Rio Branco, Acre,


Acre pode enfrentar novas pandemias com consumo de caças, aponta pesquisador

Em Rio Branco, 78% dos entrevistados em uma pesquisa disseram consumir carne silvestre

O posicionamento de Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) traz uma preocupação para os povos da Amazônia, especialmente os acreanos, quando ele traz a possibilidade de enfrentarmos novas pandemias com o consumo de carne silvestre, por exemplo.

Não somente este fator é precipitante e de risco para o surgimento de pandemias, mas desmatamento, fragmentação florestal, perturbação da vida selvagem, aumento do fluxo de humanos (garimpeiros, madeireiros, desmatadores, etc) entre áreas perturbadas de floresta e concentrações urbanas são destacados pelo autor.

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Mas, quando se trata de um vírus atual que colocou todo o mundo em uma pandemia – o coronavírus -, levantam-se as altas probabilidades de que a doença tenha relação com a transmissão animal. Até o momento, suspeita-se que os primeiros casos na Ásia tenham sido transmitidos a partir de morcegos ou pangolins.

“A falta de fiscalização e de políticas públicas contribuem para o surgimento de doenças, pois favorecem a retirada de animais de seu habitat e o contato não planejado com humanos. O consumo de carne silvestre é um hábito bastante presente também no Brasil”, explica o especialista.

Uma recente pesquisa divulgada na “Revista de Ciências da Saúde na Amazônia” mostra que no município de Rio Branco (AC), 78% dos entrevistados disseram consumir carne silvestre.

“A paca (Cuniculus paca) e o tatu (Gênero Euphractus) são as espécies mais procuradas”, diz a pesquisa, segundo a qual “pratos preparados à base de carnes silvestres em restaurantes apresentaram uma aceitabilidade de 100%”.

A alta demanda pela carne desses animais estimula a caça e o tráfico ilegais, criando uma crise de saúde pública, uma vez que boa parte das vezes o produto não tem origem adequada.

“Estamos no século das zoonoses. A cada quatro meses, a ciência identifica um microrganismo, bactéria, vírus ou protozoário que vira patógeno no corpo humano. A maioria, felizmente, não se propaga. Mas outros têm grande capacidade de contágio, como o novo coronavírus”, explica Nobre.

“A sociedade como um todo precisa entender que a degradação e o tráfico de animais estão diretamente relacionados à propagação de doenças. É uma questão de saúde pública. Há bem pouco tempo, ninguém imaginaria a humanidade passando por uma pandemia tão grave e com consequências tão sérias. Se não houver meios que impeçam o desmatamento e outros problemas ambientais, será cada vez mais comum termos de lidar com este e outros tipos de consequências, igualmente perturbadores”, comentou também Malu Nunes, mestre em Conservação da Natureza e Ciências Florestais e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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