um impasse em relação ao BenefĂ­cio de Prestação Continuada (BPC), que Ă© pago, no valor de um salĂĄrio mĂ­nimo por mĂȘs, a idosos ou pessoas com deficiĂȘncia de baixa renda.

O Congresso Nacional havia ampliado o limite de renda para ter direito ao pagamento do benefĂ­cio, que valeria jĂĄ para este ano. Com isso, mais pessoas passariam a ser beneficiadas, elevando as despesas pĂșblicas.

O presidente Jair Bolsonaro vetou o projeto alegando que nĂŁo havia sido indicada fonte de receita, mas os parlamentares depois derrubaram esse veto.

O governo federal, então, recorreu ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que a ampliação do limite valesse apenas a partir do ano que vem.

O ministro do TCU Bruno Dantas atendeu o pedido do governo, mas, no Ășltimo dia 18, voltou atrĂĄs e suspendeu a sua decisĂŁo por 15 dias.

O projeto aprovado nesta quinta pela Cùmara tenta resolver esse imbróglio. O texto define a partir de quando as novas regras passarão a valer. A proposta, porém, cria exceçÔes diante da crise do novo coronavírus.

Pelo projeto, terĂŁo direito ao benefĂ­cio pessoas com mais de 65 anos ou com deficiĂȘncia que tenham renda familiar per capita:

igual ou inferior a um quarto do salårio-mínimo, até 31 de dezembro de 2020;
igual ou inferior a meio salårio-mínimo, a partir de 1° de janeiro de 2021.
No entanto, diante da pandemia do coronavírus, o projeto abre brecha para ampliar o critério da concessão de benefício ainda neste ano.

O benefício poderå ser concedido para quem recebe até meio salårio mínimo per capita, em escala gradual a ser definida em regulamento, de acordo com uma série de fatores agravados pela pandemia, como comprometimento socioeconÎmico familiar.

Antecipação

O projeto tambĂ©m prevĂȘ a antecipação do pagamento do auxĂ­lio para quem ainda estĂĄ na fila do BPC para pessoa com deficiĂȘncia e do auxĂ­lio-doença. No caso do BPC, o projeto prevĂȘ pagamento de R$ 600. Para o auxĂ­lio-doença, o valor Ă© de um salĂĄrio mĂ­nimo.

Metas

A CĂąmara votou ainda um projeto de lei que suspende por 120 dias, a contar do dia 1Âș deste mĂȘs, a obrigatoriedade de manter as metas quantitativas e qualitativas exigidas de entidades de saĂșde que prestam serviço no Ăąmbito do Sistema Único de SaĂșde (SUS). O texto vai ao Senado.

Autor do projeto, o deputado Pedro Westphalen (PP-RS) argumenta que, devido à pandemia de coronavírus no país, os hospitais tiveram que redirecionar sua atuação.

Ele pondera que cirurgias marcadas, por exemplo, tĂȘm sido canceladas para priorizar o atendimento aos pacientes com Covid. E, por essa razĂŁo, os prestadores nĂŁo tĂȘm mais condiçÔes de cumprir as metas nesse perĂ­odo.

Como o repasse de recursos Ă© condicionado ao cumprimento das metas, o objetivo do projeto Ă© garantir que as entidades continuem recebendo a verba.

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