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24 julho, 2021 12:46 pm

Com Colônia Souza Araújo em risco de fechar, Morhan alerta para novos casos de hanseníase no Acre

Doença causa sequelas e vem ressurgindo com o registro de vários casos agora em 2021, diz dirigente da entidade

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Na semana em que o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde, e a Diocese de Rio Branco vivem um cabo de guerra em torno de um convênio por repasses de recursos de manutenção da Colônia Souza Araújo, o Movimento de Reintegração da Hanseníase (Morhan) denunciou o ressurgimento da doença no Acre. De acordo com Elson Dias, o coordenador do Morhan, só em 2021, foram registrados vários casos da doença, dois deles em dois adolescentes, em Rio Branco.

A Souza Araújo é uma colônia criada ainda na época do Acre território, nos arredores da idade, na BR-364, sentido Rio Branco /Porto Velho, para abrigar homens e mulheres portadores da doença que não têm para onde ir. Com a crise entre o Governo e a Igreja Católica, por meio da Diocese, que administra o local, a colônia pode ser fechada e não receber novos pacientes.

Os adolescentes acometidos pela a doença procuraram atendimento já em estado avançado, atingidas nos pés e mãos, os quais, mesmo com o atendimento, deverão ficar com sequelas, disse Elson Dias.
O ressurgimento da doença no Acre, Estado em que a hanseníase era muito frequente nos anos 70 até meados da década de 90, decorre da falta de acompanhamento do sistema de saúde. “O Acre já liderou o ranking nacional da doença no país e, se não for feito algo urgente, além dos novos casos, poderemos voltar ao patamar de liderar o ranking nacional de casos da doença”, acrescentou Elson Dias. “O Moran, que é um movimento nacional, foi fundado no Acre pelo saudoso Fracnisco Bacurau, exatamente para combater e buscar a extinção da doença em nosso país. Não podemos deixar de novo a doença recrudescer”, acrescentou Dias.

A hanseníase já foi anunciada pelo serviço de saúde como prestes a ser extinta em território nacional. Mesmo com os anúncio, regiões como o Acre, principalmente no Vale do Juruá e em Rio Branco, além do Sul do Amazonas, a doença teima em recrudescer.

Citada na Bíblia como lepra já nos tempos de Jesus Cristo, a doença é causada por infecção com a bactéria “Mycobacterium leprae”, a qual afeta principalmente a pele, os olhos, o nariz e os nervos periféricos. Os sintomas incluem manchas claras ou vermelhas na pele com diminuição da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e nos pés.

A lepra pode ser curada com 6 a 12 meses de terapia com vários medicamentos. O tratamento precoce evita deficiência. A média de casos registrados no país por ano, segundo o Ministério da Saúde, é de 15 mil. A doença é propagada por gotículas no ar.

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