PF abre inquérito para apurar vazamento de depoimentos sigilosos enviados à CPI da Covid

Por AGÊNCIA O GLOBO 04/08/2021 às 21:10

A Polícia Federal determinou a abertura de inquérito para apurar o vazamento de depoimentos sigilosos enviados pela PF à CPI da Covid. Esses depoimentos faziam parte de duas investigaçÔes em andamento na Polícia Federal, uma sobre suspeita de prevaricação do presidente Jair Bolsonaro e outra sobre a compra da vacina Covaxin. Na CPI, jå houve reação à medida e serå apresentado um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para trancar o inquérito.

Ainda não estå definido em qual unidade da PF irå tramitar esse novo inquérito sobre os vazamentos, tampouco quais devem ser os alvos das apuraçÔes.

As duas investigaçÔes foram enviadas pela PF Ă  CPI, apĂłs requerimento da comissĂŁo. Em nota, a PF afirmou que enviou a Ă­ntegra dos dois inquĂ©ritos e os depoimentos de oito pessoas gravados em vĂ­deo e sem qualquer edição. “Em obediĂȘncia Ă s disposiçÔes processuais penais e com o objetivo de resguardar o andamento das investigaçÔes, a PolĂ­cia Federal solicitou Ă  comissĂŁo parlamentar o necessĂĄrio sigilo das oitivas”.

A nota diz ainda que “a PF determinou abertura de investigação para apurar o vazamento dos inquĂ©ritos e depoimentos”.

O GLOBO revelou ontem trechos do depoimento do deputado federal LuĂ­s Miranda (DEM-DF) Ă  PF, no qual ele relatou uma conversa com o entĂŁo ministro da SaĂșde Eduardo Pazuello. Nesse diĂĄlogo, segundo Miranda, Pazuello teria relatado uma pressĂŁo do presidente da CĂąmara Arthur Lira (PP-AL) para a liberação de emendas a municĂ­pios aliados.

Posteriormente, outros veículos de imprensa também divulgaram vídeos dos outros depoimentos tomados pela PF nos inquéritos.

Alguns senadores da CPI reagiram à abertura da investigação pela PF. O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), anunciou que vai comunicar a advocacia do Senado para apresentar um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o inquérito. Também vai instar a advocacia a fazer uma representação contra o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o diretor-geral da PF, Paulo Maiurino.

— Temos que dar uma basta nisso — disse Fabiano Contarato (Rede-ES).

— A PolĂ­cia Federal nĂŁo abriu inquĂ©rito no caso Precisa. SĂł abriu quatro meses depois por causa da CPI. A PolĂ­cia Federal manda para cĂĄ depoimentos incompletos, com suspeita de edição, conforme denunciado aqui pelo senador RogĂ©rio Carvalho. O ministro da Justiça, eu acho que deve ser chamar Anderson Torres. NĂŁo consta que ele se chama Franz GĂŒrtner [ministro da Justiça nazista]. EntĂŁo o ministro da Justiça, no alvorecer dessa CPI, dĂĄ uma entrevista intimidando, dizendo qual investigação deveria ocorrer aqui. Isso equipara-se a transformar a honrosa PolĂ­cia Federal em polĂ­cia polĂ­tica. Eles tenham claro — acrescentou Randolfe, que ainda fez uma referĂȘncia Ă s polĂ­cias polĂ­ticas da Alemanha nazista, da Alemanha Oriental e da UniĂŁo SoviĂ©tica: — NĂŁo permitiremos que Jair Bolsonaro transforme a PolĂ­cia Federal em Gestapo, Stasi ou KGB.

— Eu gostaria de lamentar o comportamento da PolĂ­cia Federal. Eu fui ministro da Justiça. Chefiava a PolĂ­cia Federal. Conheço a competĂȘncia da PolĂ­cia Federal. E sei que todos que tentaram utilizar ou aparelhar a PolĂ­cia Federal de algum forma deram com os burros n’ĂĄgua. NĂŁo vĂŁo conseguir. Podem adestrar algumas pessoas — disse o relator na CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), completando: — Vamos atĂ© o fim e ninguĂ©m vai nos intimidar.

— A PF quer intimidar parlamentares, testemunhas e pessoas que queiram colaborar com a CPI. É uma tentativa de utilização polĂ­tica de um ĂłrgĂŁo que deve ser, efetivamente, um ĂłrgĂŁo de Estado. O presidente do Congresso Nacional, o presidente do Senado Federal tem que dar uma resposta polĂ­tica Ă  altura. Se de um lado nĂłs vamos tomar medidas judiciais cabĂ­veis, politicamente temos que responder duramente ao ministro da Justiça, ao presidente da RepĂșblica e ao diretor-geral da PolĂ­cia Federal. Isso Ă© coisa que sĂł acontecia na Ă©poca da Ditadura — disse Humberto Costa (PT-PE).

