“Eles estĂŁo muito bem de saĂșde”, comemora Ranielly Freitas, 17 anos, referindo-se aos seus irmĂŁos gĂȘmeos Rhenzo e Enzo.
Os bebĂȘs receberam alta hospitalar no dia 28 de maio, apĂłs nascerem prematuros.
Ela, que morava com os avĂłs em Santo AndrĂ©, ParaĂba, mudou-se temporariamente para o Rio de Janeiro para ajudar o padrasto a cuidar dos pequenos, apĂłs a mĂŁe, Maria do Socorro Brito de AraĂșjo, morrer aos 36 anos de covid-19, no dia 21 de maio â sem ao menos pegar seus bebĂȘs no colo.
“Como eu testei positivo para a covid, nĂŁo conseguimos cuidar deles nos primeiros dias. EntĂŁo, eles tiveram que ficar na casa de parentes. No entanto, na semana passada, trouxemos eles para casa. Desde entĂŁo, estou conseguindo dar conta. A maior parte do meu tempo Ă© para eles”, disse a jovem.
Ela disse que, emocionalmente, a famĂlia estĂĄ “tentando criar forças”. “Foi muito difĂcil passar por toda essa situação. Depois que minha mĂŁe morreu, eu tive covid e meus avĂłs maternos tambĂ©m. Foi muito difĂcil”, lamenta.
Maria do Socorro tinha cinco filhos e trabalhava fazendo limpeza em um condomĂnio.
Ela contraiu covid-19, foi internada e, assim como milhares de brasileiros, nĂŁo teve a chance de se despedir da famĂlia.
Sobre a mĂŁe, Ranielly conta que ela era “jovem, bonita, saudĂĄvel e nĂŁo tinha nenhum problema de saĂșde”.
“Era uma pessoa amada e querida por todos. Estava muito ansiosa, muito feliz e sĂł falava dos gĂȘmeos. Ela sempre quis ter filhos gĂȘmeos, e deixou o quartinho todo preparado para as crianças”, conta.
A jovem disse que os sintomas da mãe começaram no dia 3 de maio.
“No dia 5, quando cheguei, ela teve que ir para a maternidade, pois estava com muita dor e febre. Depois disso, nĂŁo consegui mais vĂȘ-la. LĂĄ, testou positivo e jĂĄ ficou internada. Cheguei a conversar com ela por mensagem de texto e ela disse que estava bem e havia feito exames”, lembra.
Douglas Nicodemos da Silva, marido de Socorro, conta que ela adoeceu poucos dias antes da cesĂĄrea, que jĂĄ estava marcada.
“Quando faltavam apenas oito dias, ela começou a sentir febre. Levei ela para a maternidade e começou a agonia. Meus filhos nasceram, veio aquela alegria, logo depois, ela foi para a enfermeira e estava confiante que viria para casa, e eu tambĂ©m. De repente, voltou para a UTI e começou de novo o desespero, sem ter noticias, sĂł uma vez por dia. Isso era muito angustiante. Ela apresentava melhoras e pioras; oramos muito, mas, de repente, foi entubada. O sofrimento amentou, mas nĂłs sempre com esperança”, disse ele Ă CRESCER. “Mesmo esperançosa, ela ficou muito triste porque nĂŁo pode pegar os bebĂȘs no colo. SĂł pode vĂȘ-los de longe”, lembra Ranielly.
O estado de saĂșde de Maria do Socorro piorou no dia 15 de maio, quando precisou ser entubada.
“Nesse momento, ela jĂĄ estava com 50% do pulmĂŁo comprometido. No domingo (16), segundo os mĂ©dicos, ela reagiu bem, chegou a ficar estabilizada, depois apresentou atĂ© uma melhora. Mas no dia 21, teve uma infecção generalizada e, Ă noite, uma paradacardiorrespiratĂłria. Infelizmente, ela nĂŁo resistiu. Douglas perdeu uma esposa, meus irmĂŁos e eu perdemos uma mĂŁe, meus avĂłs perderam a filha… Tudo o que a gente precisava, ela sempre estava ali para ajudar e estava sempre feliz”, lamenta a jovem. “Quando veio a notĂcia para eu comparecer ao hospital, jĂĄ sabia. Foi o dia mais triste que jĂĄ tive atĂ© hoje. NĂŁo gosto nem de ficar lembrando”, disse Douglas.

Socorro tinha 36 anos e, segundo a famĂlia, nĂŁo tinha problemas de saĂșde (Foto: Arquivo pessoal)
“Antes de morrer, minha mĂŁe disse que se algo acontecesse, ela gostaria que eu cuidasse das crianças. E vou fazer isso, junto com o marido dela. Nesse momento, estou na casa dela, no Rio de Janeiro, e pretendo ficar pelo menos atĂ© os gĂȘmeos completarem 1 ano de vida. Vou ser a mĂŁe deles agora. Vou dar todo o amor de que eles precisam. Vou estar aqui para cuidar deles. Infelizmente foi uma perda irreparĂĄvel. Perdi o grande amor da minha vida, nunca vou esquecer ela”, disse a primogĂȘnita.
