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Rio Branco
18 maio, 2021 1:07 pm

Rio Branco está entre as 100 piores cidades em saneamento, o que faz pandemia avançar, diz estudo

No período de 2005 a 2019, os investimentos em saneamento do estado do Acre alcançaram o valor médio anual de R$ 34 milhões

POR EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET

Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil apontou que Rio Branco figura entre as piores cidades do país no quesito saneamento básico.

O centro de pesquisas trabalha há 11 anos com seu ranking do saneamento, com base nos indicadores das 100 maiores cidades.

No último relatório publicando ainda neste ano de 2021, a capital está na 92ª posição entre as 100.

“Isso evidencia que tanto o estado quanto a capital têm desafios enormes em saneamento básico e estão muito distantes das metas previstas no novo Marco Legal do Saneamento”, diz um trecho da pesquisa.

Os dados ainda apontaram uma relação indireta entre a falta de saneamento básico no Estado e o avanço da pandemia da covid-19.

“Embora não se tenha um estudo definitivo sobre a ligação entre a falta de saneamento básico com o aumento de casos de Covid-19, é muito provável que a escassez de serviços de saneamento do Acre dificulta o combate à doença causada por esse vírus”, continuou.

Cerca de 48% da população têm acesso à água potável e somente 10% dos acreanos têm esgoto coletado, concluiu o instituto.

O estudo contempla uma análise histórica, entre 2005 e 2019, e as projeções de ganhos que o saneamento traria entre 2021 e 2040, prazo das metas do novo Marco Legal do Saneamento, e num futuro até 2055.

O material conta com apoio do Ministério Público Federal do Estado do Acre, Ministério Público do Acre e Ministério Público de Contas.

Como primeiro desafio apontado no estudo, para chegar às metas o Estado do Acre precisa ampliar seus investimentos para um valor médio de R$ 41,1 milhões por ano, resultando num aporte de R$ 1,439 bilhão em 35 anos (2021-2055) em valores correntes, valor também apontado publicamente em estudo feito pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) em 2019. Desse montante, R$ 1,361 bilhão deverá ser desembolsado nos primeiros 20 anos, o que representa um esforço anual de R$ 68,1 milhões por ano em duas décadas. Esse valor é muito superior ao que o estado do Acre conseguiu investir em 2019: R$ 21,3 milhões.

No período de 2005 a 2019, os investimentos em saneamento do estado do Acre alcançaram o valor médio anual de R$ 34 milhões. Vale mencionar que, nesse período, o governo do estado contava com aportes de transferência do governo federal para financiar os investimentos, algo que ficou bastante limitado nos últimos anos em razão da crise fiscal.

Os ganhos com a universalização dos serviços de água e esgotos, seja na geração de empregos devido aos investimentos e na operação dos serviços, mas também com a redução de doenças, melhoria na educação, valorização imobiliária e ganhos ambientais seriam de R$ 3,5 bilhões entre 2021 e 2040 chegando a R$ 5,5 bilhões se considerarmos até 2055. Isso indica que, se o estado do Acre cumprir as metas do novo marco no prazo estabelecido, uma parte expressiva dos frutos da universalização (63%) já seria colhida nas próximas duas décadas.

“O novo marco legal do saneamento trouxe desafios, mas também grandes oportunidades, e o Estado do Acre está entre os que mais ganhariam no país com acesso de todos à água potável e esgotamento. Mas tudo isso pode se perder se Prefeitos e Governadores não se unirem em torno de um projeto regional que atenda a todo o estado”, concluiu o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.

Com informações do Instituto Trata Brasil.