PF conclui que Adélio agiu sozinho e sem mandantes no ataque a Bolsonaro

Por G1 14/05/2020 Ă s 09:43

A PolĂ­cia Federal (PF) concluiu que nĂŁo houve mandantes para ataque contra o entĂŁo candidato Ă  presidĂȘncia da RepĂșblica Jair Bolsonaro, que concorria pelo PSL, em 2018. De acordo com o segundo inquĂ©rito, presidido pelo delegado Rodrigo Morais e entregue nesta quarta-feira (13) Ă  Justiça Federal, em Juiz de Fora, Zona da Mata Mineira, AdĂ©lio Bispo de Oliveira atuou sozinho, por iniciativa prĂłpria, tendo sido responsĂĄvel pelo planejamento da ação criminosa e por sua execução, nĂŁo contando, a qualquer tempo, com o apoio de terceiros.

“O que a investigação comprovou foi que o perpetrador, de modo inĂ©dito, atentou contra a vida de um entĂŁo candidato Ă  PresidĂȘncia da RepĂșblica, com o claro propĂłsito de tirar-lhe a vida”, destaca o delegado no inquĂ©rito.

Ainda de acordo com as investigaçÔes, não foram comprovadas, por exemplo, a participação de agremiaçÔes partidårias, facçÔes criminosas, grupos terroristas ou mesmo paramilitares em qualquer das fases (cogitação, preparação e execução).

Trecho da conclusĂŁo do segundo inquĂ©rito da PF sobre o atentado a Bolsonaro. — Foto: Reprodução

Trecho da conclusĂŁo do segundo inquĂ©rito da PF sobre o atentado a Bolsonaro. — Foto: Reprodução

 

Detalhes do inquérito

O inquérito investigou minuciosamente todo o material apreendido com Adélio Bispo, como um computador portåtil, aparelhos celulares e documentos. Foram analisados 2 terabytes de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, 600 documentos e 700 gigabytes de volume de dados de mídia, além de 1200 fotos.

Ao todo, 23 laudos periciais foram elaborados, 102 pessoas entrevistadas em campo e 89 testemunhas ouvidas no inquĂ©rito. TambĂ©m foram realizadas diligĂȘncias de busca e apreensĂŁo, quebras de sigilos fiscais, bancĂĄrios e telefĂŽnicos.

Durante a investigação, a PolĂ­cia Federal analisou ainda mais de 40 mil e-mails recebidos e enviados em contas registradas por AdĂ©lio Bispo. VĂ­deos e teorias sobre suposta ajuda recebida por AdĂ©lio no momento do atentado, veiculadas em redes sociais, tambĂ©m foram periciadas por tĂ©cnicos da corporação. Nenhuma dessas diligĂȘncias apontaram informaçÔes relevantes.

Relembre

O atentado aconteceu em 6 de setembro de 2018, quando Bolsonaro, ainda como candidato a presidente da RepĂșblica, participava de um ato de campanha em Juiz de Fora. AdĂ©lio Bispo foi preso no mesmo dia e, segundo a PolĂ­cia Militar de Minas Gerais, confessou ter sido o autor da facada.

Bolsonaro levou facada durante ato de campanha em Juiz de Fora — Foto: Reprodução/TV Globo

Bolsonaro levou facada durante ato de campanha em Juiz de Fora — Foto: Reprodução/TV Globo

O primeiro inquĂ©rito, concluĂ­do em setembro do mesmo ano, comprovou que AdĂ©lio Bispo de Oliveira havia agido sozinho no momento do ataque e que a motivação teria sido “indubitavelmente polĂ­tica”. Ele entĂŁo foi indiciado por prĂĄtica de atentado pessoal por inconformismo polĂ­tico, crime previsto na Lei de Segurança Nacional.

Em março do ano passado, um laudo feito por peritos indicados pela Justiça Federal apontou que Adélio Bispo sofria de uma doença mental e que não poderia ser punido criminalmente pelo fato. De acordo com o laudo, o agressor tem a doença chamada transtorno delirante permanente paranoide e, por isso, conforme o documento, foi considerado inimputåvel.

O que resta

A Ășnica diligĂȘncia pendente no inquĂ©rito feito pela PolĂ­cia Federal permanece na anĂĄlise de conteĂșdo do celular do advogado Zanone Manoel de Oliveira JĂșnior, que prestou defesa de AdĂ©lio desde o dia seguinte da facada.

O aparelho foi apreendido durante operação de busca e apreensĂŁo, mas, por ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) impetrada no Tribunal Regional Federal (TRF-1), a perĂ­cia no celular seria ilegal. O TRF-1 submeteu a anĂĄlise da ação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda nĂŁo autorizou nem negou as diligĂȘncias da PF no aparelho.

R

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.