Juiz de Curitiba mantém bloqueio de bens de Lula ao mandar processos da Lava Jato para o DF

Juiz de Curitiba mantém bloqueio de bens de Lula ao mandar processos da Lava Jato para o DF

O juiz titular da 13ÂȘ Vara Federal de Curitiba, Luiz Antonio Bonat, decidiu manter o bloqueio de bens de Luiz InĂĄcio Lula da Silva ao determinar o envio ao Distrito Federal da ação que investiga supostas irregularidades na compra do terreno para a construção do instituto do ex-presidente.

Bonat afirma que a Justiça Federal no ParanĂĄ determinou bloqueios de bens de investigados – inclusive Lula – em processos relacionados Ă s quatro açÔes que devem ser enviadas a BrasĂ­lia (triplex, sĂ­tio de Atibaia, doaçÔes ao Instituto Lula e sede do Instituto Lula), e que os bloqueios serĂŁo mantidos pois nĂŁo foram praticados “no bojo” de cada uma dessas açÔes penais.

No dia 8 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin concedeu um habeas corpus Ă  defesa do ex-presidente, declarando incompetĂȘncia da Justiça Federal do ParanĂĄ para julgar quatro processos de Lula.

Com isso, o ministro anulou duas condenaçÔes do ex-presidente, no ùmbito da Operação Lava Jato, que foram julgadas no Paranå.

Apesar de Fachin ter anulado as açÔes penais, Bonat cita que as medidas cautelares tramitam de forma separada e, por isso, resolveu consultar o STF e manter os bloqueios de bens.

Ainda conforme a decisão, o juiz federal afirma que, caso essa não seja a interpretação feita pelo STF, o ministro Edson Fachin deve informar a Justiça Federal de Curitiba para que o desbloqueio dos bens seja feito.

O G1 tenta contato com a defesa do ex-presidente Lula.

Na mesma decisão, o juiz federal determinou o envio de 36 processos relacionados às supostas irregularidades investigadas na compra do terreno para a construção do Instituto Lula.

Em outra determinação, também publicada na terça-feira, Bonat decidiu enviar ao DF a ação que apura ilegalidades em doaçÔes ao instituto do ex-presidente.

DecisĂŁo de Fachin

A decisĂŁo do ministro Edson Fachin atende a um pedido de habeas corpus feito pala defesa do ex-presidente, em novembro de 2020. Com a decisĂŁo, Lula recupera os direitos polĂ­ticos e volta a ser elegĂ­vel.

Segundo o ministro, a 13ÂȘ Vara Federal de Curitiba, cujo titular na ocasiĂŁo das condenaçÔes era o ex-juiz federal Sergio Moro, nĂŁo era o “juiz natural” dos casos.

“Foram declaradas nulas todas as decisĂ”es proferidas pela 13ÂȘ Vara Federal de Curitiba e determinada a remessa dos respectivos autos para Ă  Seção JudiciĂĄria do Distrito Federal”, disse a nota do gabinete do ministro.

A determinação do STF foi anexada aos quatro processos citados no documento, sendo trĂȘs Ă s 16h53 do dia 8 de março, e um Ă s 11h44 do dia seguinte.

O ministro determinou que sejam remetidos do Paranå para Brasília as seguintes açÔes:

Triplex do Guarujå: nesta ação, Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, em julho de 2017. A condenação levou o ex-presidente a ficar preso por 580 dias. No mesmo processo ele foi absolvido das acusaçÔes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento de acervo presidencial;

Sítio de Atibaia: Lula foi condenado, no processo, em fevereiro de 2019, sob acusação de recebimento de propina. Nesta ação, o ex-presidente foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro envolvendo a ocultação e dissimulação de valores utilizados no custeio por um amigo de Lula nas reformas feitas no sítio.

DoaçÔes ao Instituto Lula: o ex-presidente responde a duas açÔes referentes ao caso. Em ambos, nĂŁo hĂĄ sentença da Justiça Federal em 1ÂȘ instĂąncia.

Com a decisão do STF, os processos serão entregues e analisados por um novo juiz, no Distrito Federal. O magistrado terå que analisar e decidir sobre a validade das movimentaçÔes dos processos.

AlĂ©m disso, no habeas corpus, Fachin anulou o recebimento das denĂșncias feitas pelo MinistĂ©rio PĂșblico Federal (MPF) contra o ex-presidente. Sendo assim, o novo juiz tambĂ©m vai analisar se Lula deve ser julgado pelos casos.

Caso o juiz sorteado na Vara Federal de BrasĂ­lia nĂŁo receba as denĂșncias formuladas pelo MPF, o ex-presidente pode ser absolvido sumariamente.

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