Crise com a pandemia aumentou presença de crianças em cruzamentos de Rio Branco

Por ASCOM MPAC 11/06/2020

No intuito de combater e coibir o trabalho infantil, o MinistĂ©rio PĂșblico do Estado do Acre (MPAC), por meio da 1ÂȘ Promotoria Especializada de Defesa da Criança e Adolescente, instaurou procedimento administrativo para acompanhar os casos de famĂ­lias que se encontram em situação de vulnerabilidade e se utilizam das crianças para pedir ajuda nas ruas e semĂĄforos de Rio Branco.

De acordo com o documento assinado pelos promotores de Justiça Vanessa de Macedo Muniz e AntĂŽnio Alceste Callil Castro, chegou ao conhecimento da Promotoria a existĂȘncia de famĂ­lias acreanas e imigrantes venezuelanos vivendo precariamente pelas vias da capital.  

“ApĂłs tomarmos conhecimento dos casos, solicitamos que fosse elaborado um relatĂłrio pelo nosso NĂșcleo de Apoio TĂ©cnico (NAT), onde foram identificadas quatro famĂ­lias venezuelanas e uma famĂ­lia acreana, que estĂŁo vivendo em situação de vulnerabilidade e exploração de trabalho infantil. Imediatamente notificamos as autoridades competentes e estamos aguardando um posicionamento,” explicou a promotora.

O procedimento destaca ainda, que Ă© de responsabilidade do MinistĂ©rio PĂșblico zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados Ă s crianças e adolescentes, podendo a instituição expedir recomendação visando a melhora dos serviços pĂșblicos para os mesmos. 

“Estamos firmes nessa luta para cumprir a nossa missĂŁo institucional de combater esse mal que rouba das nossas crianças o direito de ser criança. Neste processo, o maior desafio das instituiçÔes Ă© conscientizar os pais, de que eles sĂŁo os responsĂĄveis pelo sustento da famĂ­lia e que as crianças e adolescentes tĂȘm direitos que nĂŁo podem ser violados” enfatizou Vanessa Muniz.  

Trabalho infantil na pandemia  

Além deste trabalho desempenhado pela instituição de maneira intensiva, agregou a problemåtica da pandemia do novo coronavírus e dos imigrantes venezuelanos no estado, jå que estes vivem de pedir ajuda em semåforos, expostos à contaminação e vivendo todas as mazelas de quem sobrevive nas ruas. 

ApĂłs todas as notificaçÔes e providĂȘncias tomadas, o MPAC aguarda o posicionamento da Delegacia de Proteção Ă  Criança e ao Adolescente e do Conselho Tutelar, com o prazo descrito como de “mĂĄxima urgĂȘncia”, por se tratar de crianças em situação de risco. 

Dia 12 de Junho: história e realidade 

O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2002, para conscientizar sociedade, trabalhadores, empregadores e governos do mundo todo contra o trabalho infantil. Além disso, é uma oportunidade para que as instituiçÔes potencializem os esforços para acelerar a erradicação do trabalho infantil em todo o Mundo.

O trabalho infantil, mesmo proibido no Brasil, atinge cerca 2,4 milhĂ”es de meninos e meninas entre 5 e 17 anos, segundo a Ășltima Pesquisa Nacional por Amostra de DomicĂ­lios (PNAD) do IBGE em 2016. De acordo com dados do MinistĂ©rio da Mulher, da FamĂ­lia e dos Direitos Humanos (MMFDH), em 2019, das mais de 159 mil denĂșncias de violaçÔes a direitos humanos recebidas pelo Disque 100, cerca de 86,8 mil tinham como vĂ­timas crianças e adolescentes, desse total, 4.245 eram de trabalho infantil. 

O trabalho precoce Ă© totalmente nocivo para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, entre as atividades mais prejudiciais, estĂĄ o trabalho infantil agropecuĂĄrio. Segundo estudo publicado em maio deste ano, pelo FĂłrum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), contatou-se que mais de 580 mil crianças e adolescentes de atĂ© 13 anos trabalham em atividades ligadas Ă  agricultura e Ă  pecuĂĄria. A pesquisa teve como base o Censo AgropecuĂĄrio de 2017, divulgado pelo IBGE em 2019. Apesar da redução obtida desde 2006, quando o nĂșmero era de mais de 1 milhĂŁo, com a pandemia do coronavĂ­rus, o trabalho infantil agropecuĂĄrio tambĂ©m pode voltar a crescer.

Eventos virtuais em alusão à data 

Em tempo de pandemia, as instituiçÔes tĂȘm se inovado para fazer eventos via plataformas online. Para marcar o Dia Internacional de Combate ao Trabalho Infantil, o Conselho Tutelar de Rio Branco, em parceria com o MPAC, realizarĂĄ no dia 12 de junho uma live com o tema “Lugar de Criança Ă© na Escola”. 

Também estå previsto para o dia 30 de junho um webinar, que serå organizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf).

Em ùmbito nacional haverå, no dia 12 de junho, webinar que serå transmitido pelo canal do Tribunal Superior do Trabalho (TST) no youtube. O evento conta com o apoio e participação do Canal Futura e vai debater questÔes como o racismo no Brasil, os aspectos históricos, mitos, o trabalho infantil no contexto da Covid-19 e os desafios da temåtica pós-pandemia. 

As açÔes continuam durante todo o mĂȘs de junho, com uma agenda nacional Ășnica que pode ser acompanhada pelas redes sociais das instituiçÔes parceiras.

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