É uma tentativa de utilização polĂ­tica de um ĂłrgĂŁo que deve ser, efetivamente, um ĂłrgĂŁo de Estado. (…) O presidente do Congresso Nacional, o presidente do Senado Federal tem que dar uma resposta polĂ­tica Ă  altura. Se de um lado nĂłs vamos tomar medidas judiciais cabĂ­veis, politicamente temos que responder duramente ao ministro da Justiça, ao presidente da RepĂșblica e ao diretor-geral da PolĂ­cia Federal. Isso Ă© coisa que sĂł acontecia na Ă©poca da Ditadura.

Mais cedo, RogĂ©rio Carvalho (PT-SE) reclamou que alguns documentos vindos de ĂłrgĂŁos do Executivo estĂŁo incompletos e citou uma reportagem do portal “MetrĂłpoles” que dizia que um vĂ­deo do depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello enviado pela PF Ă  CPI tinha ediçÔes. A PF, em nota divulgada nesta quarta-feira, disse que encaminhou a Ă­ntegra dos oito vĂ­deos com a gravação de depoimentos.

— É gravĂ­ssimo e, como disse, pode sinalizar a utilização de instituiçÔes de Estado brasileiro para o aparamento de grupos cujos interesses nĂŁo se coadunam com os objetivos da nação — disse o senador, acrescentando: — Solicito imediatas providĂȘncias desta comissĂŁo e do Senado Federal visando ao esclarecimento destes fatos. Solicito especialmente a requisição da integralidade das informaçÔes de interesse desta comissĂŁo, acompanhada das devidas justificativas para o envio.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que presidia a sessĂŁo, respondeu:

— O requerimento e os encaminhamentos serão feitos de forma imediata à Polícia Federal.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a PF disse que encaminhou a documentação completa.

— Eu gostaria de lamentar o comportamento da PolĂ­cia Federal. Eu fui ministro da Justiça. Chefiava a PolĂ­cia Federal. Conheço a competĂȘncia da PolĂ­cia Federal. E sei que todos que tentaram utilizar ou aparelhar a PolĂ­cia Federal de algum forma deram com os burros n’ĂĄgua. NĂŁo vĂŁo conseguir. Podem adestrar algumas pessoas — disse o relator na CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), completando: — Vamos atĂ© o fim e ninguĂ©m vai nos intimidar.

— A PF quer intimidar parlamentares, testemunhas e pessoas que queiram colaborar com a CPI. É uma tentativa de utilização polĂ­tica de um ĂłrgĂŁo que deve ser, efetivamente, um ĂłrgĂŁo de Estado. O presidente do Congresso Nacional, o presidente do Senado Federal tem que dar uma resposta polĂ­tica Ă  altura. Se de um lado nĂłs vamos tomar medidas judiciais cabĂ­veis, politicamente temos que responder duramente ao ministro da Justiça, ao presidente da RepĂșblica e ao diretor-geral da PolĂ­cia Federal. Isso Ă© coisa que sĂł acontecia na Ă©poca da Ditadura — disse Humberto Costa (PT-PE).

É uma tentativa de utilização polĂ­tica de um ĂłrgĂŁo que deve ser, efetivamente, um ĂłrgĂŁo de Estado. (…) O presidente do Congresso Nacional, o presidente do Senado Federal tem que dar uma resposta polĂ­tica Ă  altura. Se de um lado nĂłs vamos tomar medidas judiciais cabĂ­veis, politicamente temos que responder duramente ao ministro da Justiça, ao presidente da RepĂșblica e ao diretor-geral da PolĂ­cia Federal. Isso Ă© coisa que sĂł acontecia na Ă©poca da Ditadura

Mais cedo, RogĂ©rio Carvalho (PT-SE) reclamou que alguns documentos vindos de ĂłrgĂŁos do Executivo estĂŁo incompletos e citou uma reportagem do portal “MetrĂłpoles” que dizia que um vĂ­deo do depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello enviado pela PF Ă  CPI tinha ediçÔes. A PF, em nota divulgada nesta quarta-feira, disse que encaminhou a Ă­ntegra dos oito vĂ­deos com a gravação de depoimentos.

— É gravĂ­ssimo e, como disse, pode sinalizar a utilização de instituiçÔes de Estado brasileiro para o aparamento de grupos cujos interesses nĂŁo se coadunam com os objetivos da nação — disse o senador, acrescentando: — Solicito imediatas providĂȘncias desta comissĂŁo e do Senado Federal visando ao esclarecimento destes fatos. Solicito especialmente a requisição da integralidade das informaçÔes de interesse desta comissĂŁo, acompanhada das devidas justificativas para o envio.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que presidia a sessĂŁo, respondeu:

— O requerimento e os encaminhamentos serão feitos de forma imediata à Polícia Federal.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a PF disse que encaminhou a documentação completa.

