Casa onde morreu Chico Mendes em Xapuri vive segunda tragédia 33 anos depois

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET 30/10/2021 às 17:21 Atualizado: hå 5 anos

Fotografada mais de uma centena de milhares de vezes nos Ășltimos 33 anos, como sĂ­mbolo da luta do sindicalista Chico Mendes e por ter sido palco da tragĂ©dia em que ele foi morto a tiros em dezembro de 1988, com suas imagens rodando ao redor do mundo, a casinha simples em madeira e coberta de telhas de barro em que o sindicalista viveu com sua famĂ­lia estĂĄ sendo palco de mais uma tragĂ©dia: desta vez, ao invĂ©s de balas, o abandono.

Localizada no centro de Xapuri, com o fundo do quintal dando acesso Ă s margens do rio Acre, a casinha pintada em azul com as portas e janelas em rosa choque, do mesmo jeito que era enquanto Chico Mendes ali vivia coma a mulher Ilzamar e os filhos Elenira e Sandino, atĂ© aquela fatĂ­dica noite de 22 de dezembro de 1988, foi tombada como centro de memĂłria do sindicalista, uma espĂ©cie de pequeno museu onde foram guardados livros e outros objetos usados por ele e sua famĂ­lia. Nesta condição, a casinha passou a referĂȘncia turĂ­stica nacional e internacional de pessoas interessadas em conhecer a histĂłria de Chico Mendes e do movimento ambientalista que ele empreendeu, mas hoje estĂĄ em completo abandono.

Nos Ășltimos dois anos, fechada e coberta pelo mato, o que deveria ser um centro de memĂłria ou mesmo um museu dedicado a um herĂłi brasileiro e mĂĄrtir do movimento ambientalista internacional, alĂ©m de ameaçada de desabar, estĂĄ vivendo no mais completo abandono. E nĂŁo Ă© por falta de procura dos turistas, conforme revela Maria TaĂ­s da Silva, 25 anos, secretĂĄria da Amoprex (Associação de Moradores e Produtores da reserva Chico Mendes), que funciona ao lado do imĂłvel fechado. “Todos os dias batem pessoas aqui, vinda de outros estados do Brasil, ou daqui mesmo, e do exterior, querendo saber o motivo de a casa viver fechada. Eles acham que nĂłs, da Associação, temos a chave querem que a gente abra a casa Eu nĂŁo entendo a razĂŁo deste abandono”, diz a secretĂĄria.

Casa onde morreu Chico Mendes em Xapuri vive segunda tragédia 33 anos depois

Maria TaĂ­s diz que hĂĄ muita procura de turistas/Foto: ContilNet

A casa estå fechada desde o Governo Tião Viana, cujo governador, filiado ao PT, era aliado de Chico Mendes e de cujo símbolo os governos da Frente Popular do Acre (FPA) se alimentaram durante 20 anos de poder no Estado. Com as cheias do rio Acre desde a época inicial do abandono, em 2015, os barrotes da casinha passaram a ser ameaçados com a inundação que naquele ano afogou praticamente toda Xapuri. Passada a inundação, o imóvel continuou fechado e não recebeu nenhum benefício de recuperação.

O alerta de risco de desabamento foi feito dia 25 de julho deste ano em laudo de vistoria apresentado pelo Instituto do PatrimĂŽnio HistĂłrico e ArtĂ­stico Nacional (IPHAN). O imĂłvel estĂĄ tombado pelo IPHAN desde 2007 como imĂłvel e bem cultural acreano como PatrimĂŽnio HistĂłrico do Brasil. O laudo aponta que, alĂ©m do deslizamento de terra onde a casa estĂĄ instalada, a madeira que a cerca estĂĄ apodrecida e que se providĂȘncias nĂŁo forem tomadas, a ruĂ­na Ă© inevitĂĄvel.

Nota da redação

De acordo com a presidente da Fundação Elias Mansour (FEM) da gestĂŁo TiĂŁo Viana, Karla Martins, a casa de Chico Mendes ficou fechada de 2015 a 2017 para reforma. ApĂłs as reformas, a casa foi reaberta e sĂł foi fechada novamente no final da gestĂŁo do entĂŁo governador, por conta dos acordos de cessĂŁo onerosa que envolviam a cessĂŁo do bem, por parte de familiares, para visitação pĂșblica.

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