Um dia depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, pedir “um futuro diferente” para a Amazônia, o governo editou um decreto, nesta quinta-feira (15), que aumenta os incentivos na Zona Franca de Manaus.
O decreto do presidente Jair Bolsonaro, segundo a Secretaria-Geral da Presidência da República, determina que bens de informática industrializados na Zona Franca de Manaus terão isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e redução do Imposto de Importação.
Já investimento em inovação tecnolĂłgica, alĂ©m da pesquisa e desenvolvimento, “serĂŁo contrapartida para recebimento dos benefĂcios com a finalidade de propiciar o desenvolvimento tecnolĂłgico e cientĂfico com ganhos econĂ´micos para sociedade.
O texto ainda inclui a possibilidade de investimentos para para a chamada indĂşstria 4.0, “o que irá contribuir para diminuir a distância tecnolĂłgica do Brasil para outros paĂses”.
De acordo com o governo, o benefĂcio fiscal somente abrangerá bens de tecnologia da informação e comunicação relacionados pelos ministros da Economia e da CiĂŞncia, Tecnologia e Inovações.
“AlĂ©m disso, os beneficiados deverĂŁo investir, anualmente, no mĂnimo 5% do seu faturamento bruto em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação a serem realizados na AmazĂ´nia Ocidental ou no Estado do Amapá, conforme plano de pesquisa, desenvolvimento e inovação a ser apresentado Ă Suframa”, diz o governo.
Em seminário nesta quarta-feira, Guedes disse querer “um futuro diferente para a Amazônia”, que não seja baseado em incentivos à indústria de carbono.
Para o ministro, a região não pode continuar dependendo da Zona Franca de Manaus, sob o risco da capital amazonense “se transformar numa São Paulo”.
— Vamos desenhar um futuro diferente para a AmazĂ´nia, invĂ©s de transformar numa SĂŁo Paulo. Quer dizer, um centro industrial com cinturĂŁo de misĂ©ria e pobreza em volta, que Ă© o que vai acontece com o tempo, se nĂłs deixarmos isso ser baseado em subsĂdios industriais de uma economia velha — disse Guedes.
O governo não informou o custo do decreto. A Zona Franca de Manaus representa uma renúncia fiscal anual de cerca de R$ 29 bilhões. [Foto de capa: Divulgação/Suframa]

