O presidente Jair Bolsonaro editou decreto que torna permanente o benefĂcio fiscal de 8% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedido a concentrados de refrigerante produzidos na Zona Franca de Manaus. O benefĂcio consiste numa devolução feita pelo governo Ă s empresas do setor em crĂ©dito pelo pagamento de IPI.
O tamanho dessa devolução jĂĄ estava com a alĂquota de 8% desde junho e seguiria assim atĂ© novembro. Antes disso, a alĂquota estava em 10%. Com o novo decreto, a taxa de 8% se tornarĂĄ definitiva, passando a vigorar daqui quatro meses.
O decreto de Bolsonaro estĂĄ publicado no DiĂĄrio Oficial da UniĂŁo de ontem. A decisĂŁo Ă© uma vitĂłria parcial do setor de concentrados, que inicialmente poderia ter o benefĂcio reduzido para 4%, conforme havia sinalizado o presidente no inĂcio do ano. “A gente vai passar de 10% para 8% agora, atĂ© chegar a 4% daqui uns dois ou trĂȘs anos”, disse o presidente na ocasiĂŁo.
Em maio de 2018, o ex-presidente Michel Temer praticamente retirou o incentivo ao setor, alterando de 20% para 4% o volume da devolução de IPI. A redução foi uma das açÔes adotadas por Temer dentro do pacote caminhoneiro como forma de compensar perdas de arrecadação decorrentes de outras medidas voltadas para a categoria. ApĂłs muitas crĂticas e reivindicaçÔes do setor, Temer editou novo decreto que restabeleceu de 4% para 12% a alĂquota do IPI no primeiro semestre de 2019. No segundo semestre, a alĂquota cairia para 8% e voltaria a ser de 4% em 2020.
Um decreto de Bolsonaro de julho do ano passado, no entanto, reverteu em parte a decisĂŁo de Temer. O ato fixou em 8% o valor do incentivo atĂ© 30 de setembro de 2019 e, depois, de 10% no perĂodo de 31 de outubro atĂ© 31 de dezembro de 2019, mas o texto nĂŁo fixava o incentivo para os anos seguintes.
Descontentamento
A redução do benefĂcio, que lĂĄ atrĂĄs foi de 20%, agrada a empresas brasileiras, que alegam favorecimento a multinacionais da Zona Franca de Manaus, como Coca-Cola e Ambev.
Recentemente, quando Bolsonaro declarou gostar de tubaĂna ao confirmar a indicação do desembargador Kassio Marques para o Supremo Tribunal Federal, o presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros, aproveitou para reforçar a defesa da produção nacional.
“Pagaremos a tubaĂna para o presidente quando ele zerar alĂquota dos concentrados de refrigerantes produzidos na Zona Franca de Manaus”, disse em nota o representante da entidade, que tem mais de 100 indĂșstrias regionais associadas, entre elas as que fazem tubaĂna, um refrigerante nacional feito de guaranĂĄ com tutti-frutti.
As informaçÔes são do jornal O Estado de S. Paulo.

