CPI retoma sessÔes nesta terça e ouve reverendo que negociou vacinas em nome do governo

Por G1 03/08/2021 Ă s 09:07

Após pausa de duas semanas em função do recesso parlamentar, a CPI da Covid no Senado retoma os trabalhos nesta terça-feira (3) com foco mantido nas investigaçÔes sobre as negociaçÔes de vacinas contra o coronavírus.

Nesta manhĂŁ, os senadores vĂŁo ouvir o reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador de uma entidade privada chamada Secretaria Nacional de Assuntos HumanitĂĄrios (Senah).

O reverendo é uma peça-chave para mostrar como o governo brasileiro negociou a aquisição de imunizantes por meio de intermediårios. No caso de Amilton Gomes, ele negociava a venda de 400 milhÔes de doses da AstraZeneca.

A oferta se dava em meio a uma escassez mundial de vacinas e mesmo apĂłs a prĂłpria farmacĂȘutica ter informado que a venda do imunizante se daria apenas por meio de contratos diretos, sem intermediĂĄrios.

A Senah é uma organização evangélica fundada em 1999, com sede em Águas Claras (DF), região próxima a Brasília. Após a fundação, a entidade desenvolveu projetos de ação sociocultural no Distrito Federal e em cidades do entorno.

Com esse histórico – e de maneira ainda inexplicada –, a Senah ganhou autonomia do governo para negociar a aquisição de vacinas.

Conforme mostrou o Jornal Nacional, o entĂŁo diretor de Imunização do MinistĂ©rio da SaĂșde Lauricio Monteiro Cruz deu aval para que o reverendo e a Senah negociassem a vacina AstraZeneca em nome do governo brasileiro com a empresa americana Davati Medical Supply.

O reverendo teve reuniĂ”es no MinistĂ©rio da SaĂșde com Lauricio e com o entĂŁo secretĂĄrio executivo Elcio Franco – que concentrava, no ministĂ©rio, as decisĂ”es sobre a compra das vacinas.

E-mails de março deste ano indicam que o reverendo propĂŽs a compra do imunizante a US$ 17,50 por dose, valor trĂȘs vezes mais caro que os US$ 5,25 pagos pelo ministĂ©rio em janeiro a um laboratĂłrio da Índia.

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