No intuito de combater e coibir o trabalho infantil, o MinistĂ©rio PĂșblico do Estado do Acre (MPAC), por meio da 1ÂȘ Promotoria Especializada de Defesa da Criança e Adolescente, instaurou procedimento administrativo para acompanhar os casos de famĂlias que se encontram em situação de vulnerabilidade e se utilizam das crianças para pedir ajuda nas ruas e semĂĄforos de Rio Branco.
De acordo com o documento assinado pelos promotores de Justiça Vanessa de Macedo Muniz e AntĂŽnio Alceste Callil Castro, chegou ao conhecimento da Promotoria a existĂȘncia de famĂlias acreanas e imigrantes venezuelanos vivendo precariamente pelas vias da capital. Â
âApĂłs tomarmos conhecimento dos casos, solicitamos que fosse elaborado um relatĂłrio pelo nosso NĂșcleo de Apoio TĂ©cnico (NAT), onde foram identificadas quatro famĂlias venezuelanas e uma famĂlia acreana, que estĂŁo vivendo em situação de vulnerabilidade e exploração de trabalho infantil. Imediatamente notificamos as autoridades competentes e estamos aguardando um posicionamento,â explicou a promotora.
O procedimento destaca ainda, que Ă© de responsabilidade do MinistĂ©rio PĂșblico zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados Ă s crianças e adolescentes, podendo a instituição expedir recomendação visando a melhora dos serviços pĂșblicos para os mesmos.Â
âEstamos firmes nessa luta para cumprir a nossa missĂŁo institucional de combater esse mal que rouba das nossas crianças o direito de ser criança. Neste processo, o maior desafio das instituiçÔes Ă© conscientizar os pais, de que eles sĂŁo os responsĂĄveis pelo sustento da famĂlia e que as crianças e adolescentes tĂȘm direitos que nĂŁo podem ser violadosâ enfatizou Vanessa Muniz. Â
Trabalho infantil na pandemia Â
AlĂ©m deste trabalho desempenhado pela instituição de maneira intensiva, agregou a problemĂĄtica da pandemia do novo coronavĂrus e dos imigrantes venezuelanos no estado, jĂĄ que estes vivem de pedir ajuda em semĂĄforos, expostos Ă contaminação e vivendo todas as mazelas de quem sobrevive nas ruas.Â
ApĂłs todas as notificaçÔes e providĂȘncias tomadas, o MPAC aguarda o posicionamento da Delegacia de Proteção Ă Criança e ao Adolescente e do Conselho Tutelar, com o prazo descrito como de âmĂĄxima urgĂȘnciaâ, por se tratar de crianças em situação de risco.Â
Dia 12 de Junho: histĂłria e realidadeÂ
O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil foi instituĂdo pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2002, para conscientizar sociedade, trabalhadores, empregadores e governos do mundo todo contra o trabalho infantil. AlĂ©m disso, Ă© uma oportunidade para que as instituiçÔes potencializem os esforços para acelerar a erradicação do trabalho infantil em todo o Mundo.
O trabalho infantil, mesmo proibido no Brasil, atinge cerca 2,4 milhĂ”es de meninos e meninas entre 5 e 17 anos, segundo a Ășltima Pesquisa Nacional por Amostra de DomicĂlios (PNAD) do IBGE em 2016. De acordo com dados do MinistĂ©rio da Mulher, da FamĂlia e dos Direitos Humanos (MMFDH), em 2019, das mais de 159 mil denĂșncias de violaçÔes a direitos humanos recebidas pelo Disque 100, cerca de 86,8 mil tinham como vĂtimas crianças e adolescentes, desse total, 4.245 eram de trabalho infantil.Â
O trabalho precoce Ă© totalmente nocivo para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, entre as atividades mais prejudiciais, estĂĄ o trabalho infantil agropecuĂĄrio. Segundo estudo publicado em maio deste ano, pelo FĂłrum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), contatou-se que mais de 580 mil crianças e adolescentes de atĂ© 13 anos trabalham em atividades ligadas Ă agricultura e Ă pecuĂĄria. A pesquisa teve como base o Censo AgropecuĂĄrio de 2017, divulgado pelo IBGE em 2019. Apesar da redução obtida desde 2006, quando o nĂșmero era de mais de 1 milhĂŁo, com a pandemia do coronavĂrus, o trabalho infantil agropecuĂĄrio tambĂ©m pode voltar a crescer.
Eventos virtuais em alusĂŁo Ă dataÂ
Em tempo de pandemia, as instituiçÔes tĂȘm se inovado para fazer eventos via plataformas online. Para marcar o Dia Internacional de Combate ao Trabalho Infantil, o Conselho Tutelar de Rio Branco, em parceria com o MPAC, realizarĂĄ no dia 12 de junho uma live com o tema âLugar de Criança Ă© na Escolaâ.Â
Também estå previsto para o dia 30 de junho um webinar, que serå organizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf).
Em Ăąmbito nacional haverĂĄ, no dia 12 de junho, webinar que serĂĄ transmitido pelo canal do Tribunal Superior do Trabalho (TST) no youtube. O evento conta com o apoio e participação do Canal Futura e vai debater questĂ”es como o racismo no Brasil, os aspectos histĂłricos, mitos, o trabalho infantil no contexto da Covid-19 e os desafios da temĂĄtica pĂłs-pandemia.Â
As açÔes continuam durante todo o mĂȘs de junho, com uma agenda nacional Ășnica que pode ser acompanhada pelas redes sociais das instituiçÔes parceiras.

