Cùmara aprova adiamento das eleiçÔes municipais para novembro deste ano

Por TERRA 01/07/2020 Ă s 18:37

Mesmo com a pressĂŁo de prefeitos para que as eleiçÔes municipais fossem mantidas em outubro, a CĂąmara aprovou nesta quarta-feira, 1, a Proposta de Emenda Ă  Constituição (PEC) que adia as disputas para novembro. Foram 407 votos a favor e 70 contra. Pouco antes, no primeiro turno, foram 402 votos favorĂĄveis e 90 contrĂĄrios. Pela proposta, a escolha de prefeitos e vereadores em todo o PaĂ­s serĂĄ em 15 de novembro – data de votação no primeiro turno – e 29 de novembro -, caso haja uma segunda rodada.

Apenas o PL e o PSC orientaram contra. O governo, o Pros e o Patriotas liberaram as bancadas. O texto que recebeu sinal verde da CĂąmara tambĂ©m muda o calendĂĄrio eleitoral deste ano. A alteração Ă© motivada pela pandemia do novo coronavĂ­rus e, com o adiamento das disputas para novembro, a expectativa Ă© de que a incidĂȘncia e o risco de contaminação pela doença entre eleitores sejam menores. Deputados precisam agora votar os destaques, pedidos de alteração Ă  PEC, para concluir o primeiro turno e, na sequĂȘncia, votar o segundo turno. Se nĂŁo houver mudança significativa em relação ao que o Senado aprovou em 23 de junho, a proposta pode seguir para promulgação.

O grupo de partidos conhecido como Centrão era inicialmente contra empurrar as eleiçÔes para novembro. Parte das legendas, porém, acabou mudando de posição após negociaçÔes sobre o retorno da propaganda partidåria e a garantia de mais recursos para municípios no combate à pandemia.

A negociação foi costurada no fim de semana pelos presidentes da CĂąmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O deputado Marcos Pereira (SP),presidente do Republicanos, foi um dos que mudaram radicalmente de posição e disse ter sido “convencido” de que adiar a votação era o melhor a fazer.

O relator da PEC na Cùmara, deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR), não fez alteraçÔes em relação ao texto aprovado pelo Senado. Se não houver novas modificaçÔes, o primeiro turno da eleição serå adiado por 42 dias.

A deputada governista Bia Kicis (PSL-DF) discursou contra a proposta. “VĂĄrios sĂŁo os motivos para se rejeitar essa PEC. Traz gastos extras que nĂŁo sĂŁo recomendĂĄveis em um momento como esse. Servidores pĂșblicos que jĂĄ se desincompatibilizaram terĂŁo prejuĂ­zo muito grande com esse adiamento”, disse ela, que Ă© aliada do presidente Jair Bolsonaro. “TrarĂĄ mais custos do que benefĂ­cios”.

O lĂ­der do governo na CĂąmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), orientou, porĂ©m, favoravelmente Ă  admissibilidade, mas liberou a anĂĄlise do mĂ©rito. “Essa Ă© uma questĂŁo que nĂŁo diz respeito diretamente ao governo”, observou Vitor Hugo.

O MDB havia liberado a bancada, mas o líder do partido, deputado Baleia Rossi (SP), acabou apoiando o adiamento das eleiçÔes, sob a alegação de que a maioria do partido tem essa posição.

O texto aprovado tambĂ©m prevĂȘ que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adie as eleiçÔes por um perĂ­odo ainda maior em municĂ­pios com alto grau de disseminação da covid-19, se houver necessidade. O argumento Ă© o de evitar a aglomeração em locais com Ă­ndices preocupantes de avanço da doença. A nova data, porĂ©m, deverĂĄ ser definida ainda em 2020 e o Congresso poderĂĄ aprovar uma resolução marcando a disputa, tambĂ©m neste ano, para municĂ­pios de uma mesma regiĂŁo ou Estado.

Com o adiamento das eleiçÔes, outras datas do calendĂĄrio eleitoral tambĂ©m serĂŁo alteradas. Os candidatos terĂŁo mais tempo para inaugurar obras, participar de eventos pĂșblicos e aparecer em programas de TV e rĂĄdio. No entanto, prazos jĂĄ vencidos nĂŁo poderĂŁo ser alterados. Desde ontem (30), por exemplo, emissoras nĂŁo podem mais exibir programas com apresentadores que queiram ser candidatos no pleito municipal.

O início oficial da campanha eleitoral fica adiada de 16 de agosto para 27 de setembro. No rådio e TV, a campanha terå início em 9 de outubro. A proposta permite também aposse de prefeitos e vereadores no País antes do julgamento das contas de campanha pela Justiça Eleitoral. Até a semana passada, o discurso oficial dos parlamentares contrårios à mudança era de que nada garanteque postergar a votação em 42 dias farå com que a pandemia seja controlada nesse período. Na pråtica, porém, prefeitos pressionavam integrantes do Centrão a não adiar com o argumento de que jogar as eleiçÔes para novembro beneficiariaa oposição. Com a possibilidade de reforço no caixa das prefeituras, porém, o discurso mudou.

De acordo com dados do TSE, os partidos do CentrĂŁo – PSD, PP, PL, DEM, PTB e Solidariedade – assumiram o comando de 1.918 prefeituras nas eleiçÔes passada, o que equivale a um terço do total do PaĂ­s. O valor a mais para os municĂ­pios deve ser liberado por meio da prorrogação da vigĂȘncia da Medida ProvisĂłria 938, de 2020, que reservou R$ 16 bilhĂ”es para recompor perdas com arrecadação de impostos na pandemia. Originalmente, a ajuda sĂł seria vĂĄlida atĂ© este mĂȘs. A proposta em negociação Ă© prorrogĂĄ-la atĂ© dezembro.

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