Tem certeza de que vocĂȘ cuida bem do carro? Estes 5 erros provam que nĂŁo

Por UOL 01/10/2021 Ă s 08:18

Tem gente que realmente se importa com o próprio carro e faz as manutençÔes preventivas nos prazos recomendados pelo manual do proprietårio ou pelo mecùnico de confiança. Além disso, nunca deixa o veículo sob o sol ou embaixo do sereno.

De fato, os exemplos citados contribuem para prolongar a vida Ăștil do veĂ­culo e deixĂĄ-lo com boa aparĂȘncia. Contudo, bastam alguns erros para que esses cuidados percam o efeito ou, pelo menos, tenham a eficĂĄcia reduzida.

Selecionamos cinco mancadas capazes de colocar a perder tanto carinho. Afinal, nunca Ă© tarde demais para aprender a tratar melhor ainda o seu automĂłvel. Confira.

1 – Rodar sempre com o motor frio

Fiat Strada 2021 motor 1.3 Firefly - Divulgação - Divulgação

Motor precisa atingir temperatura de funcionamento ideal para receber lubrificação adequada. Imagem: Divulgação

Muitos batem no peito ao dizer que seu carro roda pouco e estĂĄ “como se fosse zero-quilĂŽmetro”.

PorĂ©m, quilometragem baixa nĂŁo Ă© sempre uma virtude: depende muito da forma como vocĂȘ roda com o veĂ­culo.

Jå vou explicar: o motor precisa atingir determinada temperatura para o calor expandir os componentes internos e, assim, proporcionar condiçÔes ideais de funcionamento e lubrificação.

Usar o automĂłvel continuamente em deslocamentos muito curtos, insuficientes para se atingir a temperatura correta, acelera o desgaste e eleva o consumo de combustĂ­vel.

“Dirigir durante menos de 15 minutos nem esquenta o Ăłleo do motor, impossibilitando a lubrificação adequada. Tem carro com baixa quilometragem que apresenta mais desgaste na comparação com um exemplar mais rodado, que no entanto funciona a maior parte do tempo na temperatura ideal”, pontua Erwin Franieck, mentor em engenharia avançada da SAE Brasil.

Franieck informa que veĂ­culos abastecidos com etanol tendem a apresentar mais problemas na “fase fria”, especialmente em localidades com temperaturas mais baixas.

“Em dias frios, a partida de motor abastecido com etanol tende a ser mais difĂ­cil em carros antigos, sem sistema de prĂ©-aquecimento. Injeta-se mais combustĂ­vel no arranque e a parte nĂŁo queimada do etanol gera ĂĄgua como resĂ­duo. Se o motor nĂŁo esquentar adequadamente, a ĂĄgua nĂŁo evapora e acaba contaminando o Ăłleo, comprometendo sua performance”.

2 – Completar nĂ­vel do radiador com ĂĄgua de torneira

Frentista completando o lĂ­quido do radiador do carro com aditivo - Foto: Shutterstock - Foto: Shutterstock

O nível do líquido de arrefecimento deve ser completado com combinação de ågua desmineralizada e aditivo. Imagem: Foto: Shutterstock

Verificar o nĂ­vel do sistema de arrefecimento do motor regularmente Ă© um Ăłtimo hĂĄbito, sobretudo se o carro for bastante rodado, mais sujeito a vazamentos.

SĂł que completar o nĂ­vel com ĂĄgua da torneira Ă© uma prĂĄtica bastante danosa, pois, com o passar do tempo, isso provoca corrosĂŁo e atĂ© entupimento de tubulaçÔes, dutos internos e bomba de ĂĄgua – alĂ©m de diminuir a temperatura de ebulição.

Ao consultar o manual do proprietårio de diferentes veículos, a orientação båsica é a mesma: colocar ågua destilada ou desmineralizada em combinação com o aditivo recomendado pela montadora, na proporção correta.

“A percentagem do aditivo varia de acordo com o veĂ­culo. Alguns requerem colocar mais ou menos no reservatĂłrio. Siga sempre o que diz o manual”, recomenda o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil.

Água comum, seja da torneira, do rio ou até mineral, daquelas compradas no supermercado, forma resíduos indesejåveis, como calcårio.

O aditivo, por sua, vez, Ă© essencial para evitar corrosĂŁo e tambĂ©m elevar a ebulição do lĂ­quido de arrefecimento – reduzindo o risco de o motor “ferver”.

Vale destacar que nunca se deve abrir o reservatĂłrio, tambĂ©m conhecido como vaso de expansĂŁo, com o motor ainda quente – o lĂ­quido e os gases aquecidos e sob pressĂŁo podem causar queimaduras graves.

ApĂłs o motor esfriar, abra a tampa lentamente e com cuidado, pressionando-a levemente para baixo e girando-a no sentido anti-horĂĄrio.

Se o motor superaquecer por falta de lĂ­quido, redobre os cuidados ao abrir a tampa e adicione a ĂĄgua desmineralizada e o aditivo lentamente e em pequenas quantidades – isso previne o choque tĂ©rmico, capaz de trincar o bloco do motor.

