Trabalharemos ‘da mesma forma’ se houver 2ÂȘ onda de covid no Brasil, diz Guedes

Por O GLOBO 29/10/2020

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira, que se o Brasil enfrentar uma segunda onda de contaminaçÔes pela covid-19, como estĂĄ acontecendo na Europa, o governo vai trabalhar “da mesma forma” que na primeira onda de infecçÔes.

Para enfrentar o coronavĂ­rus, o governo adotou o chamado Orçamento de Guerra, aprovado pelo Congresso, que tirou uma sĂ©rie de regras para os gastos pĂșblicos.

Trabalharemos ‘da mesma forma’ se houver 2ÂȘ onda de covid no Brasil, diz Guedes

Coveiro com roupas de proteção no cemitério municipal Recanto da Paz, durante o enterro de uma vítima da covid-19, na cidade de Breves, a sudoeste da ilha do Marajó, no Parå, em 30 de maio [Foto: Tarso Sarraf/AFP]

Isso permitiu o lançamento de programas como o auxílio emergencial, créditos mais barato e programas de manutenção de empregos. O resultado serå um rombo de quase R$ 900 bilhÔes neste ano e uma dívida próxima a 100% do PIB.

O estado de calamidade pĂșblica que permitiu todos esses gastos encerra em 31 de dezembro. Mas integrantes do Congresso jĂĄ discutem, internamente, a possĂ­vel prorrogação desse perĂ­odo.

— Se vier uma segunda onda, vamos trabalhar da mesma forma, tĂŁo decisiva quanto a primeira. Vamos ter que reagir, vamos corrigir erros ou excessos que tenhamos cometido no primeiro enfrentamento. Mas eu confio na democracia brasileira — disse Guedes, em audiĂȘncia no Congresso Nacional.

Guedes também disse esperar que São Paulo encomende, pague e vacine sua população.

— NĂłs jĂĄ mandamos bastante dinheiro para SĂŁo Paulo. Tomara que SĂŁo Paulo encomende, pague a vacina e vacine sua população. Pede dinheiro para fazer vacina, agora pede dinheiro para eu pagar, para mandar dinheiro para SĂŁo Paulo de novo
 JĂĄ mandamos dinheiro de saĂșde para SĂŁo Paulo, ele jĂĄ tomou as providĂȘncias dele — afirmou.

E afirmou que o governo vai encontrar recursos para fazer uma “economia de guerra”. Mas ele avalia que, no Brasil, a doença está “descendo”.

— NĂŁo tenha dĂșvida, daremos uma resposta igualmente decisiva e encontraremos os recursos. Entraremos numa economia de guerra, mas nĂŁo Ă© o plano A. NĂŁo Ă© o que vemos no momento. O que vemos no momento Ă© a doença descendo, a economia voltando, o auxĂ­lio emergencial aterrissando — considerou.

Para Guedes, por outro lado, sĂł haverĂĄ tranquilidade quando houver vacina.

— Realmente, de fato, a doença está perdendo força. Mas a solução só virá quando tivermos a vacina. Nós só estaremos livres desse pesadelo quando a vacina surgir. Enquanto isso, nós continuamos vulneráveis e ameaçados — disse.

Guedes disse haver um “plano B” para uma eventual segunda onda, mas nĂŁo quis antecipar:

— O nosso plano A Ă© que a doença estĂĄ descendo e a economia estĂĄ voltando. Temos plano B? Temos. Mas nĂŁo se fica falando de plano B quando se precisa reforçar o plano A. NĂłs temos que fazer o trabalho mais forte agora. Vamos para o plano A. Se e quando uma segunda onda chegar, jĂĄ temos um plano B.

O ministro disse ter proposto, inicialmente, o auxĂ­lio emergencial a R$ 200 por “prudĂȘncia”, sob a visĂŁo de que a crise poderia durar anos. Foi o Congresso que elevou o valor para R$ 600.

Guedes ainda voltou a defender que o governo deverĂĄ retomar o Bolsa FamĂ­lia se nĂŁo conseguir criar um programa de renda fiscalmente responsĂĄvel.

Ele repetiu nĂŁo ser favorĂĄvel a irresponsabilidades fiscais para viabilizar um programa mais robusto e disse que seria preciso trocar a base de beneficiĂĄrios de indivĂ­duos para famĂ­lias, a exemplo do Bolsa FamĂ­lia. [Capa: Jorge William/AgĂȘncia O Globo]

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