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25 junho, 2021 3:18 am

Dia do Gari: megaoperação retira 700 toneladas de entulhos em Senador Guiomard e “gari cantor”

Conheça a história de um gari que recolhe lixo cantando: “Lixo mesmo é onde eu vivia”

POR TON LINDOSO, DO CONTILNET

Em 1895, quando ninguém mais suportava a sujeira no Rio de Janeiro, um engenheiro foi trazido da França para implementar um sistema de limpeza urbana. Os funcionários usavam uma camisa com o nome desse engenheiro: Aleixo Gary. O sobrenome do francês virou o nome de uma das profissões mais importantes do Brasil e o drama vivido no Rio do século retrasado é repetido por várias épocas, em diferentes regiões brasileiras.

No Acre, o drama mais recente foi o vivido por moradores de Senador Guiomard, município vizinho da capital Rio Branco. Rosana Gomes, a atual prefeita, encontrou ao assumir a gestão uma cidade repleta de entulhos. Montou, juntamente com o secretário que escolheu para chefiar a pasta de Obras, Valna Batista, uma equipe que conduziria uma megaoperação de limpeza da cidade.

O resultado assustou até os mais conservadores: cerca de 700 toneladas de entulhos foram retiradas das ruas da cidade. Lixo domiciliar, de empresas, detritos de obras e tudo que se possa imaginar estava presente nas ruas de Quinari, apelido carinhoso do município. A reportagem do ContilNet resolveu desembarcar na cidade e, em homenagem ao Dia do Gari, comemorado neste domingo (16), contar um pouco da história de um dos componentes da equipe que transformou a cidade.

Cidade foi avo de uma megaoperação. Foto: arquivo

Para nossa surpresa, descobrimos um ‘gari cantor’. Gustavo Barros é conhecido dos moradores por percorrer as ruas da cidade, para fazer o seu trabalho de recolher os detritos, mas não faz isso de qualquer jeito: ele faz cantando. “As pessoas ficam se perguntando: não sei porque esse cara recolhe lixo cantando. Lixo mesmo é de onde eu vim, onde eu vivia. Faço meu serviço com muito amor e carinho”, conta à nossa equipe.

Gustavo encontrou no trabalho de limpeza das ruas e recolhimento de lixos uma nova vida. “É dali que tiro meu sustento. Quando eu saio para a rua, para retirar os lixos das casas das pessoas, eu sinto a importância do trabalho que eu faço e as pessoas me recebem com sorriso no rosto”.

Gustavo percorre as ruas de Quinari cantando. Foto: Reprodução

Ele já executou essa função em anos anteriores, mas afirma que está feliz e grato por ajudar no recolhimento de tantas toneladas de lixo das ruas. “Eu tenho muito a agradecer, ao secretário Valna, a prefeita Rosana. Que Deus possa abençoar”, agradece.

O secretário de Obras da cidade, Valna Batista, foi quem deu os detalhes da operação, e aproveitou a visita da nossa reportagem para deixar uma mensagem de agradecimento aos garis que fizeram parte dessa operação. “Quero agradecer a cada gari. Parabenizar pelo esforço e garra empenhados para que nós possamos crescer e contribuir com o município. Também quero agradecer a todos os profissionais da equipe, essas 700 toneladas recolhidas são fruto de um trabalho árduo e feito à muitas mãos. Cada um é importante”, ressalta.

E coloca muitas mãos nisso: a operação contou com profissionais para limpeza, técnicos e até operadores de máquinas pesadas para dar conta da quantidade de lixo. Um desses operadores, Ismael, também fala com nossa equipe e comemora, com felicidade, a existência de uma data para homenagear o Gari.

Operação foi composta por grande equipe. Foto: cedida

“Eu tenho o maior orgulho de fazer parte dessa operação, dessa secretaria, desta gestão. O Valna é um grande guerreiro e tem dado um apoio grandioso. Quem passa pela cidade não reconhece”, comemora.

Ismael aproveita para fazer um apelo à população. “Sentimos que, algumas vezes que fomos para as ruas recolher lixo, algumas pessoas colocaram lixos na frente das casas logo em seguida. Pedimos que não façam isso. Vamos manter nossa cidade limpa. Sempre que passarmos recolhendo lixo, vai ter um carro volante afirmando quando a equipe entrará no bairro novamente. Pedimos apoio. Só tenho a agradecer. Valeu!”, finaliza.

Veja um trecho do relato de Gustavo:

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