O novo coronavĂrus continua desfalcando a seleção dos craques do passado do futebol acreano. O atacante LuĂs Rodomilson, o zagueiro Palheta e o goleiro JosĂ© Augusto de Faria foram as trĂȘs primeiras vĂtimas da doença entre aqueles que durante dĂ©cadas fizeram a alegria da galera no lendĂĄrio Stadium JosĂ© de Melo. Nesta sexta-feira (11), o ex-zagueiro Cleiber dos Santos Amaral, de 69 anos, nĂŁo resistiu a gravidade da doença e passou a fazer parte das estatĂsticas do vĂrus malĂ©fico.
O ex-atleta tinha sofrido dia 9 de novembro um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, apĂłs quase um mĂȘs internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Juliana, foi transferido para um dos apartamentos da unidade de saĂșde. PorĂ©m, o ex-zagueiro acabou infectado pelo novo coronavĂrus, nĂŁo resistindo a gravidade da doença e indo a Ăłbito nesta sexta-feira (11).
Carreira
A carreira futebolĂstica do zagueiro amazonense Cleiber Amaral nos gramados acreanos teve inĂcio no final dos anos de 1970, quando, apĂłs um convite tentador, fez as malas e deixou o Nacional, de Manaus-AM, para vestir a camisa do Rio Branco.
Zagueiro extremamente tĂ©cnico, Cleiber fez histĂłria no Rio Branco, conquistando, inclusive, alĂ©m do estadual de 1979, o tĂtulo do CopĂŁo da AmazĂŽnia daquele mesmo ano, apĂłs vitĂłria fora de casa contra o FerroviĂĄrio-RO por 1 a 0. Um ano depois, ele migrou para o arquirrival Juventus, juntamente com o veloz e inteligente atacante Nino, onde ajudaram o Juventus a conquistar o tĂtulo de campeĂŁo acreano de 1980. Cleiber tambĂ©m fez parte da Seleção Acreana-1978 e, jĂĄ bem experiente, com 34 anos, vestiu a camisa do AtlĂ©tico Acreano na temporada de 1985.
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Depoimentos
O jornalista esportivo Francisco DandĂŁo, profissional que conta a vida dos craques do passado nas pĂĄginas do Jornal OpiniĂŁo e tambĂ©m no site âNA MARCA DA CALâ, lamentou a morte do ex-zagueiro, inclusive, comentando que jĂĄ o havia convidado para o mesmo contar a sua trajetĂłria nos gramados acreanos, mas o personagem sempre pedia pra esperar um pouco mais. Na opiniĂŁo de Francisco DandĂŁo, Cleiber foi um dos zagueiros mais clĂĄssicos com passagem pelo futebol acreano. âEle jogava na bola. Desarmava o adversĂĄrio e saĂa jogando limpo. Leal, nĂŁo era de dar botinada. Poderia ter sido jogador de meio-campo, caso tivesse desejadoâ.
O atacante Ely, com a carreira futebolĂstica construĂda somente no Rio Branco FC, isso na dĂ©cada de 1970 e nos primeiros anos de 1980, bastante emocionado, lamentou a perda do ex-companheiro de equipe. âO Cleiber era jogador extremamente clĂĄssico. Fez grande dupla de zaga com o ChicĂŁo, ambos com o manto do Rio Branco. Fora de campo era um ser humano sensacional e deixa um legado de amizade e ensinamento nos gramadosâ, disse Ely.
ApĂłs encerrar a carreira futebolĂstica, Cleiber Amaral nĂŁo abandonou por completo o futebol. Ora era visto treinando a base, ora observado como auxiliar tĂ©cnico. Nesta nova função, ele fez dupla com o ex-ĂĄrbitro e treinador JosĂ© Ribamar Pinheiro de Almeida, tambĂ©m jĂĄ falecido. Os dois fizeram parte da comissĂŁo tĂ©cnica do IndependĂȘncia e do AtlĂ©tico Acreano (1999-2002).
FamĂlia

O técnico estrelado Walter Amaral ficou abalado com a morte do pai, mas preferiu seguir com a delegação para o jogo em Teresina-PI. Foto/Manoel Façanha.
Cleiber era funcionĂĄrio do Poder JudiciĂĄrio do Estado do Acre, casado com dona Rosineide Souza Amaral e tinha dois filhos: Walter Amaral e Rafael Amaral, e ainda uma neta, Isadora Albuquerque Amaral.
O filho Walter Amaral nĂŁo estĂĄ na cidade. O profissional, hoje trabalhando como tĂ©cnico do Rio Branco, estĂĄ em viagem com o clube para a cidade de Teresina, no PiauĂ, onde neste domingo (13), Ă s 16h, no estĂĄdio AlbertĂŁo, o EstrelĂŁo entra em campo para encarar o River-PI, em jogo vĂĄlido pela segunda fase do Campeonato Brasileiro da SĂ©rie D.
