TCE-MS paga 80 milhÔes a empresa que contratou parentes de conselheiros e políticos

Por LÚCIO BORGES ORTEGA - CORRESPONDENTE MS 09/06/2021 às 15:44 Atualizado: há 5 anos

MATO GROSSO DO SUL – O ContilNet compartilha analise que fez o jornalista Edivaldo Bitencurt do portal ‘O JacarĂ©â€ de Campo Grande, sobre que o TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) pagou R$ 80,7 milhĂ”es a empresa que contratou parentes de conselheiros e de polĂ­ticos, que entraram em investigação na Operação Mineração de Ouro, deflagrada nesta terça-feira (8) pela PolĂ­cia Federal, como noticiamos que Operação no TCE-MS aponta a seis anos de esquema milionĂĄrio com fantasmas e desvios .

Conforme levantamento a empresa Dataeasy Consultoria e InformĂĄtica Ltda, que recebeu R$ 80,743 milhĂ”es do TCE entre 2018 e 2020, agora estĂĄ no centro das investigaçÔes da ‘Mineração de Ouro’. Ela Ă© acusada de contratar parentes de conselheiros e polĂ­ticos e atĂ© de abrigar funcionĂĄrios fantasmas, conforme despacho do ministro Francisco FalcĂŁo, do Superior Tribunal de Justiça.

De acordo com o documento, que O Jacaré teve acesso, a empresa foi contratada pela corte fiscal em 2018. ApĂłs o acordo, o grupo triplicou o nĂșmero de funcionĂĄrios, de 34, em 2017, para 118 no ano seguinte. Entre 2007 e 2017, a mĂ©dia de trabalhadores foi de 26 por ano. A maioria absoluta, 100, eram novos funcionĂĄrios.

Um dos casos é o advogado Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, 30 anos, contratado como administrador de redes e sistemas computacionais com o salårio de R$ 15.194, o maior pago na história da empresa. Ele também foi funcionårio da Seleta Sociedade Caritativa, quando era contratada pelo TCE e pagava salårio de R$ 1.965 ao parente do conselheiro Waldir Neves. Ele também foi funcionårio da Cast Informåtica, de abril de 2015 a abril de 2018 com salårio de R$ 11 mil, quando a empresa prestava serviços ao TCE.

RelaçÔes

Willian é sócio do irmão de Waldir, o ex-vereador e ex-vice-prefeito de Aquidauana, Vanildo Neves Barbosa, na Mineradora Betione, que foi um dos alvos da Operação Mineração de Ouro. O terceiro sócio da empresa é João Nercy Cunha Marques de Souza, assessor do TCE com salårio de R$ 18 mil e da Cùmara dos Deputados na época em que Neves foi deputado federal.

Outro funcionĂĄrio da Dataeasy, Pedro Bedoglim JĂșnior, foi capataz e caseiro de fazenda contratado pela juĂ­za do trabalho Mara Cleusa Ferreira Jeronymo, esposa do conselheiro Osmar Jeronymo. Ele Ă© administrador de redes com salĂĄrio de R$ 6 mil desde março de 2018. JĂșnior foi analista de informĂĄtica da Cast InformĂĄtica, onde recebeu R$ 5 mil por mĂȘs. Hoje, de acordo com a PF, a mĂ©dia do mercado para esta função era de R$ 2,3 mil.

“Portanto, verifica-se que PEDRO BEDOGLIM JÚNIOR possui relação prĂłxima com o conselheiro OSMAR JERONYMO e que tambĂ©m foi admitido em empresas de tecnologia da informação, durante a vigĂȘncia de seus contratos com o TCE-MS, sem possuir nenhuma experiĂȘncia registrada prĂ©via na ĂĄrea de tecnologia da informação e com salĂĄrios significativamente altos para inĂ­cio de carreira no setor”, pontuou o relatĂłrio policial encaminhado ao STJ. Bedoglim ainda foi funcionĂĄrio da CĂąmara Municipal de Campo Grande 2005 a 2012 em cargo com função de nĂ­vel fundamental.

“Dando prosseguimento Ă  anĂĄlise quanto aos funcionĂĄrios das empresas DATAEASY e CAST INFORMÁTICA, foi verificado, a nosso ver, em resumo, a contratação de pessoas com vĂ­nculos com Conselheiros do TCE/MS e com polĂ­ticos locais para funçÔes que demandam conhecimentos tĂ©cnicos na ĂĄrea de informĂĄtica (como por exemplo de manutenção de redes), sendo obtidos fortes indĂ­cios no sentido de que tais pessoas nĂŁo tĂȘm conhecimento tĂ©cnico na ĂĄrea, apontando se tratarem de funcionĂĄrios ‘fantasmas’ para o superfaturamento dos contratos firmados com as citadas empresas (peculato, previsto no Art. 312 do CĂłdigo Penal) e consequente pagamento de propinas (corrupção passiva, prevista no Art. 317 do CĂłdigo Penal)”, frisou FalcĂŁo.

No relatório, o ministro cita a Mara Regina Bertagnolli de Gonçalves, ex-secretåria do ex-governador André Puccinelli (MDB), como uma das funcionårias contratadas pela Dataeasy. Outros nomes citados foram Isabela Pires Giroto, Fernando Jeronymo Serra, Elieth Rosa Possari, Lucas Gandolfo Hashioka, Lidiane Serpa Gonçalves, Danilo Deivid dos Santos e Clåudia Mara Tumelero Gomes.

Em decorrĂȘncia das suspeitas, o ministro Francisco FalcĂŁo determinou o afastamento do sigilo fiscal das empresas, dos conselheiros e dos parentes de polĂ­ticos. “Nesse cenĂĄrio, o acesso aos documentos fiscais e bancĂĄrios dos investigados se torna crucial, como meio de verificar a sua movimentação financeira e evolução patrimonial, fatores indicativos de efetiva participação no esquema criminoso”, concluiu o ministro

Somente a investigação da PF irå confirmar quem trabalhava de fato e quem era funcionårio fantasma do TCE por meio da empresa de informåtica.

Com texto base de “O JacarĂ©â€

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