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16 setembro 2021 12:23 am

Filho de Edmundo Pinto quer ensinar defesa pessoal para mulheres do AC: ‘Se meu pai soubesse, estaria vivo’

Instrutor da guarda pessoal da família real dos Emirados Arabes, Rodrigo Pinto quer ensinar mulheres a se defenderem

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Última atualização em 30/07/2021 06:17

Num Estado cuja violência contra as mulheres, inclusive com crimes de feminicídios, estão proporcionalmente entre os mais altos do país, e agora com uma onda de assédio nunca antes registrada, o socorro a elas pode vir, literalmente, do outro lado do mundo. Pelo menos é o que promete o ex-vereador por Rio Branco Rodrigo Pinto de Almeida, que vive em Dubai, nos Emirados Árabes, e promete ministrar um curso de defesa pessoal para mulheres interessadas em escapar da violência física e moral dos assediadores. O curso seria via Internet, gratuito.

Rodrigo treina artes maciais. Foto: cedida

E não seria um curso qualquer: Rodrigo Pinto é, na atualidade, faixa preta 3 graus de Ju-jitsu, faixa preta de judô, instrutor de combate com uso de armas brancas – facas, bastão ou adagas, além de especialista em defesa pessoal com técnicas de estrangulamento e imobilização definitiva. Não por acaso, esta técnica também é chamada de quebra ossos. Aliás, também não por acaso, Rodrigo Pinto é instrutor da guarda pessoal da família real dos Emirados Árabes, treinando o próprio exército do país com tais técnicas.

Pois tudo isso será colocado à disposição da mulheres acreanas direto de Dubai, com links disponibilizados pelo instrutor de forma gratuita.

Filho do governador Edmundo Pinto, assassinado em maio de 1992, num quarto de hotel, em São Paulo, o ex-vereador voltou a afirmar que não desistiu de perseguir os passos políticos do pai, apesar da distância em relação ao Brasil. Ele admite voltar ao país e disputar eleições no Acre, já em 2022. Pretende ser candidato a governador.
Para falar sobre este e outros assuntos envolvendo sua família, sobre política e a proposta de cursos de defesa destinada às mulheres, ContilNet destacou seu colaborador Tião Maia para a entrevista exclusiva a seguir. Veja os principais trechos:

Treino pesado: filho de Edmundo Pinto conversa com reportagem do ContilNet. Foto: cedida

ContilNet – Como seria o curso? Online, diretamente de Dubai?

Rodrigo Pinto – Sim, direto de Dubai. Com a pandemia a tecnologia passou a ser um instrumento comum em nosso dia a dia. Aqui, utilizamos no período do lockdown, no retorno das aulas presenciais e na comunicação entre empresa e funcionários. As aulas se darão através do aplicativo Zoom. Eu abrirei a sala e enviarei o link para as interessadas. É necessário que as aulas sejam sempre em duplas, com as alunas usando roupas apropriadas: calça longa e esse conjunto que mulheres usam para malhar, sendo com uso obrigado de camiseta de algodão. Devemos simular uma rotina normal. A internet aqui com o VPN é a melhor do mundo.

ContilNet – Daria certo sem o contato físico, sem um, por exemplo, um saco de pancada para os treinos?

Rodrigo Pinto – Sim. Daí a necessidade de uma parceira para simular a agressão e aprender como defender.

ContilNet – Isso é praticado aí em Dubai?

Rodrigo Pinto – Muito! E as instrutoras são sempre mulheres, por causa da religião Islâmica que não permite a um homem tocar numa mulher sem que ela seja sua esposa.

ContilNet – Quais são suas especialidades de lutas marciais?

Rodrigo Pinto – Sou Faixa Preta 3 graus de Jiu jitsu, Faixa preta de judô, Instrutor de close combat: uso de armas “brancas”, faca; bastão; cadeira o que tiver disponível. Também tenho defesa pessoal e técnicas de estrangulamento e imobilização definitiva; quebra ossos.

ContilNet – Isso é fácil? É mais fácil para homens do que para mulheres ou difícil para ambos da mesma forma?

Rodrigo Pinto – Olha, nada é fácil, nem para homens nem para mulheres. Mas é preciso ter foco, objetivo, amor por si mesmo. A prática diária leva a auto confiança e aumenta a auto-estima, além de ser um ótimo exercício para manter a saúde em dia.

ContilNet – O Acre é o Estado brasileiro com os maiores índices de violência contra mulher, em números proporcionais. De cada grupo de 100 mil, morrem 7 por ano – o que é muito elevado para média nacional. São assassinadas por maridos, ex-maridos, companheiros, namorados, etc. Além disso, há, ainda, muitas denúncias de espancamentos e agora assédios. É isso o que te inspira para ajudar às mulheres se defenderem?

Rodrigo Pinto – Esse aumento da violência contra elas. Um horror! As mulheres sempre foram tratadas como o pano de fundo ou sexo frágil. O respeito deve partir de ambos os sexos. Mas o homem covarde, que parte para a agressão, não respeita nada e a mulher deve reagir e para isso precisa estar preparada e colocar o agressor no seu devido lugar. A violência contra a mulher, infelizmente, está nas páginas dos jornais do mundo inteiro, não apenas no Brasil. Aqui nos Emirados as mulheres fazem cursos de defesa similares, sendo que a instrutora é mulher, por causa da religião, como já falei. Elas lutam contra o machismo cultural assim, de forma física também. Penso que as mulheres acreanas também podem se defender assim.

Cursos serão totalmente gratuitos. Foto: cedida

ContilNet – Você vai cobrar pelos cursos?

