A Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) afirmou ao ministro LuĂs Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que nĂŁo Ă© possĂvel afirmar, por ora, que os R$ 33,1 mil encontrados na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), ex-vice-lĂder do presidente Jair Bolsonaro, seriam provenientes dos crimes em que Ă© investigado.
Em manifestação, o vice-procurador-geral Humberto Jacques de Medeiros defende a necessidade de mais diligĂȘncias para estabelecer a “ligação dos lastros probatĂłrios encontrados na residĂȘncia do investigado com os demais indĂcios relacionados Ă apuração”.
Medeiros, destacou, porĂ©m a “gravidade da ocorrĂȘncia relatada, que evidencia, sem brechas para eventuais dĂșvidas, a origem ilĂcita dos valores apreendidos”, os quais o senador “arduamente tentou ocultar” mesmo diante de “risco pessoal e a sua integridade corpĂłrea”.
Chico Rodrigues Ă© investigado por supostamente integrar organização criminosa voltada para o desvio de recursos pĂșblicos destinados ao combate Ă pandemia do novo coronavĂrus em Roraima. Durante buscas em sua residĂȘncia, a PolĂcia Federal encontrou R$ 33,1 mil em sua cueca – tambĂ©m foram localizados, em um cofre, cerca de R$ 10 mil e US$ 6 mil.
Nesta quinta, 14, ministro Barroso decidiu por afastĂĄ-lo do Senado – a decisĂŁo deverĂĄ ser votada pela Casa.
Em manifestação, a PGR apontou que “a despeito a convicção quanto a ilicitude dos recursos” ocultados por Rodrigues na cueca, “nĂŁo Ă© possĂvel precisar, neste momento das investigaçÔes, qual crime teria antecipado o recebimento dos valores ocultados e, inclusive, se o delito teria relação com as funçÔes do cargo”.
“Isto Ă©, embora o Senador Chico Rodrigues seja investigado nos autos do inquĂ©rito nÂș. 4.852 por possĂvel prĂĄtica de crimes licitatĂłrios, praticados no contexto de organização criminosa voltada Ă perpetração de desvio de verbas pĂșblicas, no caso, destinadas ao combate da pandemia da covid19, nĂŁo foram trazidos na representação elementos que efetivamente liguem os montantes de dinheiro encontrados com os fatos tĂpicos em relato”, apontou a PGR.
“Dessa forma, nĂŁo Ă© possĂvel, por ora, afirmar que os valores momentaneamente ocultados pelo Senador efetivamente seriam provenientes dos crimes em suspeita, ou que guardariam relação com as atividades de Senador da RepĂșblica, a despeito da sua sustentabilidade como linha investigatĂłria”, continuou a Procuradoria.
Humberto Jacques de Medeiro destacou que, “a fim de se possibilitar uma atuação direcionada por ĂłrgĂŁos de persecução penal”, como o oferecimento de uma eventual denĂșncia, “Ă© necessĂĄria a ligação dos lastros probatĂłrios encontrados na residĂȘncia do investigado com os demais indĂcios relacionados Ă apuração”. Na manifestação, o vice-PGR rejeita o pedido da PF para prender Chico Rodrigues (DEM-RR).
“Tal afirmativa nĂŁo deve ser compreendida como obstaculização das investigaçÔes ou atĂ© mesmo eventual beneplĂĄcito concedido ao Senador em razĂŁo do cargo ocupado”, afirmou o vice-PGR. “Pelo contrĂĄrio, o entendimento sobre o qual se pauta a presente manifestação Ă© a necessidade de existĂȘncia de elementos mĂnimos que apontem para a prĂĄtica dos fatos apurados com as investigaçÔes me curso no Ăąmbito do InquĂ©rito nÂș 4.852 ou, se nĂŁo, ao menos com outros crimes relacionados ao exercĂcio da função, tal como aqueles em investigação na Petição nÂș 8843”.
Medeiros tambĂ©m destacou que, como Rodrigues tentou impedir as buscas da PF ao ocultar o dinheiro na cueca, Ă© necessĂĄria a utilização de medidas cautelares contra o senador a fim de esvaziar a intenção do parlamentar em “frustrar a imediata apuração de atos ilĂcitos”.
O vice-PGR pediu a Barroso que autorizasse o monitoramento eletrĂŽnico de Chico Rodrigues, para que ele ficasse restrito ao perĂmetro de sua residĂȘncia. A medida seria “imprescindĂvel, tendo em vista a notĂĄvel influĂȘncia” que o parlamentar exerce. Barroso optou por afastar o senador por 90 dias.
“A gravidade concreta dos delitos investigados tambĂ©m indica a necessidade de garantia da ordem pĂșblica: o Senador estaria se valendo de sua função parlamentar para desviar dinheiro destinado ao enfrentamento da maior pandemia dos Ășltimos 100 anos, num momento de severa escassez de recursos pĂșblicos e em que o paĂs jĂĄ conta com mais de 150 mil mortos em decorrĂȘncia da doença”, afirmou o ministro do STF, em sua decisĂŁo.
Com a palavra, o senador Chico Rodrigues
“Acredito na justiça dos homens e na justiça divina. Por este motivo estou tranquilo com o fato ocorrido hoje em minha residĂȘncia em Boa Vista, capital de Roraima. A Policia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado. No entanto, tive meu lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate ao Covid-19 para a saĂșde do Estado.
Tenho um passado limpo e uma vida decente. Nunca me envolvi em escĂąndalos de nenhum porte. Se houve processos contra minha pessoa no passado, foi provado na justiça que sou inocente. Na vida pĂșblica Ă© assim, e ao logo dos meus 30 anos dentro da polĂtica conheci muita gente mal intencionada a fim de macular minha imagem. Ainda mais em um perĂodo eleitoral conturbado como estĂĄ sendo o pleito em nossa capital.
Digo a quem me conhece que, fiquem tranquilos. Confio na justiça, vou provar que nĂŁo tenho, nem tive nada a ver com qualquer ato ilĂcito. NĂŁo sou executivo, portanto, nĂŁo sou ordenador de despesas, e como legislativo sigo fazendo minha parte trazendo recursos para que Roraima se desenvolva. Que a justiça seja feita e que se houver algum culpado que seja punido nos rigores de lei.”

