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27 novembro 2021 2:38 am

Fotógrafo faz ensaio com restos de comida em bandejas precificadas para criticar fome

POR G1 PE

Última atualização em 21/10/2021 12:51

Carcaças, restos de alimentos e pedaços de frutas comidos. O que há pouco tempo era somente lixo, hoje, com mais de 19 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar, virou realidade e levou o fotógrafo recifense Flávio Costa a fazer o ensaio “Mercado da Fome”, com imagens de sobras etiquetadas com preço.

As fotos produzidas como forma de crítica social precisaram ser explicadas após pessoas acreditarem que era verdade ao vê-las na internet.

“Eu queria que parecesse real, mas a situação é surreal. No Brasil de hoje, se você vê uma bandeja com um resto de comida sendo vendido, se não tiver legenda, você acredita que é verdade”, declarou.

Na segunda-feira (18), viralizou nas redes sociais um vídeo em que moradores de Fortaleza coletam comida num caminhão de lixo. A venda de ossos bovinos, que antes eram doados, também virou realidade nas cidades brasileiras. Atualmente, a inflação brasileira tem previsão para fechar o ano maior que a de 83% dos países do mundo.

Tudo isso levou Flávio Costa à ideia do Mercado da Fome. Nas fotos, ele coloca os produtos em bandejas de isopor, com uma etiqueta com o preço afixada, como ocorre nos supermercados. No entanto, em vez de alimentos, o que é fotografado são os restos.

“Vi matérias falando sobre a venda de ossos e carcaças de peixe. Fui no açougue vizinho e ele tinha deixado de doar os ossos para vender. Viram na fome uma oportunidade de negócio, é desumano. Foi aí que surgiu a ideia do ensaio, que era a de vender o que sobra”, disse o fotógrafo.

A primeira foto foi do resto de um hambúrguer. A imagem foi publicada no Twitter no dia 10 de outubro e acumula mais de 14 mil curtidas. A postagem foi vista por quase 1 milhão de pessoas e causou a indignação de muita gente. O fotógrafo precisou fazer posts explicando que era uma crítica.

“Depois que vi ossos e carcaças de peixe sendo vendidos ao invés de serem doados, resolvi criar uma série de fotografias sobre o assunto. Essa é a primeira delas. O absurdo é tanto que, sem legenda, a imagem é crível”, diz um tweet publicado em seguida, repetido a cada foto que faz parte da série.

Veja mais fotos em G1, clicando AQUI.

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