A CĂąmara dos Deputados aprovou na quinta-feira, 26, o regime de urgĂȘncia para tramitação do Projeto de Lei 813/2021, que transforma cargos no MinistĂ©rio PĂșblico da UniĂŁo (MPU), sem elevar gastos.
O PL prevĂȘ a transformação de 141 cargos de tĂ©cnico do MPU, de nĂvel mĂ©dio, em oito cargos de procurador de Justiça e 164 cargos comissionados para atuação do MinistĂ©rio PĂșblico do Distrito Federal e TerritĂłrios (MPDFT).
A medida foi proposta pelo procurador-geral da RepĂșblica, Augusto Aras. O texto tem gerado preocupação entre os parlamentares, uma vez que a criação dos cargos comissionados desvaloriza o ingresso por meio do concurso MPU.
Em entrevista Ă AgĂȘncia CĂąmara de NotĂcias, a deputada federal Erika Kokay (PT DF) informou que a proposta tem como lĂłgica transformar estruturas permanentes em cargos comissionados.
âPrecisamos fortalecer as estruturas do MinistĂ©rio PĂșblico, do corpo de trabalhadores de servidores permanentes. Precisamos valorizar quem passou em concursoâ, disse.
Ela ainda questionou: âSe tem recurso para contratar cargos comissionados, por que nĂŁo tem para contratar concursados?â. Erika Ă© relatora da proposta na ComissĂŁo de Trabalho, de Administração e Serviço PĂșblico.
A deputada Celina LeĂŁo (PP DF), que pediu a urgĂȘncia, informou que o relator do PlenĂĄrio poderĂĄ transformar os cargos comissionados de livre provimento em cargos para servidores efetivos. âVamos contemplar a preocupação de nossos servidores e sindicatos, que respeitamosâ, prometeu.
Celina observou que o MinistĂ©rio PĂșblico do Distrito Federal tem pelo menos 15 anos de impedimento para novos concursos pĂșblicos. O que hoje inviabiliza o procedimento jurisdicional no Distrito Federal.
âTivemos uma ampliação do serviço de outras varas do JudiciĂĄrio, e o MinistĂ©rio PĂșblico nĂŁo tem mĂŁo de obra para acompanhar o atendimento jurisdicionalâ, justificou.
Ă Folha Dirigida, o diretor do Sindicato dos servidores do MinistĂ©rio PĂșblico da UniĂŁo (SindMPU), Adriel Gael, se colocou contrĂĄrio a proposta.
âEsse PL nĂŁo beneficia a sociedade em absolutamente nada. O projeto Ă© um absurdo porque transforma cargo de nĂvel mĂ©dio, em cargos de nĂvel superior. Esse projeto Ă© uma mini Reforma Administrativa dentro do MinistĂ©rio PĂșblico da UniĂŁo. Ele prejudica concursos vindouros, prejudica o atual concurso, vĂĄlido atĂ© setembro de 2022, que nomeou poucos aprovados atĂ© o momentoâ.
O Sindicato, junto a parlamentares da oposição, tenta marcar uma audiĂȘncia pĂșblica para que a categoria, os servidores e os aprovados no concurso MPU possam falar e debater o PL junto aos deputados.
Ăltimo concurso MPU tem menos de 3% de convocados
De acordo com o Sindicato dos servidores do MinistĂ©rio PĂșblico da UniĂŁo (SindMPU) menos de 3% dos aprovados no Ășltimo concurso MPU, realizado em 2018, foram convocados. Por outro lado, o ĂłrgĂŁo dispĂ”e de mais de 2 mil cargos vagos.
O concurso teve a homologação divulgada no dia 14 de dezembro de 2018, com a validade inicial de dois anos. PorĂ©m, o prazo foi suspenso no dia 29 de junho de 2020, em decorrĂȘncia da pandemia do CoronavĂrus.
Caso seja prorrogado, o órgão terå mais dois anos para a chamada desses novos profissionais. No total, foram 264.924 inscritos no concurso MPU. O destaque foi para o cargo de técnico de administração, que teve como requisito apenas o ensino médio completo.
Houve vagas ainda para analista em Direito, que exigiu o nĂvel superior na ĂĄrea. A oferta imediata foi de 47 vagas imediatas, mas o ĂłrgĂŁo formou um cadastro de reserva com cerca de 7 mil aprovados em todo paĂs. Os salĂĄrios variaram de R$7.772,80 a R$12.169,89.
Todos os inscritos no concurso MPU foram submetidos a meio de provas objetivas. A aplicação ocorreu nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Somente os concorrentes a analista em Direito foram submetidos a exames discursivos.
Novo concurso para o MPU estĂĄ no radar do ĂłrgĂŁo
Em janeiro do ano passado, a Procuradoria Geral da RepĂșblica chegou a informar que os trĂąmites para o prĂłximo concurso MPU tinham sido iniciados. A estimativa era que o edital fosse publicado em 2020.
A meta era repor as aposentadorias que aumentaram, principalmente apĂłs a Reforma da PrevidĂȘncia. Os prĂłximos passos seriam o levantamento de cargos e vagas necessĂĄrias para preenchimento e a formação da comissĂŁo organizadora.
Contudo, os preparativos foram adiados porque os esforços foram centrados na pandemia. Mesmo assim, o órgão informou à Folha Dirigida que o novo concurso MPU e a recomposição dos quadros continuam no radar.
Um novo concurso MPU com 50 vagas para tĂ©cnico de segurança constava no projeto de Orçamento do ĂłrgĂŁo para 2021. A reserva seria de R$15 milhĂ”es para ingresso na carreira de nĂvel mĂ©dio.
O relator do processo, JosĂ© Adonis, porĂ©m, pediu a exclusĂŁo desse item. O texto, aprovado pelo Conselho Superior do MinistĂ©rio PĂșblico Federal (CSMPF), em 31 de julho, seguiu o voto do relator e retirou a previsĂŁo para o concurso MPU do Orçamento.
O valor foi transferido para pagamento de gratificação de ofĂcio de procuradores da RepĂșblica. O diretor executivo do Sindicato Nacional dos Servidores do ĂłrgĂŁo (SindMPU), Adriel Gael, disse que a entidade busca alternativas para que o orçamento do concurso retorne para essa finalidade.
TambĂ©m foi protocolado no Conselho Nacional do MinistĂ©rio PĂșblico (CNMP), um pedido de regulamentação da PolĂcia do MPU. A meta Ă© reconhecer a natureza policial dos tĂ©cnicos de segurança do ĂłrgĂŁo e mudar a nomenclatura para PolĂcia do MP.
Estude para novos concursos com a Folha Cursos
Diversos ĂłrgĂŁos pelo paĂs preparam novos concursos pĂșblicos. Por isso, quem deseja uma vaga deve manter a preparação em dia.
VocĂȘ sabia que a Folha Dirigida tambĂ©m tem cursos preparatĂłrios? A Folha Cursos traz videoaulas exclusivas, material escrito e questĂ”es comentadas para te ajudar no caminho atĂ© a posse.
