Com o fim do auxĂlio do governo federal a governadores e prefeitos para o enfrentamento da covid-19, em dezembro, o comando da CĂąmara quer acelerar a votação de projeto para ajustar as contas de Estados e municĂpios a partir de 2021.
Os governadores pediram ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que o texto seja votado atĂ© o dia 30 deste mĂȘs, para dar tempo de aprovação no Senado ainda em novembro.
Com isso, sai de cena o chamado Plano Mansueto, como era chamado o programa que nĂŁo chegou a ser votado, e entra o Plano Pedro-Benevides – referĂȘncia ao autor do projeto, deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), e ao relator, deputado Mauro Benevides (PDT-CE). Mansueto Almeida foi o secretĂĄrio do Tesouro Nacional que preparou a proposta original; ele jĂĄ deixou o governo.
Designado recentemente relator, Benevides promete apertar as regras. Ele intensificou as conversas com os secretĂĄrios de Fazenda dos Estados; uma reuniĂŁo tĂ©cnica para fechar os detalhes estĂĄ marcada para hoje. “Eu vou dar um arrocho. NĂŁo Ă© o Plano Mansueto. Ă outro plano, muito mais acochado”, disse Benevides.
Segundo ele, a ideia Ă© apresentar o parecer na prĂłxima semana.
Benevides antecipou ao EstadĂŁo que vai fixar uma multa de 10% sobre o valor da dĂvida que deixar de ser paga pelo Estado para governadores que nĂŁo cumprirem as contrapartidas de ajustes. “Todo ano vai ter uma avaliação. NĂŁo cumpriu, paga uma multa no primeiro ano. No segundo ano, nĂŁo cumpriu, Ă© excluĂdo”, afirmou.
O parecer tambĂ©m vai prever corte de 10% dos incentivos fiscais por ano durante trĂȘs anos, totalizando 30%, alĂ©m de aprovação de reforma da PrevidĂȘncia para os Estados que nĂŁo fizeram a mudança atĂ© agora. Outra medida Ă© a exigĂȘncia de que os governadores paguem as despesas contratadas no mesmo ano ou deixem em caixa os recursos para serem pagos no ano seguinte. Hoje, essa exigĂȘncia do artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) tem de ser cumprida sĂł no Ășltimo ano de governo. A proposta de Benevides Ă© para que a obrigação seja observada anualmente.
O projeto 101 foi apresentado por Pedro Paulo em abril depois que a discussĂŁo da proposta Plano Mansueto acabou, na prĂĄtica, sendo arquivada na esteira da aprovação do auxĂlio emergencial para os Estados e MunicĂpios – que garantiu um alĂvio de R$ 125 bilhĂ”es.
Teto de Gastos
O plano busca trazer soluçÔes para os Estados mais endividados (Rio, Minas e Rio Grande do Sul), os que nĂŁo conseguem crĂ©dito com aval da UniĂŁo e os que nĂŁo conseguiram cumprir o teto de gastos, que impede que as despesas cresçam em ritmo superior Ă inflação. Dos 20 Estados que adotaram a regra como contrapartida Ă renegociação da dĂvida em 2016, 11 nĂŁo cumpriram a regra em 2019, segundo dados do Tesouro divulgados em agosto.
Os Estados querem que os investimentos nĂŁo sejam incluĂdos no limite do teto de gastos. Benevides destacou que a regra jĂĄ nĂŁo incluĂa os investimentos. Mas, no seu parecer, os investimentos serĂŁo incluĂdos no limite do teto para os Estados mais endividados que aderirem ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que reĂșnem os casos mais graves. “SerĂŁo dois tipos de tetos”, explicou.
O assunto foi discutido ontem em reuniĂŁo do Consefaz, colegiado que reĂșne os secretĂĄrios de Fazenda. O secretĂĄrio de Pernambuco, DĂ©cio Padilha, disse que a redação do teto tem de ser aprimorada. “Aqueles Estados que conseguirem fazer o trabalho otimizando a sua receita, cortando o custeio para investir mais serĂŁo penalizados, porque o teto acaba incluindo investimento” ponderou ele.
As informaçÔes são do jornal O Estado de S. Paulo.

