A Frente Parlamentar da Reforma Administrativa lançou nesta quinta-feira (8) uma série de propostas para incluir no projeto enviado pelo governo ao Congresso em setembro. Os deputados e senadores que fazem parte do grupo defendem a inclusão dos atuais servidores na proposta, jå que o texto do governo trata apenas dos futuros servidores.
Os parlamentares tambĂ©m querem incluir os chamados âmembrosâ de poder, como juĂzes, promotores e procuradores do MinistĂ©rio PĂșblico na proposta. O governo argumenta que nĂŁo tem competĂȘncia legal para mudar regras para esses servidores e que isso caberia ao Congresso.
As propostas da frente foram apresentadas nesta quinta-feira, com a presença do presidente da Cùmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do ministro da Economia, Paulo Guedes.
â A nossa reforma nĂŁo vem para perseguir, atacar, condenar. Pelo contrĂĄrio. O nosso desafio Ă© que todos tenham as mesmas oportunidades em relação Ă qualidade do serviço pĂșblico â disse Maia.
O presidente da CĂąmara voltou a defender a regulamentação dos chamados âgatilhosâ do teto de gastos, para cortar despesas pĂșblicas:
â NĂŁo Ă© na receita que a gente vai resolver a renda mĂnima e o equilĂbrio fiscal. Ă na despesa. O nosso problema Ă© que as nossas despesas crescem mais que a inflação. NĂłs estamos indo para o precipĂcio todos juntos, se nĂŁo tivermos coragem de enfrentarmos esse problema.
Após reatar as relaçÔes com Maia, Guedes disse a agenda dos dois é a mesma:
â Esse Congresso reformista tem nos apoiado. Muita gratidĂŁo ao apoio das reformas ao presidente da CĂąmara. Nossa agenda Ă© convergente, tem sido inclusive comum.
A reforma administrativa muda a forma contratação de servidores, restringe a estabilidade para as chamadas âcarreiras Estadoâ (que ainda serĂŁo definidas), tenta alterar as regras de anĂĄlise de desempenho, alĂ©m de extinguir o que o governo considera âprivilĂ©giosâ do funcionalismo, como progressĂ”es automĂĄticas de carreira.
A frente ainda propĂ”e a vedação de concessĂŁo de licença remunerada para servidores pĂșblicos que se candidatem; impedir a concessĂŁo de novas aposentadorias vitalĂcias com salĂĄrios integrais; defende a necessidade de realização de processo seletivo simplificado ou de prĂ©-qualificados para a maior parte dos cargos de confiança, que nĂŁo exigem concurso.
Também defende a retirada da proposta do governo a possibilidade de o chefe do Poder Executivo extinguir, transformar ou fundir órgãos da administração direta, indireta, autårquica e fundacional sem anålise do Congresso.
Os parlamentares da frente ainda defendem a criação de um órgão central de gestão de pessoas autÎnomo, para a padronização de diretrizes referentes aos salårios, avaliação de desempenho, critérios de progressão e promoção e pråtica de seleção para cargos comissionados.
â NĂłs resolvemos criar a frente parlamentar pela iminente necessidade de discutirmos essa reforma tĂŁo importante para o paĂs. A melhoria do serviço pĂșblico do paĂs depende da modernização da gestĂŁo pĂșblica. NĂłs temos convicção de que o momento de transformĂĄ-lĂĄ finalmente chegou â disse o deputado Tiago Mitraud (Novo-MG), presidente da frente parlamentar.
Veja as principais propostas da frente parlamentar:
- Vedação de concessĂŁo de licença remunerada para servidores pĂșblicos que se candidatem
- Possibilidade de nĂŁo concessĂŁo de abono de permanĂȘncia para servidores com tempo de se aposentar (mediante desempenho).
- Impedimento de concessĂŁo de novas aposentadorias vitalĂcias com salĂĄrios integrais, para servidores pĂșblicos e membros de Poder.
- ContribuiçÔes para o debate do PL 6726/16, que trata do teto remuneratĂłrio estabelecido na Constituição, com a definição clara da incidĂȘncia da lei para garantir sua abrangĂȘncia.
- AlĂ©m disso, melhor caracterização das verbas indenizatĂłrias para diminuir potenciais conflitos quanto Ă sua natureza e exigĂȘncia de comprovação, com atenção especial ao auxĂlio moradia.
- Estabelecer a regulamentação sobre as hipĂłteses de perda de cargo com vĂnculo por prazo indeterminado por Lei Complementar.
- Definir que o desligamento por desempenho do cargo tĂpico de Estado seja regulamentando por Lei Complementar.
- Necessidade de realização de processo seletivo simplificado ou de préqualificados para a maior parte dos cargos em liderança e assessoramento (cargos em comissão).
- Retirada da PEC 32/2020 a necessidade de classificação por desempenho como critĂ©rio para conclusĂŁo do vĂnculo de experiĂȘncia.
- Retirada da PEC 32/2020 a caracterização do proposto vĂnculo de experiĂȘncia como etapa do concurso pĂșblico.
- Estabelecer em lei complementar critĂ©rios para a regulamentação de contratação de temporĂĄrios. InclusĂŁo de previsĂŁo constitucional para que o ingresso de temporĂĄrios no serviço pĂșblico seja por processo seletivo (exceto emergĂȘncia e calamidade).
- Elaboração de projeto para sugestĂŁo ao Executivo de instituição de ĂrgĂŁo Central de GestĂŁo de Pessoas, autĂŽnomo e transparente, para a padronização de diretrizes referentes Ă salĂĄrios, avaliação de desempenho, critĂ©rios de progressĂŁo e promoção e prĂĄtica de seleção para cargos comissionados. Estabelecer novo modelo de governança e de novos mĂ©todos de seleção para os concursos (contribuição para o debate do PL 252/2003). ProposiçÔes para atualização da legislação relacionada Ă improbidade administrativa para garantir segurança jurĂdica e proteção aos bons servidores, sem abrir possibilidades de prĂĄticas de mĂĄ-fĂ© (contribuiçÔes para o debate do PL 10887/2018).
- Manutenção da necessidade de Escolas de Governos na União e nos Estados.
- Retirada da PEC 32/2020 a possibilidade de o chefe do Poder Executivo extinguir, transformar ou fundir órgãos da administração direta, indireta, autårquica e fundacional.

