O senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ) morreu na noite desta quarta-feira (21) vĂtima de falĂȘncia mĂșltipla dos ĂłrgĂŁos em consequĂȘncia da covid-19. Ele estava internado desde o dia 4 deste mĂȘs. Com 83 anos, o polĂtico teve uma sĂ©rie de complicaçÔes no seu quadro de saĂșde em decorrĂȘncia da ação do novo coronavĂrus. A famĂlia do senador confirmou sua morte por meio de postagem no Twitter do parlamentar e agradeceu as oraçÔes recebidas ao longo da internação.
“Comunicamos que nesta noite (dia 21 de outubro) o Senhor Jesus recolheu para si nosso amado irmĂŁo, Senador Arolde de Oliveira. Falecido vĂtima de covid e como consequĂȘncia a falĂȘncia dos ĂłrgĂŁos A famĂlia agradece o carinho e oraçÔes. Mais informaçÔes Ă posteriori”.
Arolde foi secretĂĄrio municipal de Transportes do Rio e foi eleito pela primeira vez deputado federal em 1984. Permaneceu na CĂąmara por nove mandatos seguidos. Em 2018, se elegeu senador com o apoio do pastor Silas Malafaia e da famĂlia Bolsonaro. O senador ficou em segundo lugar, com 2.382.265 votos, o equivalente a 17,06% dos votos vĂĄlidos, derrotando nomes tradicionais da polĂtica do Rio, como Cesar Maia (DEM), Lindbergh Farias (PT) e Chico Alencar (PSOL).
EvangĂ©lico, o parlamentar foi fundador do Grupo MK que reĂșne, entre outras empresas do segmento gospel, a rĂĄdio 93 FM, no Rio, que mantĂ©m programação religiosa.
PolĂtico com plataforma conservadora, chegou a negar os riscos da covid-19, alinhando seu discurso com o do presidente Jair Bolsonaro. Em uma postagem no Twitter em 11 de agosto, ironizou o perigo que representa o novo coronavĂrus.
“Efeito covidĂŁo? Total de Ăłbitos de abril a julho em 2019, 437.433, e em 2020, 491.336, aumento de 53.903. Como se os inimigos do Brasil comemoraram 100.000 mortes sĂł pelo vĂrus chinĂȘs? Acho que muita gente vai responder por crime de corrupção e atĂ© de homicĂdio. Aguardemos…”, postou.
Em abril, o senador questionou na mesma rede social a eficĂĄcia do isolamento social.
“Os nĂșmeros do vĂrus chinĂȘs no mundo e no Brasil demonstram a inutilidade do isolamento social. Autoridades, alarmistas por conveniĂȘncia, destruĂram o setor produtivo e criaram milhĂ”es de desempregos. O Presidente @jairbolsonaro, isolado pelo STF, estava certo desde o inĂcio.”
Na campanha ao Senado, Arolde de Oliveira destacou trĂȘs pontos para conquistar o voto conservador, em especial os evangĂ©licos. O primeiro deles foi a defesa da famĂlia em que ele ressaltava ser contra a legalização do aborto, das drogas e dos jogos de azar. TambĂ©m afirmou ser contra a ideologia de gĂȘnero e sexualização das crianças e a favor da escola sem partido.
ApĂłs ser eleito, em entrevista ao GLOBO, Arolde, que era casado com Yvelise de Oliveira, afirmou que era o momento de os conservadores reverterem a ârevolução culturalâ imposta pelo PT no paĂs. Com essa intenção, ele assumiu a presidĂȘncia da Frente Parlamentar mista em Defesa da Cultura e do Desenvolvimento Social. Para o parlamentar, obras que tratam de ideologia de gĂȘneros deveriam ser controladas para o pĂșblico infanto-juvenil.
Senado e Prefeitura do Rio decretam luto oficial
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decretou luto oficial em homenagem Ă memĂłria do senador.
“Infelizmente, mais um brasileiro perdeu a vida por consequĂȘncia desse vĂrus que jĂĄ ceifou mais de 150 mil pessoas do nosso PaĂs (…) Um dia triste para esta Casa. Um dia triste para os seus eleitores, admiradores, amigos e, especialmente, os seus familiares. Que Deus o receba em sua infinita misericĂłrdia e console sua famĂlia neste momento de dor”, disse Alcolumbre, em nota.
Pelas redes sociais, o PSD divulgou nota sobre a morte de Arolde. A postagem foi aberta com um Salmo: âPreciosa e Ă vista do Senhor a morte dos seus santosâ.
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, tambĂ©m decretou luto de trĂȘs dias na cidade pelo falecimento do parlamentar.
“Hoje, 21/10, nos lares do Rio de Janeiro, hĂĄ uma lĂĄgrima em cada olhar e em cada coração, um sentimento de saudade e tristeza. Perdemos o nosso senador Arolde Oliveira, que honrou e dignificou os votos que recebeu em sua brilhante e imaculada carreira polĂtica. Foi tambĂ©m deputado constituinte e secretĂĄrio de transportes de nossa cidade, sempre com uma trajetĂłria digna e honesta. Eu e minha famĂlia estamos orando para que Deus conforte seus familiares, amigos e admiradores. AmanhĂŁ, 22/10, serĂĄ decretado luto oficial de trĂȘs dias no municĂpio do Rio de Janeiro, em memĂłria a este grande lĂder que partiu.”
Primeiro suplente de Arolde de Oliveira, Carlos Portinho assumirå a vaga no Senado. Também filiado ao PSD, Portinho foi secretårio de Habitação na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e é muito próximo do deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) e do ex-deputado Indio da Costa (PSD).
Hoje, Portinho faz campanha nas redes sociais pela candidatura de Luiz Lima (PSL-RJ) Ă prefeitura do Rio. Aliados de Paes atribuem a Portinho o vazamento de um vĂdeo no qual o prefeito usa palavras de baixo calĂŁo ao entregar uma casa popular a uma beneficiĂĄria. O conteĂșdo foi utilizado por adversĂĄrios na campanha ao governo estadual em 2018 e tem sido usado na campanha Ă prefeitura este ano. [Foto de capa: Guito Moreto/AgĂȘncia O Globo]

