O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira, em entrevista Ă CNN Brasil, que o presidente Jair Bolsonaro pode realocar verbas do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral para combater o coronavĂrus. Maia tambĂ©m admitiu a possibilidade de redução de salário de parlamentares, bem como de outros servidores do Executivo e do Judiciário, para a mesma finalidade.
Durante a entrevista, no entanto, o presidente da Câmara se preocupou em alertar que este Ă© o momento de injetar recursos na economia. Segundo ele, se o governo nĂŁo entender que Ă© preciso gastar, “fica muito difĂcil”.
— Se é no fundo eleitoral ou partidário, que podem representar R$ 2,5 bilhões, não vejo problema, que se use. Agora, nós precisamos entender: a Saúde vai precisar de quanto? De R$ 50, R$ 100, R$ 150 bilhões. Só um projeto de suspensão do contrato de trabalho para contratar o seguro-desemprego vai custar quanto? De R$ 80 a R$ 100 bilhões. Por isso, a gente não precisa estar preocupado com gastos que tem previsão futura. Temos que usar qualquer rubrica — disse.
Segundo Maia, Bolsonaro tem “liberdade para usar todo o orçamento e ampliar o gasto”. Ele argumentou que a decretação do estado de calamidade pĂşblica implica na inexistĂŞncia do cumprimento da meta fiscal.
— Se nĂŁo existe mais meta… o governo tinha projetado um gasto acima de sua receita primária de R$ 126 bilhões. Ele agora pode gastar R$ 200, R$ 300, R$ 400 bilhões — disse Maia.
Perguntado se os parlamentares poderiam abrir mão de seus salários, Maia disse que não havia problema.
— Todo poder pĂşblico vai ter que contribuir. Transferir isso para o parlamentar Ă© fazer apenas um gesto importante, mas que nĂŁo tem nenhum impacto fiscal. Acho que os trĂŞs Poderes vĂŁo ter que contribuir: Legislativo, Executivo e Judiciário. Os salários no nĂvel federal sĂŁo o dobro no seu equivalente no setor privado — disse Maia.

