Rio Branco, Acre,


Paciente do Hosmac denuncia supostas práticas de estupro e tráfico dentro do hospital

Ao final, Pascoal disse que o Hosmac não é Hollywood: "Elas lhe afogam com remédios e água para te dopar”

Uma denúncia grave sobre supostas práticas criminosas dentro do Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac) foi publicada pela acreana Andressa Pascoal em seu perfil no facebook, nesta sexta-feira (8).

De acordo com ela, dentro da unidade existem tráfico de drogas, estupros e troca de materiais íntimos entre as pacientes internadas.

Internada duas vezes no local, Andressa conta que existem as “leis das enfermeiras e das internas”.

“Quando cheguei, dei muita sorte… por causa do meu sobrenome Pascoal, pois lá dentro tinha uma interna (vamos chamá-la de “Sol”) que dizia ser prima do Hildebrando Pascoal, então ela começou a me tratar como prima, como família; ela que eu me lembre era mulher de facção, a mais forte e perigosa das internas, mas pelo sobrenome gostou de mim – logo virei sua protegida. E assim eu descobri que existem as leis das enfermeiras – e as leis das internas”, escreveu.

“Lá dentro rola tráfico, e por eu estar ao lado da Sol – estava sabendo o que acontecia lá dentro. Uma das internas estava traficando tabaco e pó na vagina. Eu mesma vi o pó, e a Sol me fez bolar o tabaco”, continuou.

Andressa disse que os hábitos de higiene são preocupantes, já que as calcinhas são compartilhadas por todas da ala feminina.

“Lá tem uns hábitos nada higiênicos, pois todas as calcinhas são compartilhadas. É exatamente isso, você usou uma calcinha na segunda, ela é lavada e na quarta-feira outra interna usa, e não se surpreenda quando eu disser que algumas fazem xixi ou cocô nas calcinhas. Nisso também tive sorte, pois minha família em nenhum momento me deixou desamparada, tanto nos meus produtos de higiene pessoal, como nas medicações e roupas íntimas. A grande ironia é que cada interna tem sua própria escova de dentes”, pontuou.

A acreana disse ainda que foi informada por uma das usuárias que a última havia sido estuprada por um dos internados da ala masculina e que o caso não foi investigado, porque as enfermeiras não teriam considerado o relato da suposta vítima, devido a sua condição psiquiátrica.

“Existe uma diferença gritante no perfil das internAs e dos internOs, as internas na maioria das vezes são apenas mulheres que por algum motivo acabaram “enlouquecendo”, e não apresentam tanto perigo; os homens internados em sua maioria são estupradores e agressivos que não são considerados “sãos” para serem formalmente presos. Entrei uma única vez na ala masculina, pois a psicóloga estava atendendo lá e iria me atender também, lá fede e tem cheiro de perigo. Os homens te olham como se fossem te engolir, em alguns olhos eu via estupro, outros eu via assassinato. O meu. E isso nem é exagero, uma das internas me falou que foi estuprada, só que ela era nitidamente “especial” e nenhuma das enfermeiras acreditou em seu relato, por isso ela veio contar e desabafar comigo”, afirmou.

Ao final, Pascoal disse que o Hosmac não é Hollywood.

“HOSMAC não é Hollywood, quando você surta não existe aquela linda camisa de força que nós vemos nas séries, a vida real ali é bem diferente. As enfermeiras lhe jogam na cama, pegam quatro cordas (uma para cada braço e perna) e lhe amarram na cama, cada pulso em uma quina e cada canela nas outras, você fica amarrada na cama como um enorme X, enquanto elas lhe afogam com remédios e água para te dopar”, finalizou.

Confira o relato na íntegra.

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