A nota diz ainda que “a PF determinou abertura de investigação para apurar o vazamento dos inquĂ©ritos e depoimentos”.

O GLOBO revelou ontem trechos do depoimento do deputado federal LuĂ­s Miranda (DEM-DF) Ă  PF, no qual ele relatou uma conversa com o entĂŁo ministro da SaĂșde Eduardo Pazuello. Nesse diĂĄlogo, segundo Miranda, Pazuello teria relatado uma pressĂŁo do presidente da CĂąmara Arthur Lira (PP-AL) para a liberação de emendas a municĂ­pios aliados.

Posteriormente, outros veículos de imprensa também divulgaram vídeos dos outros depoimentos tomados pela PF nos inquéritos.

Alguns senadores da CPI reagiram à abertura da investigação pela PF. O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), anunciou que vai comunicar a advocacia do Senado para apresentar um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o inquérito. Também vai instar a advocacia a fazer uma representação contra o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o diretor-geral da PF, Paulo Maiurino.

— Temos que dar uma basta nisso — disse Fabiano Contarato (Rede-ES).

— A PolĂ­cia Federal nĂŁo abriu inquĂ©rito no caso Precisa. SĂł abriu quatro meses depois por causa da CPI. A PolĂ­cia Federal manda para cĂĄ depoimentos incompletos, com suspeita de edição, conforme denunciado aqui pelo senador RogĂ©rio Carvalho. O ministro da Justiça, eu acho que deve ser chamar Anderson Torres. NĂŁo consta que ele se chama Franz GĂŒrtner [ministro da Justiça nazista]. EntĂŁo o ministro da Justiça, no alvorecer dessa CPI, dĂĄ uma entrevista intimidando, dizendo qual investigação deveria ocorrer aqui. Isso equipara-se a transformar a honrosa PolĂ­cia Federal em polĂ­cia polĂ­tica. Eles tenham claro — acrescentou Randolfe, que ainda fez uma referĂȘncia Ă s polĂ­cias polĂ­ticas da Alemanha nazista, da Alemanha Oriental e da UniĂŁo SoviĂ©tica: — NĂŁo permitiremos que Jair Bolsonaro transforme a PolĂ­cia Federal em Gestapo, Stasi ou KGB.

A nota diz ainda que “a PF determinou abertura de investigação para apurar o vazamento dos inquĂ©ritos e depoimentos”.

O GLOBO revelou ontem trechos do depoimento do deputado federal LuĂ­s Miranda (DEM-DF) Ă  PF, no qual ele relatou uma conversa com o entĂŁo ministro da SaĂșde Eduardo Pazuello. Nesse diĂĄlogo, segundo Miranda, Pazuello teria relatado uma pressĂŁo do presidente da CĂąmara Arthur Lira (PP-AL) para a liberação de emendas a municĂ­pios aliados.

Posteriormente, outros veículos de imprensa também divulgaram vídeos dos outros depoimentos tomados pela PF nos inquéritos.

Alguns senadores da CPI reagiram à abertura da investigação pela PF. O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), anunciou que vai comunicar a advocacia do Senado para apresentar um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o inquérito. Também vai instar a advocacia a fazer uma representação contra o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o diretor-geral da PF, Paulo Maiurino.

— Temos que dar uma basta nisso — disse Fabiano Contarato (Rede-ES).

— A PolĂ­cia Federal nĂŁo abriu inquĂ©rito no caso Precisa. SĂł abriu quatro meses depois por causa da CPI. A PolĂ­cia Federal manda para cĂĄ depoimentos incompletos, com suspeita de edição, conforme denunciado aqui pelo senador RogĂ©rio Carvalho. O ministro da Justiça, eu acho que deve ser chamar Anderson Torres. NĂŁo consta que ele se chama Franz GĂŒrtner [ministro da Justiça nazista]. EntĂŁo o ministro da Justiça, no alvorecer dessa CPI, dĂĄ uma entrevista intimidando, dizendo qual investigação deveria ocorrer aqui. Isso equipara-se a transformar a honrosa PolĂ­cia Federal em polĂ­cia polĂ­tica. Eles tenham claro — acrescentou Randolfe, que ainda fez uma referĂȘncia Ă s polĂ­cias polĂ­ticas da Alemanha nazista, da Alemanha Oriental e da UniĂŁo SoviĂ©tica: — NĂŁo permitiremos que Jair Bolsonaro transforme a PolĂ­cia Federal em Gestapo, Stasi ou KGB.

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