Quanto ao nível, este deve estar entre as marcaçÔes måxima e mínima, presentes no reservatório.

3 – Trocar Ăłleo sĂł de acordo com quilometragem

Troca de Ăłleo - Lucas Lacaz Ruiz/A1 - Lucas Lacaz Ruiz/A1

Carro que roda pouco nĂŁo deve atrasar a troca do Ăłleo; em geral, lubrificante perde eficiĂȘncia em 6 meses. Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/A1

Trocar o Ăłleo do motor e o respectivo filtro dentro da quilometragem estipulada no manual do proprietĂĄrio Ă© uma orientação bĂĄsica para vocĂȘ evitar gastos nĂŁo previstos e eventualmente elevados.

No entanto, muitos ignoram que, além da distùncia percorrida, o fluido tem prazo de validade. Ou seja: a hora da troca é determinada pelo item que vencer primeiro.

Franieck explica que, apĂłs determinado perĂ­odo, os componentes do Ăłleo se degradam e sua capacidade lubrificante fica comprometida, elevando o atrito de componentes internos do motor – e, consequentemente, o consumo.

Outro detalhe: em condiçÔes severas de uso, como rodar predominantemente em vias não pavimentadas, com muita carga e sob tråfego congestionado, a quilometragem e o prazo para troca são antecipados.

O especialista recomenda, ainda, seguir fielmente a especificação de óleo recomendada no manual do veículo.

Vale destacar que o Ăłleo do motor nĂŁo Ă© o Ășnico item com prazo de validade em um carro – os pneus, por exemplo, tambĂ©m perdem a eficiĂȘncia apĂłs determinado perĂ­odo, mesmo sem rodar. A data de vencimento do pneu Ă© informada na respectiva lateral.

4 – Usar combustĂ­vel de procedĂȘncia duvidosa

Teste Combustível fiscal ANP - ANP/Divulgação - ANP/Divulgação

Fiscal da ANP (AgĂȘncia Nacional do PetrĂłleo, GĂĄs Natural e BiocombustĂ­veis) testa qualidade de gasolina. Imagem: ANP/Divulgação

Com o objetivo de poupar dinheiro, ainda mais em tempos de combustíveis inflacionados, é comum abastecer preferencialmente em postos que oferecem os melhores preços.

Preço baixo não é sinÎnimo de adulteração, mas vale a pena desconfiar quando os valores praticados estão muito abaixo da média do mercado.

Erwin Franieck orienta a priorizar postos conhecidos e sempre pedir a nota fiscal para comprovar a compra.

A dica Ă© importante, pois gasolina “batizada” com solvente e etanol adulterado com ĂĄgua sĂŁo capazes de afetar seriamente a saĂșde do motor e dos seus agregados.

“O solvente danifica componentes como dutos, vedaçÔes e peças emborrachadas, alĂ©m causar a formação de depĂłsitos no interior do propulsor. Etanol com mais ĂĄgua do que determina a especificação acelera a corrosĂŁo de itens e traz funcionamento irregular”.

As consequĂȘncias imediatas do abastecimento com combustĂ­vel adulterado sĂŁo perda de performance e alta no consumo.

5 – Ignorar amaciamento do motor

Renault Sandero Zen 1.6 - Murilo GĂłes/UOL - Murilo GĂłes/UOL

Renault diz no manual do Sandero 2020 para nĂŁo passar de 130 km/h nos primeiros 1.000 km. Imagem: Murilo GĂłes/UOL

Hå quem compre carro zero-quilÎmetro pensando que amaciar o motor é coisa do passado.

Porém, muitas marcas, para não dizer a maioria delas, ainda trazem no manual orientaçÔes para não abusar do acelerador durante os primeiros quilÎmetros de uso.

Assim, o motor nĂŁo Ă© tĂŁo exigido atĂ© que componentes internos se ajustem e ele atinja o nĂ­vel ideal de operação – com aumento na performance e redução no consumo de combustĂ­vel.

O manual do Renault Sandero traz essa recomendação: “AtĂ© atingir os primeiros 1.000 km, nĂŁo ultrapasse 130 km/h na troca de marcha mais elevada ou 3.000 a 3.500 rpm. No entanto, sĂł apĂłs cerca de 3.000 km, seu veĂ­culo irĂĄ proporcionar todo seu desempenho”.

De acordo com Erwin Franieck, apesar dos avanços tecnolĂłgicos, os projetos atuais de motores a combustĂŁo interna ainda levam em conta o perĂ­odo de “amaciamento” e nada indica que isso vĂĄ mudar em um futuro prĂłximo.

“A superfĂ­cie de componentes metĂĄlicos internos de um motor novo apresenta rugosidade, ou seja, variaçÔes no relevo que nĂŁo sĂŁo as ideais. Isso vale para todo o trem de força, incluindo engrenagens, eixos e mancais, que precisam de quilometragem para atingirem esse assentamento natural”, explica o especialista.

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