No dia do mĂșsico, artistas do AC relatam experiĂȘncias e desafios: “MĂșsica tem poder na vida das pessoas”

Por RENATO MENEZES, PARA CONTILNET 22/11/2021 Ă s 16:56

“A mĂșsica Ă© o tipo de arte mais perfeita: ela nunca revela o seu Ășltimo segredo”. Esta frase do poeta Oscar Wilde conceitua, com veemĂȘncia, o trabalho que os mĂșsicos costumam desenvolver dentro dos estĂșdios, em cima dos palcos ou qualquer ambiente que dĂȘ de expressar os sentimentos atravĂ©s de uma canção.

Buscar harmonia, pensar em sequĂȘncias melĂłdicas e instrumentos para, entĂŁo, gerar um produto final, nĂŁo Ă© uma atividade fĂĄcil e simples de ser feita, independentemente de gĂȘnero musical.

COMPOSIÇÃO

No caso do acreano Pedro Lucas, que estĂĄ no ramo da mĂșsica hĂĄ quatro anos, a relação de proximidade com a mĂșsica vai muito alĂ©m de sentar e compor. Segundo o artista, o processo criativo envolve sentimento. “Vou destrinchando tudo que vi, ouvi, vivi, e sento junto com o violĂŁo e busco nos acordes, nas notas e nas vibraçÔes algo que compactue com o sentimento que eu quero passar na letra”.

Ainda de acordo com ele, a mĂșsica tem um poder muito forte na vida das pessoas. Por conta disto, comentou que Ă© importante ter responsabilidade com o que estĂĄ escrevendo. “A mĂșsica Ă© uma maneira que tenho de desopilar de muitas coisas da vida. As mĂșsicas no geral vĂȘm muito acompanhadas de um sentimento, seja tristeza, alegria, amor, e transformar esses sentimentos em mĂșsica Ă© uma maneira de lidar com o sentimento e de expressar algo da nossa vida para quem for escutar”.

AlĂ©m disto, o artista pontuou que Ă© importante que as pessoas e as instituiçÔes de fomento de cultura locais se engajem para promover polĂ­ticas de incentivo aos artistas, visto a competitividade que o mercado da mĂșsica vem ganhando.

“Como mĂșsico independente, vejo que precisamos de polĂ­ticas pĂșblicas mais inclusivas, Ă© muito difĂ­cil emplacar uma carreira sendo independente. Os artistas acreanos deveriam receber valorização. Hoje nosso maior meio Ă© a internet, e acaba que fica faltando (incentivo) no meio das iniciativas polĂ­ticas”, destacou.

PRODUÇÃO

JoĂŁo AraĂșjo, produtor e violonista, tambĂ©m pensa a mesma coisa no que diz respeito aos incentivos a artistas locais. Para ele, que enxerga a mĂșsica como uma arte milenar, ser mĂșsico Ă© ser “capaz de transformar e elevar profundamente aqueles que nela se espelham”.

No dia do mĂșsico, artistas do AC relatam experiĂȘncias e desafios: “MĂșsica tem poder na vida das pessoas”

JoĂŁo AraĂșjo (Ă  esquerda) produziu o Festival Margem Jazz em Rio Branco (AC). Foto: Ramon Aquim.

“No meu caso, o processo de produção tem inĂ­cio com a necessidade de expressĂŁo aliado a um desejo por mudanças e transformaçÔes que o evento ou a mĂșsica podem impulsionar. O momento anterior Ă  execução das ideias costuma ser intenso e carregado de caos criativo. Momento de bastante trabalho na concepção e organização do projeto pretendido. Nessa etapa nĂŁo pode faltar a boa mĂșsica como inspiração”, disse.

O violonista produziu, recentemente, o Festival Margem Jazz, que contou com a participação de diversos mĂșsicos locais e que incrementou ainda mais em uma jornada que perdura hĂĄ mais de 15 anos. “Em minha concepção a realização musical estĂĄ na vivĂȘncia diĂĄria da prĂłpria arte. Na essĂȘncia do som, no estudo, na criação, no processo”.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.