Ministro Fux manda prender traficante que havia sido solto por Marco Aurélio

Por O GLOBO 10/10/2020

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, suspendeu a decisĂŁo do tambĂ©m ministro Marco AurĂ©lio Mello que mandava soltar o traficante AndrĂ© Oliveira Macedo, conhecido como AndrĂ© do Rap. A decisĂŁo de Fux foi tomada a pedido da Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR). Marco AurĂ©lio havia entendido que a prisĂŁo preventiva do traficante por mais de um ano desrespeita o previsto na lei. Fux, porĂ©m, destacou a necessidade de proteger a ordem e a segurança pĂșblica.

Macedo Ă© um dos chefes de uma facção criminosa paulista que tem presença dentro e fora dos presĂ­dios em todo o Brasil. Ele cumpria prisĂŁo preventiva em uma penitenciĂĄria em Presidente Venceslau, interior de SĂŁo Paulo, mas jĂĄ tinha condenação em primeira instĂąncia a 14 anos de prisĂŁo. A pena foi reduzida na segunda instĂąncia a 10 anos de prisĂŁo. Antes da decisĂŁo de Marco AurĂ©lio, a defesa tinha tentado, sem ĂȘxito, libertĂĄ-lo recorrendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em sua decisão, Fux disse que uma decisão liminar, como a de Marco Aurélio, pode ser suspensa se demonstrado que ela pode causar grave lesão à ordem e à segurança. Segundo ele, a soltura do traficante se enquadra no caso. Fux destacou que se trata de alguém de altíssima periculosidade, com dupla condenação na segunda instùncia por tråfico internacional de drogas, envolvimento com organização criminosa, e que ficou foragido por mais de cinco anos.

A decisão de Fux foi råpida. O pedido da PGR foi feito às 19h46 deste såbado (10), segundo informaçÔes do andamento processual disponível na pågina do STF na internet. A decisão de Fux estava pronta menos de uma hora depois.

Na decisĂŁo agora revogada, Marco AurĂ©lio estabeleceu que o traficante deveria informar seu endereço Ă  Justiça e atender os chamados judiciais, e escreveu: “O paciente [Macedo] estĂĄ preso, sem culpa formada, desde 15 de dezembro de 2019, tendo sido a custĂłdia mantida, em 25 de junho de 2020, no julgamento da apelação. Uma vez nĂŁo constatado ato posterior sobre a indispensabilidade da medida, formalizado nos Ășltimos 90 dias, tem-se desrespeitada a previsĂŁo legal, surgindo o excesso de prazo.”

No recurso aceito por Toffoli, a PGR argumentou: “Sabe-se que o crime organizado, nem mesmo com a prisĂŁo de seus lĂ­deres, Ă© facilmente desmantelado. O que dizer com o retorno Ă  liberdade de chefe de organização criminosa? Desbaratar uma organização criminosa Ă© um imperativo da ordem pĂșblica.”

Não é comum no STF que um ministro revogue medida determinada por um colega, embora isso jå tenha ocorrido no passado, envolvendo inclusive o próprio Fux. Foi ele quem suspendeu, por exemplo, uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski que autorizava pouco antes da eleição de 2018 o ex-presidente Luiz Inåcio Lula da Silva, na época preso em razão da Lava-Jato, a dar entrevista.

André do Rap foi preso em 15 de setembro do ano passado em condomínio de luxo, em Angra dos Reis. Ele é acusado de tråfico de drogas, associação para o tråfico, financiamento de narcotråfico. Macedo seria o administrador de um esquema de exportação de drogas para a Europa.

Na ocasião, a operação Oversea apreendeu quatro toneladas de cocaína e chegou aos investigados por meio de interceptação telefÎnica, vídeos, depoimentos e vigilùncia policial. A operação buscava desarticular a atuação de um grupo criminoso voltado ao tråfico internacional de entorpecentes, com atuação no Porto de Santos, o maior do país. [Foto de capa: ImagemBR]

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