Rio Branco, Acre,


Psiquiatra diz que grupo contra vacina quis interromper estudo sobre reações da anti-HPV

Pesquisadores apontam que o que houve no Acre foi um surto coletivo de estresse por medo da vacina

O mestre em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP, Jose Gallucci-Neto, escreveu em seu perfil no Twitter que o movimento antivacina e pró-ozonioterapia tentou diretamente interromper o estudo com jovens do Acre que que apresentaram supostas reações adversas causadas pela vacina contra HPV.

O trabalho concluiu que não há associação biológica entre a imunização e os problemas clínicos apresentados pelos adolescentes e que os sintomas relatados foram, na verdade, um surto de estresse decorrente do medo da vacina e de seus efeitos, à época amplamente divulgados nas redes sociais e imprensa local.

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“O movimento anti-vacina e pró ozonioterapia (sim, eles queriam tratar os eventos com ozônio) tentou diretamente interromper o estudo e indiretamente por influência política tentou e ainda tenta desqualificar nosso trabalho. Fato é que nunca apresentaram nada prático sobre as teorias que pregam”, diz o médico psiquiatra.

“O movimento anti-vacina induziu um grupo de mães desses pacientes a solicitarem no MPF a proibição da vacinação contra o HPV no no Acre mas não conseguiram graças ao promotor local Dr. Glaucio Shiroma que se pautou pela ciência para negar o pedido absurdo”, continua o pesquisador.

Cerca de 80 jovens imunizados contra HPV relataram, a partir de 2015, dores de cabeça, dores nas pernas, inclusive com dificuldades para andar, além de desmaios e, em casos mais graves, convulsões.

Segundo o estudo, o que aconteceu foi uma resposta relacionada ao estresse de imunização, uma tradução para a expressão “immunization stress-related responses”, ou ISRR. O problema também foi uma espécie de crise psicogênica em massa, uma ansiedade contagiosa provocada, sobretudo, pela ampla exploração dessas supostas reações.

O estudo publicado internacionalmente no jornal Vaccine nesta semana selecionou doze adolescentes que viajaram em duplas e foram submetidos a 300 horas consecutivas de monitoramento. Fizeram ainda os seguintes exames: vídeo-eletroencefalografia, ressonância magnética cerebral, líquido cefalorraquidiano, laboratoriais subsidiários e avaliações neurológicas e psiquiátricas.

O trabalho envolveu psiquiatras, neurologistas, neurofisiologistas, neuropsicólogos e clínicos.

Dos pacientes selecionados, dez tiveram diagnóstico positivo para doença nervosa associada a intenso estresse. Outros dois, que são irmãos, receberam diagnóstico de epilepsia generalizada idiopática com base genética.

“Os eventos de ISRR foram relatados com diversas vacinas (cólera, sarampo, tétano, hepatite B, H1N1) desde 1992, são um problema médico sério e envolvem etiopatogenia complexa com fatores sociais e psicológicos envolvidos. Porém claramente não tem nenhuma relação com o imunobiológico da vacina”, conclui o médico.

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