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11 maio, 2021 5:56 am

Ex-BBB, professor no AC fala sobre impactos da pandemia na educação indígena

"O indígena é indígena onde ele estiver", explicou o profissional fundador do Instituto Xubuã

POR EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET

Acreano e integrante do povo Huni Kuin, o ex-BBB, professor e doutorando Vanderson Brito conversou com a reportagem do ContilNet nesta segunda-feira (19) sobre a educação indígena no Acre durante a pandemia do coronavírus.

O bate-papo foi motivado pela celebração do Dia do Índio, comemorado em 19 de abril.

Vanderson estuda no doutorado o processo de aprendizagem da criança indígena/Foto: Reprodução

Biólogo de formação, Vanderson faz doutorado nas áreas de Neurociência e Educação, ampliando seus estudos sobre o processo de aprendizagem das crianças indígenas. Ele também é fundador do Instituto Xubuã, que é uma Organização não governamental (ONG).

“O foco central do Instituto é a Valorização dos Saberes Indígenas, o suporte aos indígenas que vivem em contexto urbano. O indígena é indígena onde ele estiver”, explicou o profissional.

Na ocasião, Brito destacou que a educação dos nativos sofreu um forte impacto da pandemia, embora os professores já estejam inseridos nas aldeias.

“Dentro das aldeias, os professores são em sua maioria indígenas e moradores da própria comunidade, então não deveria haver maiores dificuldades em manter as aulas. Em contrapartida, eles não estão recebendo formação, porque os profissionais não podem ir até lá. Isso dificulta o processo”, salientou.

Outro ponto, de acordo com Vanderson, é a dificuldade enfrentada por alunos que frequentam aulas nas cidades.

“Os estudantes indígenas que vivem nas cidades sofrem pela falta de estrutura para acompanhar as aulas online ou mesmo a dificuldade por não terem orientação nas atividades impressas que são disponibilizadas pelas escolas”, continuou.

O biólogo pontuou que o número de indígenas cursando os níveis fundamental, médio, superior e de pós-graduação já é considerável no Acre.

“Nós temos muitos indígenas cursando desde o nível fundamental até pós-graduação nas cidades. Nossa atenção para a educação dos povos indígenas e os impactos da pandemia nesse processo precisa ser constante”, finalizou.