Após Bolsonaro pedir impeachment de ministro do STF, Gilmar Mendes critica ‘fabricação artificial de crises institucionais’

Após Bolsonaro pedir impeachment de ministro do STF, Gilmar Mendes critica ‘fabricação artificial de crises institucionais’
Gilmar Mendes | Infoglobo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, usou sua conta no Twitter para dizer que “é hora de reordenar as prioridades” e criticou a “fabricação artificial de crises institucionais”, que prejudicam o país. A declaração do ministro, feita na manhã deste domingo, ocorre após o presidente Jair Bolsonaro entregar pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, também ministro do STF.

“A fabricação artificial de crises institucionais infrutíferas afasta o país do enfrentamento dos problemas reais. A crise sanitária da pandemia, a inflação galopante e a paralisação das reformas necessárias devem integrar a agenda política. É hora de reordenar prioridades”, escreveu Gilmar Mendes.

Na última sexta-feira, Bolsonaro enviou ao Senado um pedido de afastamento do ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi protocolado horas depois de uma operação da Polícia Federal (PF), solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada por Moraes, mirar aliados do presidente – o cantor Sérgio Reis e o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ).

Moraes também é o relator do inquérito das fake news, que também gera preocupação no Palácio do Planalto. No início deste mês, o ministro incluiu o presidente como investigado.

O ministro Alexandre de Moraes não é o único na mira de Bolsonaro. O presidente já prometeu representar contra o ministro Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Processo no Senado

O pedido de impeachment de Moraes foi assinado pelo próprio Bolsonaro e será avaliado pelo senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente da Casa. É ele quem decide se abrirá ou não o processo de afastamento. Pacheco já afirmou que não antevê fundamentos jurídicos e políticos para o impeachment de um ministro do STF.

Em nota, o Supremo repudiou a ação do presidente e afirmou que “o Estado Democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões”.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também expressou preocupação com o pedido e destacou, em nota, que os poderes são independentes e harmônicos entre si, e que a atividade do Judiciário está “diretamente vinculada ao fortalecimento da democracia e do Estado de Direito”.

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