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27 novembro 2021 6:31 pm

Pesquisa da USP mostra que Mâncio Lima tem maior número de transmissão de malária da Amazônia

Segundo o instituto, o município que de acordo com o IBGE tem 15.206 habitantes, tem uma das maiores incidências da doença no país

POR NANY DAMASCENO, DO CONTILNET

Última atualização em 07/11/2021 11:01

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), realizou uma mapeamento da  transmissão da malária no município de Mâncio Lima, no interior do Acre.

Segundo o instituto, o município que de acordo com o IBGE tem 15.206 habitantes, tem uma das maiores incidências da doença no país.

Em entrevista à rádio EBC esta semana, o doutor em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Igor Cavallini Johansen explicou que, num primeiro momento, houve uma coleta de informações de todos os moradores de Mâncio Lima, seguida do acompanhamento de 20% dos domicílios e a partir daí, no início de 2018, foi feita uma pesquisa com testagem e entrevista, de seis em seis meses.

“A gente notou que o município tinha uma particularidade, em relação aos outros municípios da Amazônia, o número de casos de malária proporcionalmente ao número de habitantes, era maior que no resto da Amazônia. Quando começamos a olhar os dados disponíveis, vimos que tem muita malária urbana, que é aquela transmitida dentro da própria cidade, ou seja, ela não chegou a viajar, sair da cidade e foi contaminada”, explica.

De acordo com ele, isso é incomum pois a malária é uma doença infecciosa, causada por um parasita, transmitido ao homem, na maioria das vezes pela picada de mosquitos geralmente ligado à áreas verdes e de mata preservada. Apesar de não ser transmissível de uma pessoa para outra, quando o mosquito transmissor pica uma pessoa infectada ele pode transmitir a doença para outra pessoa.

Conseguimos observar que as pessoas que mais podiam contribuir com esse processo de trazer a malária da zona rural para a zona urbana são aquelas que mais se movimenta e quem são essas pessoas? geralmente homens, entre 16 e 60 anos, mais pobres, com dupla residência (casa na zona rural e na cidade) ou pessoas já infectadas na zona rural que precisam ir à cidade para se tratar. Dessa forma que a doença, mais comum em áreas rurais, tem migrado também para a cidade”, explica o doutor.

Outra situação que ocorre colabora com a proliferação das doenças são os tanques de piscicultura, bastante comuns na área urbana de Mâncio Lima, que foram distribuídos pelos Governos passados para gerar renda à população. “Nem todo mundo cuidou do seu tanque e ficaram abandonados porque não foram viáveis e com isso tem água parada, bordas sombreadas por mata e é exatamente aí, que os mosquitos adoram se reproduzir e aí fazemos o link, uma pessoa chega da área rural e chega à zona urbana infectada, encontra o vetor e pronto, outra pessoa não precisou sair da cidade para se infectar”, disse Johansen.

Para Igor Johansen, o mapeamento mostra que há soluções que podem interromper o ciclo da doença, “Ao identificar as pessoas com potencial maior de serem infectadas, pode-se criar políticas públicas como a a distribuição de mosquiteiros que protege contra a picada e, consequentemente previnem a infecção. AO encontrar essas pessoas e fazer a testagem, pois mesmo se a pessoa não tiver sintoma ela pode ser tratada imediatamente. Outra coisa é fechar os tanques que não são usados e para os que estão sendo usados, distribuir o uso de biolarvicidas”, explica.

Sesacre aponta redução de casos

Apesar dos casos no município de Mâncio Lima serem preocupantes, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), registrou, este ano, a redução de 31% no número de casos no período de janeiro a setembro de 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em Mâncio Lima a redução foi de 44%, segundo a Sesacre. Em 2020 foram registrados 1.279, este ano, 706 no período analisado.

Prevenção, sintomas e tratamento

A prevenção é feita com o uso de repelentes, mosquiteiros, roupas que protejam braços e pernas e telas nas portas e janelas.

Os sintomas são calafrios, febre e sudorese, ocorrendo geralmente algumas semanas depois da picada. O tratamento inclui medicamentos antimaláricos.

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