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21 julho, 2021 7:56 am

Médico diz que não vê vantagem em antecipar 2ª dose da vacina AstraZeneca contra Covid-19

"Há estudos mostrando menor eficácia desse esquema encurtado (30 dias) quando comparado ao esquema de intervalo maior (90 dias)", disse

POR EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET

Depois que o Governo do Estado decidiu seguir uma orientação técnica do Ministério da Saúde (MS) para encurtar o prazo entre uma dose e outra da vacina AstraZeneca, que passa a ser de 45 dias, o médico infectologista Thor Dantas resolveu se pronunciar sobre o assunto.

“Muita gente me perguntando sobre a antecipação da segunda dose da vacina de Oxford/AstraZeneca em nosso Estado. A bula autoriza a segunda dose com intervalo entre 30 e 90 dias. Qualquer segunda dose dentro desse intervalo está respaldada”, comentou.

Ainda assim, Thor disse que algumas questões precisam ser consideradas.

“A antecipação da segunda dose traz de vantagem potencial uma maior proteção imediata quando comparado com apenas uma dose. Isso pode ser uma vantagem se você está no meio de um surto, com numero elevado de casos, com novas variantes, quando se deseja elevar rapidamente a proteção”, enfatizou.

“No entanto, há estudos mostrando menor eficácia desse esquema encurtado (30 dias) quando comparado ao esquema de intervalo maior (90 dias). Em resumo: maior eficácia imediata quando comparado com ficar com apenas uma dose, mas a eficácia global das duas doses cai, comparado com esquema de intervalo estendido”, continuou.

O médico explicou que “não há certo e errado” quando se trata do assunto, mas que não vê vantagem em manter o esquema encurtado.

“Não há certo e errado, há decisões estratégicas mais ou menos acertadas, de acordo com o cenário epidemiológico e também de logística. No cenário que estamos agora, de baixa de casos, não vejo vantagem em manter o esquema encurtado. Talvez eu optasse por retornar ao esquema estendido e considerasse novamente encurtar se houvesse um cenário epidemiológico de novo aumento de casos e introdução de novas variantes”, escreveu.

Dantas também propõe que outro ponto seja avaliado de imediato: fazer a segunda dose de Pfizer nas gestantes que tomaram a primeira dose de Oxford/AstraZeneca (AZ).

“AZ foi suspensa em gestantes e a recomendação até agora tem sido de aguardar o pós-parto para completar a vacinação daquelas que já tomaram a primeira dose. Mas já há estudos mostrando que a combinação de uma segunda dose de Pfizer é segura e eficaz nesse contexto”, salientou.

“Melhor do que aguardar o parto seria dar a segunda dose com Pfizer às gravidas ainda durante a gravidez. Novamente considerando questões de logística, disponibilidade e previsibilidade de doses, claro”, finalizou.

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