‘Perdi meu filho por idiotice’, diz pai de ex-aluno do Sigma morto com choque de carregador

Por METRÓPOLES 16/08/2020

Morador de Brasília, Frederico Remus, de 47 anos, levou a esposa e os filhos para fazenda da família no Tocantins, por causa da pandemia do novo coronavírus. Tudo ia bem, até que, na noite de 28 de julho, João Vitor Remus, de 13 anos, precisou utilizar a extensão na qual a irmã, 12, carregava o celular. Ao tirarem o carregador da tomada, os pinos se soltaram do equipamento e, quando João foi pegar a extensão, encostou nos pinos, recebendo a descarga elétrica.

Mesmo apĂłs 10 dias internados, JoĂŁo nĂŁo resistiu ao choque, falecendo em na Ășltima quinta-feira (6/8), em Palmas. Quem conta os tristes detalhes Ă© o pai do menino, Frederico.

“Meu filho perdeu a vida por uma idiotice. É doloroso”, desabafa, em conversa com o MetrĂłpoles. O pai da vĂ­tima ainda nĂŁo se conforma da forma como perdeu o filho. “Essa dor Ă© insuportĂĄvel. Ela Ă© fĂ­sica, ela dĂłi. E por causa de um acidente banal, sabe?”.

Para o pai, no entanto, somente as boas memĂłrias que ficam. Descrevendo JoĂŁo como alguĂ©m “muito Ă  frente do tempo dele”, relembra de como o filho gostava de conversar com pessoas mais velhas. Para Frederico, o seu “moleque” era o melhor, e sabe bem qual imagem vai levar sempre do filho.

“O que ficou dele Ă© o sorriso bonito e largo”, relembra.

O fazendeiro conta que o filho ajudava nos serviços pesados do negĂłcio da famĂ­lia, no qual o pai fazia questĂŁo de envolvĂȘ-lo.

“Eu trocava ideia com ele, perguntava: ‘O que vocĂȘ acha? O que nĂłs vamos fazer?’. Queria que ele se sentisse Ă  vontade no negĂłcio”. O intuito era que JoĂŁo e a irmĂŁ tomassem conta das terras da famĂ­lia. “Tudo que eu fazia na vida era pensando que ele seria meu sucessor”, revela Frederico.

“Em outro plano”

Segundo os pais de JoĂŁo, o apoio de familiares e amigos prĂłximos tem sido fundamental para trazer algum alento. AlĂ©m disso, os pais e a irmĂŁ tambĂ©m buscam conforto na espiritualidade. “Queremos crer que ele estĂĄ num plano muito melhor que esse aqui”, revela.

A tĂĄtica tem sido usada, inclusive, para superar qualquer possĂ­vel trauma. Isso porque a irmĂŁ de JoĂŁo, a quem a famĂ­lia prefere proteger a identidade, viu todo o episĂłdio que culminou na morte do garoto, chegando a encostar nele na tentativa de tirĂĄ-lo da tomada.

“Eu disse duas coisas para ela: ‘Deus te preservou para mim. Porque vocĂȘ tentar salvar seu irmĂŁo foi lindo, maravilhoso, mas vocĂȘ expĂŽs sua vida”, conta Frederico sobre a conversa que teve com a filha. “E a outra coisa Ă© que agora ele estĂĄ com duas pessoas lĂĄ em cima. EstĂŁo se matando de rir e a gente se matando de chorar aqui”, imagina o pai, se referindo aos avĂłs das crianças.

Ainda segundo o patriarca, a esposa e mãe das crianças, Kelen, prefere crer que João estå num ambiente ainda melhor.

“Às vezes, foi um livramento do que estamos vivendo aqui”, conta. O casal tambĂ©m avalia tomar outras providĂȘncias, atĂ© como forma de superar o acontecido, “sabendo que a gente tem que fazer algo em prol para isso nĂŁo acontecer de novo com ninguĂ©m, para ninguĂ©m passar por uma dor dessa”, exclama Frederico.

Medida judicial

À espera da conclusĂŁo da perĂ­cia, os familiares aguardam para, entĂŁo, entrar com ação civil pĂșblica. Frederico revela que jĂĄ foi procurado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do DF, que demonstrou sensibilidade com o caso e se colocou Ă  disposição dos pais para tomar as medidas legais e jurĂ­dicas cabĂ­veis.

Os pais de JoĂŁo entendem que houve omissĂŁo e negligĂȘncia por parte dos ĂłrgĂŁos fiscalizadores.

“AlguĂ©m foi omisso. Que seja o Inmetro, que seja a Receita Federal atravĂ©s dessa ‘lixaiada’ que estĂĄ chegando no paĂ­s. Porque, na nossa vida, eles mexem muito. Agora, num contĂȘiner desse nĂŁo mexem?”, esbraveja o fazendeiro, referindo-se ao modo como produtos chegam ao Brasil.

Para ele, os equipamentos do tipo que chegam Ă s lojas deveriam ser periciados e certificados pelas entidades responsĂĄveis. E que lutarĂĄ pela responsabilização das autoridades competentes. “Vou tomar providĂȘncias. Vai ser uma bandeira para mim”.

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