O desfile de 150 carros blindados, aeronaves, lançadores de mĂsseis e foguetes nesta segunda-feira (09), na esplanada dos MinistĂ©rios, em BrasĂlia, por ordem do presidente Jair Bolsonaro como representação de poder no dia em que a CĂąmara se reĂșne para discutir aprovação ou nĂŁo do voto impresso para as prĂłximas eleiçÔes, foi taxado como um ato de covardia. Criticado por deputados federais e senadores, da bancada federal do Acre, atĂ© o momento, Jair Bolsonaro sĂł recebeu reprimenda de sua atitude da deputada PerpĂ©tua Almeida, do PC do B.
Em sua conta no Twitter, a deputada escreveu: âHĂĄ homens fracos e frouxos que usam da força para mostrar poder. Bolsonaro Ă© dessesâ. Segundo a deputada, em baixa nas pesquisas, traz (o presidente) veĂculos de artilharia de combate, usado em treinamentos militares para a Esplanada. âMais uma vez usa s instituiçÔes militares para impulsionar seu projeto anarquista de poderâ, denunciou a deputada acreana.
LĂderes polĂticos se mostraram surpresos com o uso dos blindados e nĂŁo veem sentido prĂĄtico na ação. Para eles, a tentativa de demonstração de força de Bolsonaro faz lembrar o Ășltimo ato pĂșblico intimidatĂłrio da ditadura militar, tĂŁo cara ao presidente. Foi em 23 de abril de 1984, dois dias antes da votação da Emenda Dante de Oliveira que, se aprovada, reestabeleceria as eleiçÔes diretas para presidente. O Comandante-Militar do Planalto, general Newton Cruz, desfilou pela Esplanada dos MinistĂ©rios montado num cavalo branco. Chefiava um ameaçador comboio de seis mil militares e 116 tanques e carros de combate.
A emenda das Diretas-JĂĄ nĂŁo passou. Mas nos anos seguintes a ditadura militar foi sendo enterrada.
