Candida auris: Anvisa confirma terceiro caso de ‘superfungo’ no paĂ­s

Candida auris: Anvisa confirma terceiro caso de ‘superfungo’ no paĂ­s
Imagem: SCIENCE PHOTO LIBRARY

A Anvisa (AgĂȘncia Nacional de VigilĂąncia SanitĂĄria) confirmou hoje o terceiro surto de Candida auris em um hospital da rede pĂșblica no Recife. A espĂ©cie foi detectada na urina de um paciente.

Conhecido como “superfungo”, ele resiste a medicamentos e, de acordo com a agĂȘncia, Ă© considerado uma ameaça sĂ©ria Ă  saĂșde pĂșblica. A infecção por C. auris pode ser fatal, principalmente para pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades. Os dois primeiros casos foram confirmados em Salvador em 2020.

A agĂȘncia alertou ainda que hĂĄ outro caso suspeito em investigação laboratorial, em um paciente do mesmo hospital.

De acordo com a Anvisa, desde a identificação da suspeita, uma força-tarefa nacional, composta por diversos ĂłrgĂŁos, foi acionada para monitorar e controlar o surto. A instituição pediu que os laboratĂłrios de microbiologia intensifiquem a vigilĂąncia e, diante de um caso suspeito ou confirmado, notifiquem o serviço de saĂșde e acionem um dos Lacens (LaboratĂłrio Central de SaĂșde PĂșblica).

Covid-19 pode ter criado condiçÔes para ‘superfungo’

Um estudo publicado no ano passado sugere que o caos hospitalar criado pela pandemia da covid-19 pode ter criado as condiçÔes ideais para a proliferação da Candida auris.

Arnaldo Colombo, coordenador o LaboratĂłrio Especial de Micologia da Universidade Federal de SĂŁo Paulo (Unifesp) e lĂ­der da pesquisa, explica que os fungos do gĂȘnero Candida (com exceção da C. auris) fazem parte da microbiota intestinal humana e sĂł costumam causar problemas quando hĂĄ um desequilĂ­brio no organismo. O mais comum Ă© o surgimento de infecçÔes superficiais na mucosa da vagina (candidĂ­ase) ou da boca (sapinho), geralmente associadas Ă  espĂ©cie C. albicans.

Em alguns casos, porĂ©m, o fungo invade a corrente sanguĂ­nea e desencadeia um quadro de infecção sistĂȘmica – conhecido como candidemia – semelhante ao da sepse bacteriana. A invasĂŁo da corrente sanguĂ­nea e a resposta exagerada do sistema imune ao patĂłgeno podem causar lesĂ”es em diversos ĂłrgĂŁos e atĂ© mesmo levar Ă  morte. As evidĂȘncias cientĂ­ficas apontam que, quando a candidemia ocorre em pacientes infectados pela C. auris, atĂ© 60% nĂŁo sobrevivem.

“Essa espĂ©cie rapidamente se torna resistente a mĂșltiplos fĂĄrmacos, sendo pouco sensĂ­vel a produtos desinfetantes utilizados em centros mĂ©dicos. Dessa forma, consegue persistir no ambiente hospitalar, onde coloniza profissionais de saĂșde e, posteriormente, pacientes crĂ­ticos que necessitam de internação prolongada, a exemplo dos portadores de formas graves da covid-19”, diz Colombo.

Diversos fatores tornam os pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 alvos ideais para a C. auris, entre eles a internação prolongada, o uso de sondas vesicais e cateteres para acesso venoso central (uma porta de entrada para a corrente sanguínea), corticoides (que suprimem a resposta imune) e antibióticos (que desequilibram a microbiota intestinal).

 

 

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