Sócia de ex-assessor de Marco Aurélio conseguiu soltura de chefe do PCC

Por NOTÍCIAS AO MINUTO 13/10/2020

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A advogada responsĂĄvel pelo pedido de soltura do lĂ­der do PCC AndrĂ© de Oliveira Macedo, 43, conhecido como AndrĂ© do Rap, Ă© sĂłcia do escritĂłrio de um ex-assessor do ministro Marco AurĂ©lio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal).

No såbado (10), André do Rap foi solto após uma decisão de Marco Aurélio. O presidente da corte, Luiz Fux, revogou a liminar no mesmo dia. O traficante é considerado foragido.

Ana LuĂ­sa Gonçalves Rocha assina sozinha o habeas corpus que conseguiu a liberdade para o traficante. Ela Ă© a Ășnica sĂłcia de Eduardo Ubaldo Barbosa, no escritĂłrio Ubaldo Barbosa Advogados, em BrasĂ­lia.

A informação foi divulgada pela revista CrusoĂ©. À reportagem o ministro afirmou nĂŁo haver motivo para suspeição ou impedimento para julgar o caso.

Barbosa trabalhou no gabinete do ministro atĂ© o dia 17 de fevereiro deste ano. Em dezembro, ele recebeu um salĂĄrio bruto de R$ 13,8 mil e, no mĂȘs seguinte, R$ 20,3 mil, por razĂŁo de gratificaçÔes natalinas.

De acordo com o site da Receita Federal, o escritório foi aberto no dia 9 de março deste ano. O endereço fica em uma sala comercial na Asa Norte do Plano Piloto, na capital federal.

Ubaldo e Ana Luísa não responderam aos contatos da reportagem. Marco Aurélio disse que o advogado Eduardo Ubaldo Barbosa nunca foi seu amigo íntimo.

“Eu jamais frequentei a casa dele, e ele, a minha. E o cĂłdigo [de Processo Penal] sĂł impede o juiz de atuar se houver um parentesco atĂ© o terceiro grau, tio ou sobrinho, ou amizade Ă­ntima”, disse o ministro Ă  reportagem.

Marco Aurélio afirmou também que não iria se dar por impedido diante de situaçÔes semelhantes.

“JĂĄ pensou que, com 11 assessores, se eu me der, saindo um assessor do meu gabinete, por impedido, em qualquer processo que ele patrocine, o que vai ocorrer?”, questionou o ministro.

“Eu nĂŁo verifico capa de processo. Eu tenho muito processo para examinar para me deter a exame de capa de processo”, disse.

André do Rap deixou a penitenciåria de Presidente Venceslau (SP) na manhã de såbado.

Para o ministro Marco Aurélio, ele estava preso desde o fim de 2019 sem uma sentença condenatória definitiva, excedendo o limite de tempo previsto na legislação brasileira.

O parĂĄgrafo Ășnico do artigo 316 do CPP (CĂłdigo de Processo Penal), incluĂ­do no pacote anticrime e sancionado em dezembro do ano passado, prevĂȘ a revisĂŁo da preventiva a cada 90 dias. Foi com base nesse artigo que julgou o ministro.

Houve reação à soltura.

No prĂłprio sĂĄbado, apĂłs pedido da PGR (Procuradoria-Geral da RepĂșblica), o presidente do STF, Luiz Fux, revogou a decisĂŁo do colega.

Fux entendeu que não seria o caso de o STF analisar se a renovação da prisão havia sido feita porque o tema não foi analisado pelas instùncias inferiores. Ele ressaltou que a prisão de André do Rap foi decretada em maio de 2014 e só foi cumprida em setembro de 2019.

O presidente do STF afirmou ainda que a soltura do chefe do PCC compromete a ordem pĂșblica. Segundo o ministro, AndrĂ© do Rap trata-se de uma pessoa “de comprovada altĂ­ssima periculosidade”.

“Consideradas essas premissas fĂĄticas e jurĂ­dicas, os efeitos da decisĂŁo liminar proferida no HC 191.836, se mantida, tem o condĂŁo de violar gravemente a ordem pĂșblica, na medida em que o paciente Ă© apontado lĂ­der de organização criminosa de trĂĄfico transnacional de drogas”, escreveu Fux.

Neste domingo (11), Ă  Folha de S.Paulo, Marco AurĂ©lio disse que a decisĂŁo de Fux Ă© “pĂ©ssima” para o Supremo. O ministro afirma que a ação do colega “Ă© um horror”.

“Sob minha Ăłtica ele adentrou o campo da hipocrisia, jogando para turma, dando circo ao pĂșblico, que quer vĂ­sceras. Pelo pĂșblico nĂłs nem julgarĂ­amos, condenarĂ­amos e estabelecerĂ­amos pena de morte”, disse o ministro.

O caso gera mal-estar entre os ministros da corte.

No Congresso, um grupo ligado ao presidente Jair Bolsonaro e defensor da Operação Lava Jato articula a apresentação de projetos de lei para retirar do CPP o dispositivo que o artigo usado na decisão.

A decisĂŁo de soltura foi avaliada como desmedida e despropositada no PalĂĄcio do Planalto.

Para auxiliares presidenciais, o ministro deveria ter ponderado que, neste caso, tratava-se de um preso de alta periculosidade.

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