Rodrigo Pinto – De jeito nenhum. Todos os cursos serão gratuitos, desde o básico, ao intermediário e o avançado

ContilNet – Começam quando as aulas?

Rodrigo Pinto – Dias 30, 31 e 1 de agosto, começa a primeira turma. Horário previsto: 19 horas, horário do Acre,. Tempo de duração diária de 50 minutos. As interessadas fiquem atentas: o Zoom estabelece um limite de participante para cada classe. Enviarei um link de acesso pelo Facebook. As interessadas devem baixar o aplicativo Zoom Conferecen em sus smartphones ou laptopes.

ContilNet – A orientação dos especialistas em segurança é que, em casos de violência, as vítimas não devem reagir. Isso não se aplica às mulheres vítimas de agressões de pessoas com as quais elas se relacionam?

Rodrigo Pinto – A minha orientação sempre, no caso, para pessoas civis é a seguinte: se o elemento tiver uma faca ou arma na mão, não reaja, mantenha a calma e aguarde o momento certo para fugir do agressor. Já com conhecimento técnico e prática diária, o corpo tem uma reação automática de sobrevivência. As mulheres que têm técnica têm demonstrado essa importância.

ContilNet – Por que você resolveu ministrar esse curso às mulheres acreanas?

Rodrigo Pinto – Por causa dos altos índices de violência contra a mulher acreana. Penso que passa da hora de alguma coisa a ser feita nesta área e, particularmente, quero contribuir. Se eu puder contribuir com o que aprendi tecnicamente, ficarei feliz com isso

ContilNet – Como se deu esse contato com as artes marciais? Foi a partir do assassinato de seu pai que você passou a treinar?

Rodrigo Pinto – Meu pai nos estimulou a praticar arte marcial quando éramos crianças. Comecei a treinar judô aos oito anos de idade, aí em Rio Branco. Ele sempre nos dizia que nós tínhamos a obrigação de saber nos defender.

ContilNet – Você acha que se ele soubesse artes marciais estaria vivo? Teria escapado do assassino ou dos assassinos que o mataram naquele 17 de maio de 1992, em São Paulo?

Rodrigo Pinto – Sim. Se ele fosse um especialista como eu sou. Treinar arte marcial esporadicamente não te garante segurança.

Para Rodrigo, seu pai estaria vivo se fosse um mestre em defesa pessoal. Foto: cedida

ContilNet – E hoje, como está sua família? Onde vive sua mãe e como estão seus irmãos?

Rodrigo Pinto – Minha mãe (Fátima Almeida) vive no Rio de Janeiro. Já meus irmãos trabalham aqui em Dubai: a caçula Nuana Naira é aeromoça da Emirates Air Lines. Meu irmão Pedro Veras Neto é coach (técnico) do Exército. E eu sou Coach da guarda presidencial do exército, um grupamento de elite que faz a segurança da família real e vai para o combate para resolver as questões de segurança.

ContilNet – Falando de política, sua outra paixão: você colocou seu nome como candidato a governador pelo PSL. Vai mesmo levar esta candidatura até o fim? E a possibilidade de o PSL vir apoiar a reeleição do governador Gladson Cameli?

Rodrigo Pinto – Existe, sim, um compromisso de o PSL em apoiar a reeleição do atual governador. No entanto sabemos que na política tudo muda em segundos. Por isso coloquei meu nome a disposição do Partido.

ContilNet – Você chegou inclusive a anunciar a mudança de seu nome político de Rodrigo para Edmundo Pinto Filho. Isso é mesmo necessário?

Rodrigo Pinto – Acho extremamente importante apresentar na campanha como Edmundo Pinto Filho. Afinal, em todos os locais que fui ou quando era representante político como vereador e até quando a imprensa se refere a mim, dizem: filho do Edmundo Pinto. Além de ser. ao meu ver. uma homenagem a uma pessoa íntegra, é também uma demonstração clara de que esse é o caminho que irei seguir, sem nunca, jamais, manchar o nome do meu pai com a sujeira da corrupção.

Rodrigo deve mudar nome e se tornar Edmundo Pinto Jr./Foto: cedida

ContilNet – Em não podendo ser candidato à governador, você apoiaria a reeleição do governador Gladson Cameli?

Rodrigo Pinto – Preciso ouvir o Governador antes de tomar qualquer decisão. No entanto, antecipo que somos da mesma geração, ambos temos mais de 40 anos. Quando fomos parlamentar, ele em Brasília, como deputado federal, e eu, em Rio Branco, como vereador, sempre tivemos uma boa relação.

ContilNet – O que te levou para tão longe, inclusive do Brasil, se você tem o sonho de levar adiante a carreira política de seu pai?

Rodrigo Pinto – Foi o sonho de fazer o que amo. Depois da política, minha segunda paixão é a arte marcial. E vim para os Eirados Árabes porque este país me abriu a oportunidade de treinar o exército mais forte do Oriente Médio.

ContilNet – Quando você pretende voltar ao Brasil para ser candidato no Acre?

Rodrigo Pinto – Meu contrato se encerra em dezembro. A direção irá me chamar antes para tratarmos da renovação ou encerramento. Quero voltar sim, o mais rápido possível para ajudar o Acre. Se eu tiver chance para mostrar o que eu sou capaz depois dessa inesquecível experiência que vivi aqui, vai ser algo bom para mim e para o Acre

ContilNet – Por fim, me fale como foi pegar Covid-19 depois de estar imunizado com duas vacinas. O que você sentiu e como como está agora.

Rodrigo Pinto – A vacina não garante a imunização; ela evita o efeito mais mortal do vírus. Como sou pró ativo, minha imunidade é melhor.

Mais fotos:

Rodrigo treina artes maciais. Foto: cedida

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