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7 setembro 2021 10:08 am

Dia da Independência também é dia de protestos dentro e fora do Acre: saiba tudo sobre a data

Declaração da Independência foi o último protesto dos brasileiros contra os abusos da corte portuguesa

POR JOÃO MAURICIO (CONTILNET, COM AGÊNCIA CAULE)

O próximo dia 7 de Setembro, mais importante feriado cívico dos brasileiros, será marcado por protestos contra e a favor do presidente Bolsonaro. O que pouca gente sabe é que esta data sempre foi utilizada para a realização de protestos até por quê a própria declaração da Independência, em 7 de setembro de 1822, foi um protesto contra o descaso do reino português para com a sua mais importante colônia ultramarina. Em Rio Branco, ao tradicional desfile cívico, suspenso por conta da pandemia, sempre aparecia um bloco de protesto organizado pelos movimentos sociais por moradia, por reforma agrária ou trazendo reivindicações de servidores estaduais ou municipais.

Aliás, muita gente nem sabe o que significa o 7 de setembro. Em resumo, neste dia o Brasil livrou-se do enorme peso que era o reino português e criou a sua própria monarquia, transformando-se no único império sul-americano, já que todos os vizinhos se livraram de seus monarcas e instalaram repúblicas. Mas, até virar um Império, o Brasil passou por duas fases distintas. Entre o seu descobrimento em 1500 e até 1808, por mais de três séculos, o Brasil era apenas uma grande colônia de onde os exploradores retiravam toda a riqueza e enviavam para a sede do reino em Lisboa. Naquele ano, fugindo de Napoleão, que se aproximava com seu exército, o príncipe regente Dom João VI, marido da rainha Maria, decidiu transferir a sede do reino para o Rio de Janeiro. Foi neste período que o Brasil começou a ganhar ares de civilização.

Potência emergente

Dom João trouxe sua biblioteca, acabou com o monopólio português sobre o porto do Rio de Janeiro, estimulou a criação de museus, teatros, universidades e, apaixonado por plantas, criou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e outras benfeitorias que foram dando ao nosso pais uma identidade nacional. Dom João também tinha o espírito da monarquia bem arraigado e lutou para expandir o território brasileiro, ameaçou invadir a Guiana e estender nossas divisas pra além do Uruguai, então chamada de região Cisplatina.

Não demorou para que o Brasil passasse a ser identificado como uma potência emergente e dar origem a movimentos separatistas. Tanto que em 16 de dezembro de 1815, o Brasil deixou de ser colônia portuguesa e se transforma em reino, passando a integrar o Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Enquanto o Brasil se expandia e se fortalecia economicamente, a burguesia portuguesa passava por maus bocados sob a invasão francesa e exigia a volta da sede do reino para Lisboa.

O retorno do chefe

Ameaçado de ser destronado, dom João foi obrigado a voltar para Portugal em 26 de abril de 1.891, nomeando seu filho dom Pedro de Alcântara como príncipe regente do Brasil. A pressão portuguesa foi tanta que a elite brasileira, principalmente do Sudeste, logo desconfiou que o País poderia voltar a ser colônia de Portugal e começou a articular o separatismo com o apoio do príncipe regente.

Dia do Fico

Este foi um período de grande tensão entre brasileiros e portugueses. Portugal enviou mais tropas de seu Exército para intimidar eventuais revoltas populares e começou a exigir a volta, também, do príncipe regente. A pressão portuguesa foi um tiro no pé. Um movimento de resistência foi instalado no Brasil e no dia 9 de janeiro de 1822 dom Pedro I fez um pronunciamento dizendo que não retornaria para Portugal, o chamado Dia do Fico: “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digo ao povo que fico!”, disse ele, azedando ainda mais as relações com Portugal.

O vilão Avilez

O chefe da repressão portuguesa no Brasil era Jorge Avilez Tavares, governador das Armas da Corte e Província do Rio de Janeiro. Ele foi o encarregado em intimar Pedro I para retornar Portugal. Quando ouviu a negativa do príncipe, Avilez reuniu 2 mil soldados para prendê-lo, mas foi rechaçado por 10 mil soldados da Guarda Real. Derrotado, ele é quem teve que voltar para Portugal.

Constituinte

Para acirrar ainda mais, em maio de 1822 dom Pedro publicou um decreto chamado “Cumpra-se” que tornava nulas todas as leis portuguesas que não contassem com o seu aval. E convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para que o Brasil elaborasse a sua própria Constituição. Nesta época, dom Pedro I nomeou sua esposa, a arquiduquesa austríaca Maria Leopoldina para ser a princesa regente interina enquanto viajava a São Paulo acalmar uns revoltosos. Enquanto dom Pedro I viajava, Leopoldina convocou uma sessão extraordinária do Senado brasileiro que resultou na proclamação da Independência.

Ouviram do Ipiranga

Um mensageiro com uma carta informando a decisão alcançou dom Pedro quando ele cavalgava pelas margens do rio Ipiranga, atualmente no centro de São Paulo, que foi onde ele deu o histórico Grito do Ipiranga – Independência ou Morte – em 7 de setembro de 1822, exatamente há 199 anos. Há quem diga que tal grito nunca existiu, bem como aqueles cavalos o os uniformes de gala, pois dom Pedro viajava numa mula, bem como seus acompanhantes.

Império tropical

Com a independência do Brasil, o país tornou-se soberano e organizou-se com uma monarquia. Na América do Sul, o Brasil foi a única monarquia, pois as outras nações organizaram-se como repúblicas. Dom Pedro foi coroado imperador e nomeado como d. Pedro I em 1º de dezembro de 1822. Com isso, foi inaugurado o Primeiro Reinado (1822-1831). Outra consequência da independência foi o endividamento do país, já que Portugal cobrou dois milhões de libras do Brasil como indenização. Mesma indenização que o Brasil pagou à Bolívia pela anexação do território do Acre em 1903.

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