O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, suspendeu a decisĂŁo do tambĂ©m ministro Marco AurĂ©lio Mello que mandava soltar o traficante AndrĂ© Oliveira Macedo, conhecido como AndrĂ© do Rap. A decisĂŁo de Fux foi tomada a pedido da Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR). Marco AurĂ©lio havia entendido que a prisĂŁo preventiva do traficante por mais de um ano desrespeita o previsto na lei. Fux, porĂ©m, destacou a necessidade de proteger a ordem e a segurança pĂșblica.
Macedo Ă© um dos chefes de uma facção criminosa paulista que tem presença dentro e fora dos presĂdios em todo o Brasil. Ele cumpria prisĂŁo preventiva em uma penitenciĂĄria em Presidente Venceslau, interior de SĂŁo Paulo, mas jĂĄ tinha condenação em primeira instĂąncia a 14 anos de prisĂŁo. A pena foi reduzida na segunda instĂąncia a 10 anos de prisĂŁo. Antes da decisĂŁo de Marco AurĂ©lio, a defesa tinha tentado, sem ĂȘxito, libertĂĄ-lo recorrendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em sua decisĂŁo, Fux disse que uma decisĂŁo liminar, como a de Marco AurĂ©lio, pode ser suspensa se demonstrado que ela pode causar grave lesĂŁo Ă ordem e Ă segurança. Segundo ele, a soltura do traficante se enquadra no caso. Fux destacou que se trata de alguĂ©m de altĂssima periculosidade, com dupla condenação na segunda instĂąncia por trĂĄfico internacional de drogas, envolvimento com organização criminosa, e que ficou foragido por mais de cinco anos.
A decisĂŁo de Fux foi rĂĄpida. O pedido da PGR foi feito Ă s 19h46 deste sĂĄbado (10), segundo informaçÔes do andamento processual disponĂvel na pĂĄgina do STF na internet. A decisĂŁo de Fux estava pronta menos de uma hora depois.
Na decisĂŁo agora revogada, Marco AurĂ©lio estabeleceu que o traficante deveria informar seu endereço Ă Justiça e atender os chamados judiciais, e escreveu: “O paciente [Macedo] estĂĄ preso, sem culpa formada, desde 15 de dezembro de 2019, tendo sido a custĂłdia mantida, em 25 de junho de 2020, no julgamento da apelação. Uma vez nĂŁo constatado ato posterior sobre a indispensabilidade da medida, formalizado nos Ășltimos 90 dias, tem-se desrespeitada a previsĂŁo legal, surgindo o excesso de prazo.”
No recurso aceito por Toffoli, a PGR argumentou: “Sabe-se que o crime organizado, nem mesmo com a prisĂŁo de seus lĂderes, Ă© facilmente desmantelado. O que dizer com o retorno Ă liberdade de chefe de organização criminosa? Desbaratar uma organização criminosa Ă© um imperativo da ordem pĂșblica.”
Não é comum no STF que um ministro revogue medida determinada por um colega, embora isso jå tenha ocorrido no passado, envolvendo inclusive o próprio Fux. Foi ele quem suspendeu, por exemplo, uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski que autorizava pouco antes da eleição de 2018 o ex-presidente Luiz Inåcio Lula da Silva, na época preso em razão da Lava-Jato, a dar entrevista.
AndrĂ© do Rap foi preso em 15 de setembro do ano passado em condomĂnio de luxo, em Angra dos Reis. Ele Ă© acusado de trĂĄfico de drogas, associação para o trĂĄfico, financiamento de narcotrĂĄfico. Macedo seria o administrador de um esquema de exportação de drogas para a Europa.
Na ocasiĂŁo, a operação Oversea apreendeu quatro toneladas de cocaĂna e chegou aos investigados por meio de interceptação telefĂŽnica, vĂdeos, depoimentos e vigilĂąncia policial. A operação buscava desarticular a atuação de um grupo criminoso voltado ao trĂĄfico internacional de entorpecentes, com atuação no Porto de Santos, o maior do paĂs. [Foto de capa: ImagemBR]

