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21 julho, 2021 9:48 pm

Indígenas voltam a fechar ponte em Feijó em protesto contra ‘marco temporal’

Projeto de Lei vai entrar em julgamento no STF, em Brasília, ainda esta semana

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Índios de pelo menos quatro etnias voltaram a fechar a BR-364, principal via de acesso ao interior do Estado do Acre, na altura da cabeça da ponte sobre o rio Envira, em Feijó, nesta quarta-feira (30). Eles protestam contra o chamado ‘marco temporal’, que está em votação na Câmara Federal com a tese, defendida por ruralistas e envolvidos com o agronegócio, segundo a qual só podem reivindicar terras indígenas as comunidades que as ocupavam na data da promulgação da Constituição, em 1988.

O protesto no Acre corre simultaneamente com outras manifestações em várias regiões do país no momento em que Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, se prepara para começar a julgar o processo que decide sobre a validade jurídica da tese defendida pelos fazendeiros e apoiada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Os indígenas são contrários à aplicação do marco temporal, pois dizem que muitas comunidades foram expulsas de seus territórios originais antes de 1988.

Indígenas protestam em Feijó

Ninawá Inu Huni kui, presidente Federação do Povo Huni kui do Acre (Fephac) e um dos líderes do fechamento da rodovia e da ponte em Feijó, disse que eles não vão sair do local enquanto não forem ouvidos. “Estamos com aproximadamente 200 lideranças de 20 aldeias de Feijó. Nosso protesto é em apoio a liderança nacional que está se mobilizando, em Brasília, em repúdio a votação do marco temporal, que é um projeto de lei com 19 pontos de demarcação de terras indígenas e anula todo processo de demarcação de terras de 1988 para cá’”, disse.

Os indígenas também protestam o contra o Projeto de Lei que prevê mudanças no reconhecimento da demarcação das terras e do acesso a povos isolados e é alvo de críticas e protestos há mais de dez anos. No dia 22 de junho foram feitos vários atos no país. “Estamos aqui em repúdio ao marco temporal e todos os outros projetos, como o PL 490 que tende a retirar as terras dos povos indígenas e entregar para os grandes empreendimentos. Então, é por isso que estamos fazendo essa manifestação”, concluiu.

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