Mesmo com a pressĂŁo de prefeitos para que as eleiçÔes municipais fossem mantidas em outubro, a CĂąmara aprovou nesta quarta-feira, 1, a Proposta de Emenda Ă Constituição (PEC) que adia as disputas para novembro. Foram 407 votos a favor e 70 contra. Pouco antes, no primeiro turno, foram 402 votos favorĂĄveis e 90 contrĂĄrios. Pela proposta, a escolha de prefeitos e vereadores em todo o PaĂs serĂĄ em 15 de novembro – data de votação no primeiro turno – e 29 de novembro -, caso haja uma segunda rodada.
Apenas o PL e o PSC orientaram contra. O governo, o Pros e o Patriotas liberaram as bancadas. O texto que recebeu sinal verde da CĂąmara tambĂ©m muda o calendĂĄrio eleitoral deste ano. A alteração Ă© motivada pela pandemia do novo coronavĂrus e, com o adiamento das disputas para novembro, a expectativa Ă© de que a incidĂȘncia e o risco de contaminação pela doença entre eleitores sejam menores. Deputados precisam agora votar os destaques, pedidos de alteração Ă PEC, para concluir o primeiro turno e, na sequĂȘncia, votar o segundo turno. Se nĂŁo houver mudança significativa em relação ao que o Senado aprovou em 23 de junho, a proposta pode seguir para promulgação.
O grupo de partidos conhecido como CentrĂŁo era inicialmente contra empurrar as eleiçÔes para novembro. Parte das legendas, porĂ©m, acabou mudando de posição apĂłs negociaçÔes sobre o retorno da propaganda partidĂĄria e a garantia de mais recursos para municĂpios no combate Ă pandemia.
A negociação foi costurada no fim de semana pelos presidentes da CĂąmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O deputado Marcos Pereira (SP),presidente do Republicanos, foi um dos que mudaram radicalmente de posição e disse ter sido “convencido” de que adiar a votação era o melhor a fazer.
O relator da PEC na Cùmara, deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR), não fez alteraçÔes em relação ao texto aprovado pelo Senado. Se não houver novas modificaçÔes, o primeiro turno da eleição serå adiado por 42 dias.
A deputada governista Bia Kicis (PSL-DF) discursou contra a proposta. “VĂĄrios sĂŁo os motivos para se rejeitar essa PEC. Traz gastos extras que nĂŁo sĂŁo recomendĂĄveis em um momento como esse. Servidores pĂșblicos que jĂĄ se desincompatibilizaram terĂŁo prejuĂzo muito grande com esse adiamento”, disse ela, que Ă© aliada do presidente Jair Bolsonaro. “TrarĂĄ mais custos do que benefĂcios”.
O lĂder do governo na CĂąmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), orientou, porĂ©m, favoravelmente Ă admissibilidade, mas liberou a anĂĄlise do mĂ©rito. “Essa Ă© uma questĂŁo que nĂŁo diz respeito diretamente ao governo”, observou Vitor Hugo.
O MDB havia liberado a bancada, mas o lĂder do partido, deputado Baleia Rossi (SP), acabou apoiando o adiamento das eleiçÔes, sob a alegação de que a maioria do partido tem essa posição.
O texto aprovado tambĂ©m prevĂȘ que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adie as eleiçÔes por um perĂodo ainda maior em municĂpios com alto grau de disseminação da covid-19, se houver necessidade. O argumento Ă© o de evitar a aglomeração em locais com Ăndices preocupantes de avanço da doença. A nova data, porĂ©m, deverĂĄ ser definida ainda em 2020 e o Congresso poderĂĄ aprovar uma resolução marcando a disputa, tambĂ©m neste ano, para municĂpios de uma mesma regiĂŁo ou Estado.
Com o adiamento das eleiçÔes, outras datas do calendĂĄrio eleitoral tambĂ©m serĂŁo alteradas. Os candidatos terĂŁo mais tempo para inaugurar obras, participar de eventos pĂșblicos e aparecer em programas de TV e rĂĄdio. No entanto, prazos jĂĄ vencidos nĂŁo poderĂŁo ser alterados. Desde ontem (30), por exemplo, emissoras nĂŁo podem mais exibir programas com apresentadores que queiram ser candidatos no pleito municipal.
O inĂcio oficial da campanha eleitoral fica adiada de 16 de agosto para 27 de setembro. No rĂĄdio e TV, a campanha terĂĄ inĂcio em 9 de outubro. A proposta permite tambĂ©m aposse de prefeitos e vereadores no PaĂs antes do julgamento das contas de campanha pela Justiça Eleitoral. AtĂ© a semana passada, o discurso oficial dos parlamentares contrĂĄrios Ă mudança era de que nada garanteque postergar a votação em 42 dias farĂĄ com que a pandemia seja controlada nesse perĂodo. Na prĂĄtica, porĂ©m, prefeitos pressionavam integrantes do CentrĂŁo a nĂŁo adiar com o argumento de que jogar as eleiçÔes para novembro beneficiariaa oposição. Com a possibilidade de reforço no caixa das prefeituras, porĂ©m, o discurso mudou.
De acordo com dados do TSE, os partidos do CentrĂŁo – PSD, PP, PL, DEM, PTB e Solidariedade – assumiram o comando de 1.918 prefeituras nas eleiçÔes passada, o que equivale a um terço do total do PaĂs. O valor a mais para os municĂpios deve ser liberado por meio da prorrogação da vigĂȘncia da Medida ProvisĂłria 938, de 2020, que reservou R$ 16 bilhĂ”es para recompor perdas com arrecadação de impostos na pandemia. Originalmente, a ajuda sĂł seria vĂĄlida atĂ© este mĂȘs. A proposta em negociação Ă© prorrogĂĄ-la atĂ© dezembro.

